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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Gasperini, o substituto ideal para Jorge Jesus no Flamengo

Treinador italiano da Atalanta não carrega títulos no currículo, mas sabe armar um time e detectar os pontos fortes de cada jogador

Por Paulo Cezar Caju - Atualizado em 13 jul 2020, 12h44 - Publicado em 13 jul 2020, 12h22

Ouvi em alguma tevê que Jorge Jesus foi sondado pelo Benfica e que estaria balançado. Vamos supor que seja verdade, quem seria o seu substituto? Pela filosofia do Flamengo dificilmente será um brasileiro. Se me pedissem uma opinião não pensaria duas vezes em sugerir o italiano Gian Piero Gasperini, da Atalanta, que não carrega títulos no currículo, mas sabe armar um time e detectar os pontos fortes de cada jogador. Jorge Jesus fez isso muito bem no Flamengo, encontrou a posição ideal para seus atletas e o rendimento veio naturalmente. O condicionamento físico é outro ponto forte do rubro-negro.

Acompanho Gian Piero Gasperini desde sua chegada à Atalanta, em 2016. Quem me conhece sabe que assisto até segunda divisão do campeonato indiano e leio tudo sobre futebol. Sempre fui um fominha por informação. O Atalanta evolui ano a ano, vai muito bem no campeonato italiano e pode surpreender na Liga dos Campeões. Gosto de ver o Atalanta jogar. Jorge Jesus também não tinha uma carreira espetacular na Europa quando chegou ao Flamengo. Muitos duvidaram de sua capacidade e, hoje, ele é uma unanimidade no clube. Mais do que isso, o torcedor se identificou com ele e até seus sósias são contratados para eventos. Sabemos que isso é muito difícil de ser conquistado no Brasil. Quantas vezes já ouvimos gritos de torcida reverenciando treinadores?

Gian Piero Gasperini está há quatro anos na Atalanta e o tempo de casa também faz a diferença. Esse tempo é justamente o mais difícil de ser conquistado porque se os resultados não aparecem a diretoria dificilmente compra o barulho do treinador. Fernando Diniz, outro técnico que admiro, sempre reclama dessa falta de tempo implementar sua filosofia de trabalho. E quem vê seus times percebe nitidamente sua mão ali. O Flamengo já havia pensado em trocar um Jorge pelo outro, caso Jesus não ficasse. Seria o argentino Sampaoli, outro que também gosto bastante porque é adepto do futebol ofensivo. Nesse último Fla x Flu, apesar de o tricolor ter saído para o jogo, nota-se que Gabigol, Pedro e Michael se movimentam o tempo todo. Não é fácil marcar um ataque que se desloca sem parar. O Fluminense sabe se defender bem porque essa é a escola de seu treinador, mas precisa de um jogador que desarme e saiba sair jogando com qualidade e um bom definidor. Não entendi, Fred vai operar o olho? Bom, deixa para lá.

Ainda não dá para avaliar o técnico Ramon, do Vasco, mas gosto porque era um bom jogador, que estava cuidando da base. O Botafogo, que já tinha o japonês Honda agora trouxe o marfinense Kalou. Dois jogadores de Copa do Mundo, o que é ótimo para o marketing do clube. Eu disse para o marketing! Mesmo com essa confusão toda, briga de emissora com clubes e federação, torço pela retomada do campeonato carioca, que já foi considerado o melhor do Brasil e hoje é tratado com total desprezo e desrespeito. Lamento muito que os chavões dos analistas de computadores voltaram com tudo: jogador agudo, consistência de jogo, linha de cinco e por aí vai…

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