Clique e assine a partir de 9,90/mês
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A CUT, a central do PT, apoia greve de metroviários, que fazem chantagem com a Copa. Pior para Dilma! E daí? Os petistas, como o escorpião, têm a sua natureza!

Já sabemos o suficiente sobre a greve dos metroviários, cuja legalidade será julgada na tarde deste domingo. Para uma inflação de 5,2%, o governo ofereceu 8,7% de reajuste, além de ter aumentado o valor do vale-refeição, do vale-alimentação (juntos, esses dois benefícios somam R$ 960) e da bolsa-creche — que também vale para os pais […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 12 Feb 2017, 14h15 - Publicado em 8 Jun 2014, 08h08

Já sabemos o suficiente sobre a greve dos metroviários, cuja legalidade será julgada na tarde deste domingo. Para uma inflação de 5,2%, o governo ofereceu 8,7% de reajuste, além de ter aumentado o valor do vale-refeição, do vale-alimentação (juntos, esses dois benefícios somam R$ 960) e da bolsa-creche — que também vale para os pais com filhos até sete anos: R$ 579. Considerados esses ganhos indiretos, mas que são muito diretos, o aumento passa de 13%, mais do que o dobro da inflação. Ocorre que o sindicato da categoria, cujo presidente, Altino Prazeres, é militante do PSTU, tem uma agenda política. Em nome dela, os usuários que se danem — boa parte deles recebendo um salário inferior ao que os nababos recebem só para se alimentar! Pois bem: o sindicato ameaça deixar São Paulo sem metrô na abertura da Copa do Mundo, daqui a quatro dias. E CONTA, PASMEM!, COM O APOIO INTEGRAL DA CUT.

Vocês leram tudo direito. A central sindical do PT, onde Lula manda — e não adianta fazer de conta que não —, apoia um movimento que deixa milhões de brasileiros ao sabor da sorte, obrigados, muitas vezes — como lembrou ontem uma empacotadora de um supermercado a que fui no começo da noite — a fazer viagens de ônibus de até três horas e meia, quando poderiam chegar às suas casas em 30, 40 minutos.

A paralisação gera transtornos em cadeia porque atinge os outros meios de transporte. Passageiros habituais do metrô que têm carro apelam, obviamente, ao próprio veículo. O rodízio é suspenso. Os ônibus superlotam; a cidade fica caótica. Apoiar uma greve com esse grau de oportunismo chega a ser escandaloso. Mas a CUT — leia-se: o PT — não quer nem saber. É a história do escorpião que ferroa o sapo que atravessa um rio levando-o nas costas: o bicho tem a sua natureza!

A nota emitida pela CUT é de uma delinquência política escandalosa. Leiam (em vermelho). Volto em seguida.
A CUT – Central Única dos Trabalhadores é solidária à greve dos/as trabalhadores/as do Metrô de São Paulo e também à população que utiliza o transporte coletivo. Todos nós defendemos um transporte público de qualidade com trabalhadores/as dignamente remunerados.
A CUT entende que o governador de São Paulo-SP, Geraldo Alckmin, precisa agir com mais responsabilidade, tanto na condução da negociação com os representantes do Sindicato dos Metroviários quanto com a população da cidade. Quatro milhões de pessoas estão sendo prejudicadas pela inabilidade do governo na negociação com a categoria.
As reivindicações são justas, do ponto de vista econômico e social. É uma greve reivindicatória por melhores condições de trabalho e salário para os/as metroviários/as, que só foi deflagrada, como último recurso, porque não houve um processo de negociação democrático satisfatório entre as partes.
Foi com greves como essa que os/as companheiros/as rodoviários/as e os professores municipais de São Paulo conquistaram reajustes salariais acima de 10%.
A CUT repudia veementemente a violência policial ao movimento grevista dos metroviários de São Paulo. Polícia tem de proteger o cidadão, o trabalhador e a trabalhadora. Não foi isso que a Tropa de Choque fez hoje. Para a CUT, o governador tem o dever de abrir negociações sérias com a categoria.
A greve é um direito legítimo conquistado pelos/as trabalhadores/a e não pode ser reprimida com força policial e a solução tem de ser negociada.
A CUT se coloca à disposição, tanto para a direção do Sindicato como para o governo do Estado de SP e, principalmente, para os/as metroviários/as de São Paulo, para contribuir na solução desse conflito.
São Paulo, 6 de junho de 2014.
Vagner Freitas
Presidente

Retomo
Como já deixei claro, o reajuste é muito superior a 10%. O Metrô, se querem saber, foi excessivamente generoso. A Polícia Militar, até agora, está se limitando a cumprir a sua função. Violentos são os piqueteiros e baderneiros que cassam da população o direito de ir e vir e usam o bem público como se fosse propriedade privada.

No site do próprio PT há um texto flertando com a greve. Qual o propósito do partido? Deve ser aquele mesmo que o levou  a apoiar em São Paulo as primeiras manifestações truculentas do Passe Livre, na certeza de que o governador Geraldo Alckmin seria o principal prejudicado. Deu tudo errado para os petralhas. As manifestações se generalizaram, a insatisfação abandonou a casca do ovo, e a popularidade de Dilma é quase a metade da que ela tinha há um ano. Leiam trecho do texto do partido.

Continua após a publicidade

greve metrô CUT

Escrevi literalmente centenas de textos alertando que os petistas estavam fazendo uma bobagem até contra si mesmos estimulando o pega-pra-capar. Pois é… Dilma que o diga!

A pressão deve ser grande. Espero que o governador Geraldo Alckmin não ceda e, caso declarada a ilegalidade da greve, mande demitir algumas dezenas. Vocês verão o efeito didático que isso tem.

Ah, sim! O tal Altino diz que vai enviar uma carta à presidente Dilma pedindo que ela interceda junto a Alckmin. É mesmo, é? Se não me engano, e não me engano, o governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União, foi à Justiça preventivamente para impedir greve de policiais federais. Não consta que Alckmin tenha telefonado para Dilma cobrando que ela abrisse negociações.

Continua após a publicidade

A central sindical ligada ao PT estimula o caos em São Paulo apostando numa reação dura da PM para que possa fazer proselitismo vigarista depois.

Publicidade