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Raphael Montes

As redes dos livros

Os aplicativos digitais ampliam o prazer de devorar uma boa obra

Por Raphael Montes - Atualizado em 16 out 2020, 18h04 - Publicado em 16 out 2020, 06h00

Sempre me interessou saber como a tecnologia e a internet diminuem distâncias e criam pontes. Apaixonado por livros, comecei a escrever ainda adolescente motivado por uma comunidade do Orkut em que contávamos histórias protagonizadas pelos personagens de Agatha Christie. Como leitor, sempre me senti solitário — com quem conversar sobre o que eu lia? Como descobrir novos autores de certos estilos? Como controlar a fila de leitura sem esquecer os livros que ainda queria comprar e conhecer?

Comecei usando o Goodreads, a principal rede social de livros no mundo. Nela, é possível compartilhar suas impressões sobre determinada obra e conhecer as opiniões de outros. Com um catálogo de títulos de todo o mundo, o Goodreads é muito usado pelos americanos, mas vale ressaltar que todo seu conteúdo é em inglês. Logo depois, descobri o Skoob, fundado em 2009. Criado por brasileiros, o Skoob é uma rede social que conta com mais de 5 milhões de usuários e rapidamente se tornou minha favorita. O nome deriva da palavra books (livros) ao contrário.

No Skoob, criei um perfil com o objetivo de ter controle maior sobre o que havia na minha estante. Para isso, fui cadastrando livro a livro e montando uma biblioteca virtual. Obcecado por método, fiquei fascinado com as funcionalidades do site. Além de registrar cada um, pude incluir marcadores como “Lidos”, “Estou lendo”, “Quero ler”, “Favorito”, “Desejado”, “Emprestei” e “Abandonei”. Foi nostálgico relembrar a sensação de cada leitura ao tentar atribuir uma nota (de 1 a 5), e fazer comentários ou resenhas sobre as obras mais especiais. Terminada a “estante”, o site tem um paginômetro que soma as páginas dos livros já lidos.

“Se você ama ler, corra e procure as comunidades virtuais sobre o assunto porque vale a pena”

Segundo o fundador da rede, o objetivo do Skoob é socializar o ato de ler. E realmente funciona. Com minha biblioteca virtual pronta, encontrei espaço para adicionar amigos, conversar com outros skoobers e trocar impressões. Nas páginas de cada livro há uma área de resenhas e debates, assim como informações biográficas de autores e sugestões de outras obras no mesmo estilo. Você pode seguir seus autores e editoras favoritos, além de entrar em grupos de discussão e criar metas de leitura. Um prato cheio para quem quer mergulhar no mundo dos livros e não sair tão cedo.

Depois que comecei a publicar meus romances, encontrei ainda outras ferramentas on-line para quem ama boas histórias. No Watt­pad, muitos autores iniciantes colocam seus textos com objetivo de receber um feedback do público. É um ótimo modo de testar seu estilo, trama e personagens junto aos leitores. Hoje, tanto no Skoob como no Goodreads, faço questão de acompanhar as resenhas que escrevem sobre meus livros. Com a crítica literária tão escassa nos jornais e revistas, esse é um espaço raro mas essencial para um escritor: saber como suas histórias chegam aos leitores. Se você ama ler e ainda não conhecia as comunidades virtuais sobre livros, pode ir correndo procurar porque vale a pena. Caso entre nelas, não se esqueça de me adicionar.

Publicado em VEJA de 21 de outubro de 2020, edição nº 2709

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