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Paraná Por VEJA Correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens paranaenses. Por Guilherme Voitch, de Curitiba

Lula chamou encontro em quartel de ‘vexame’, relata advogado

Defensor descreveu reação do ex-presidente à decisão que autorizou saída de petista para unidade militar em razão da morte de seu irmão mais velho

Por Guilherme Voitch - Atualizado em 30 jan 2019, 15h58 - Publicado em 30 jan 2019, 15h36

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seria “um vexame” e um “desrespeito com sua família” caso ele aceitasse encontrar seus familiares em uma unidade militar de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, conforme decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.

A reação de Lula foi descrita por um dos seus advogados, Manoel Caetano Ferreira Filho, na tarde desta quarta-feira, 30, em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o petista cumpre pena. “O presidente não concordaria com família em um quartel. Ele disse isso claramente. Isso seria um desrespeito com a família. Seria um vexame”, disse Ferreira Filho.

O encontro em uma unidade militar foi a condição imposta por Toffoli para que o ex-presidente pudesse encontrar a família e participar do enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. O irmão do ex-presidente morreu na manhã desta terça-feira, 29, aos 79 anos, vítima de câncer, e foi sepultado nesta quarta em um cemitério de São Bernardo do Campo.

Toffoli atendeu parcialmente a um pedido formulado pela defesa de Lula, mas citou a posição da Polícia Federal (PF) que apontou risco à segurança dos presentes e dos agentes públicos mobilizados, além da possibilidade de convocação de militantes para comparecerem ao funeral. 

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Na decisão, Toffoli assegurava a possibilidade de que o corpo do seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, fosse deslocado para a unidade militar, destacando que “prestar a assistência ao preso é um dever indeclinável do Estado”.

Segundo Ferreira, mesmo que desejasse comparecer ao enterro, não haveria tempo hábil para que o ex-presidente prestasse homenagens ao irmão. “A decisão é inócua e foi proferida quando o corpo já baixava à sepultura”, disse o advogado. Segundo ele, Lula sentiu muito em não se despedir do irmão. “Era um irmão muito querido.”

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