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Ao deixar comando do STF, Toffoli defenderá ‘legado de pacificador’

Atuação do presidente do Supremo que deixa o cargo no próximo dia 10 foi marcada por crises e choques entre os poderes

Por Robson Bonin Atualizado em 2 set 2020, 10h01 - Publicado em 2 set 2020, 07h30

Há quase dois anos no comando do STF, o ministro Dias Toffoli vai realizar nesta sexta-feira o seu balanço de fim de mandato no comando da mais alta Corte do país.

Além dos números tradicionais de estoque de processos, carga de trabalho e realizações administrativas no tribunal, interlocutores de Toffoli dizem que o ministro pretende deixar como símbolo de sua gestão “a luta pela democracia”.

A construção da última entrevista de Toffoli como presidente da Corte ainda é um mistério, mas colegas dele afirmam que o ministro aproveitará o momento para rebater as críticas que recebeu por manter uma intensa agenda de contatos políticos durante sua passagem pelo comando da Corte.

Na avaliação dos interlocutores de Toffoli, foi justamente sua habilidade e abertura ao diálogo político que abriram caminho para que a Corte tomasse a dianteira da crise política no momento mais agudo do início de governo de Jair Bolsonaro, quando — como revelado por VEJA — Toffoli atuou para debelar uma crise institucional de proporções devastadoras.

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Segundo interlocutores do presidente do Supremo, ele lembrará que enquanto costurava a pacificação entre os líderes do Congresso e o próprio Bolsonaro, comprou o desgaste de avançar com o questionado inquérito das Fake News, com operações contra alvos radicais do bolsonarismo. Tudo para garantir que a situação na Praça dos Três Poderes não saísse dos limites da Constituição.

“Fux assumirá a presidência do STF agora que o pior já passou. Toffoli foi quem enfrentou os primeiros meses de Bolsonaro saído das urnas, radical, com uma pauta pesada de costumes, com gabinete do ódio atuando a todo vapor, com milícias digitais e ataques do Congresso contra ministros”, diz um aliado de Toffoli. “Todo o enfrentamento foi feito na gestão dele. A independência dos poderes e a harmonia foram construídas a partir da Corte”, segue o interlocutor do presidente.

Toffoli, na avaliação dos seus aliados no tribunal, “conseguiu pacificar” as relações entre os poderes com diálogo e, claro, com as prisões, buscas e apreensões e tornozeleiras distribuídas por Alexandre de Moraes aos radicais bolsonaristas.

Foi o momento mais conturbado da história recente do Supremo, com trocas de graves ameaças, ora por meio de notas oficiais como a assinada pelo ministro Augusto Heleno, ora pelo duro voto proferido pelo decano Celso de Mello na decisão em que rejeitou a apreensão do celular presidencial.

Bem ou mal, Toffoli conduziu o STF “como instrumento de pacificação nessa transição do país da esquerda para a direita”, avalia um conselheiro do ministro: “Sem descuidar de temas importantes como a criminalização da homofobia. Esteve sempre na corda bamba”.

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