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Margo Martindale: ‘Minha carreira estourou depois dos 60 anos’

Atriz de séries como ‘The Americans’ e ‘Sneaky Pete’ fala a VEJA sobre trajetória e como se tornou a ‘matriarca da TV’

Por Raquel Carneiro Atualizado em 14 out 2020, 17h16 - Publicado em 15 out 2020, 10h00

Com olhar penetrante e voz rouca, Margo Martindale, 69 anos, se tornou figura onipresente em séries de TV na última década. A atriz americana, vencedora de três estatuetas no Emmy, interpreta com frequência o papel da matriarca forte. Do tipo que se divide entre as tarefas do lar e outras funções, como espionagem (em The Americans) e até mesmo o tráfico de drogas (em Justified). No Brasil, está no ar no canal Fox com a série Mrs. America, pela qual concorreu ao Emmy este ano; também pode ser vista em plataformas de streaming com séries como a já citada Justified, além de outras como Dexter e The Good Wife; e, nesta quinta-feira, 15, às 22h, ela chega ao canal pago AXN com a segunda temporada de Sneaky Pete.

Em entrevista a VEJA, Margo fala sobre a trajetória e como enxerga o sucesso conquistado na maturidade.

Para começar, parabéns pela sua sexta indicação ao Emmy, pela série Mrs. America. A senhora perdeu para a colega de elenco, a atriz Uzo Aduba, e foi visível que ficou muito feliz por ela. Obrigada pelos parabéns. E sim, fiquei extremamente feliz por Uzo. Eu nunca tinha experimentado fazer parte de um elenco repleto de tantas atrizes, e nos tornamos apoiadoras umas das outras. Eu estava torcendo por ela, com certeza esse Emmy será uma virada para a Uzo.

Na última década, a senhora estrelou muitas séries de sucesso. Como analisa essa trajetória? É interessante, pois minha carreira estourou depois que fiz 60 anos. Só ganhei meu primeiro Emmy depois dos 60. Comecei trabalhando no teatro e entrei para o cinema no fim dos anos 1980. Cheguei à televisão quase no fim da década de 90. Sinto que quanto mais velha uma pessoa fica, melhor se dá com seu trabalho. Não preciso fingir maturidade, eu sou madura. Tenho muita bagagem a oferecer para minhas personagens. Tenho tido mais oportunidades na velhice do que na juventude, e mais capacidade para interpretar diferentes papéis. Sou muito sortuda para alguém da minha idade. Na verdade, sou muito sortuda para qualquer idade.

Em Sneaky Pete (exibida nos Estados Unidos entre 2015 e 2019) a senhora interpreta a matriarca de uma família que trabalha com seguros. Todos os personagens giram em torno da sua — entre eles um golpista (vivido por Giovanni Ribisi), que finge ser um neto com quem há anos não tinha contato. Como foi atuar nesta série? É clichê, mas digo que essa série fez com que os atores se sentissem como uma família de verdade – até moramos no mesmo prédio na terceira temporada. Amo ser a líder da família. Eu fui uma mãe espiã em The Americans e uma mãe muito maluca em Justified, mas em Sneaky Pete eu era de fato a mãezona, com dilemas típicos de uma família, pronta para resolver problemas.

Na vida real, se considera uma matriarca forte? Eu diria que não tão forte quanto os papéis que interpretei. Não sou tão segura de mim mesma como mãe quanto as mulheres que eu interpreto.

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Margo Martindale e Giovanni Ribisi na série ‘Sneaky Pete’ – //Divulgação
Margo Martindale em ‘Justified’ – //Divulgação

Em Mrs. America, seu trabalho mais recente, a senhora interpreta a advogada e ativista Bella Abzug (1920-1998). Já era familiarizada com a personagem na vida real? Eu vivi no Upper West Side de Manhattan por 44 anos. Então eu conhecia a Bella Abzug. Ela estava sempre no jornal, na televisão. Eu sabia pelo o que ela lutava. Era uma árdua defensora da igualdade de direitos para mulheres, para gays. Era contra guerras e uma pioneira na defesa do meio ambiente. Foi uma honra interpretá-la e, claro, um longo aprendizado, além de um desafio. Mas amei cada momento. Sou uma grande admiradora.

Se considera uma feminista? Sempre. Nunca pensei o contrário (risos). Sou texana. Então você nasce feminista para sobreviver no Texas.

Margo Martindale como Bella Abzug na série ‘Mrs. America’ – //Divulgação

Como se prepara para interpretar essas personagens que, em comum, são mãezonas, mas também são tão diversificadas em suas atividades fora do lar? Eu carrego meu cérebro de informações sobre a personagem e tento criar algo que venha de dentro de mim, mas que, ao mesmo tempo, seja diferente de mim. Não sei se faz sentido, mas é isso. É como eu enxergo a atuação. Você se enche de informações e depois deixa tudo isso explodir e tomar conta de você.  Claudia, da série The Americans, foi uma personagem interessante, pois era uma espiã disfarçada. Então eu não podia expressar tudo o que ela de fato era, tinha que reprimir o verdadeiro eu da personagem. Já em Justified fui uma criminosa. Então eu tentava justificar minhas ações. Foi o papel mais fácil que eu já fiz. Não sei dizer porque foi tão fácil interpretar uma assassina, só saiu de uma forma natural (risos).

Sua próxima série, Your Honor, será um thriller com Bryan Cranston – que ganhou fama mundial com Breaking Bad e é o criador de Sneaky Pete. Como é trabalhar com ele? Bryan é uma pessoa maravilhosa. Um líder, extremamente sagaz e inteligente, além de ser muito engraçado. Para Sneaky Pete, ele me ligou, contou sobre o que era a série e perguntou: “quer fazer?”. E eu topei na hora. Em Your Honor, que vamos rodar este ano, tem sido uma experiência diferente, pois estamos atuando juntos de fato. Em Sneaky ele era o produtor, então só nos falávamos por telefone. Agora tenho me divertido com a experiência de tê-lo no set.

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