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Ricardo Salles, o pau mandado da ala mais atrasada do agronegócio

Meio ambiente ao Deus dará

Por Ricardo Noblat
Atualizado em 22 set 2020, 09h18 - Publicado em 22 set 2020, 09h00

Que tal? Quando avança por aqui a degradação da natureza com o fogo que agora queima o Pantanal, e oito países europeus ameaçam boicotar a compra de produtos brasileiros, Ricardo Salles, o antiministro do Meio Ambiente, teve a ideia brilhante de nomear um ex-conselheiro de uma das principais entidades ruralistas para comandar a recém-criada Secretaria da Amazônia.

Joaquim Álvaro Pereira Leite é o homem certo no lugar errado e na hora errada. Ou o inverso: no lugar certo e na hora certa, a levar-se em conta o seu e o perfil do governo. Foi conselheiro durante 23 anos da Sociedade Rural Brasileira, entidade que divulgou nota de apoio a Salles depois de ele ter dito que o governo deveria aproveitar a epidemia da Covid-19 para “passar a boiada”.

A expressão “passar a boiada” foi uma das marcas que ficou da reunião ministerial promovida pelo presidente Jair Bolsonaro em abril último. Com ela, o antiministro quis dizer que o momento seria o ideal para mudar regras de proteção do meio ambiente uma vez que a imprensa e a opinião pública só davam atenção à pandemia. Mudar regras para enfraquecê-las, naturalmente.

A criação da Secretaria da Amazônia foi anunciada há pouco mais de um mês em meio ao aumento da pressão internacional por conta do crescimento das taxas de desmatamento na Amazônia. Ela será encarregada de formular estratégias e políticas para prevenir o desmatamento e queimadas ilegais, recuperar áreas de vegetação nativa e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Em audiência, ontem, no Supremo Tribunal Federal, Salles e o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, minimizaram o desastre ambiental brasileiro. Heleno disse não haver “comprovação científica” de que a alta nos números de desmatamento e queimadas se deva à falta de ações do governo. Atribuiu as críticas à tentativa de derrubar Bolsonaro.

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O general bateu de frente com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que preside o Conselho da Amazônia. Em julho passado, Mourão reconheceu que o governo demorou pelo menos cinco meses a agir para evitar a catástrofe que hoje se vê. “Em termos de desmatamento, 2020 não será melhor do que 2019”, admitiu Mourão. E nada garante que 2021 não será pior.

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Heleno também bateu de frente com a Ciência ao classificar de “fenômenos naturais” as queimadas na Amazônia e no Pantanal. Uma nota técnica divulgada em agosto pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), órgão que estuda a região há 25 anos, mostra que a concentração de focos de incêndio na Amazônia não acontece em áreas já desmatadas da região.

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A nota informa que 30% do fogo registrado na Amazônia em 2019 foi incêndio florestal, ou seja, em área protegida. Outros 34% têm a ver com desmatamentos recentes. “Se não houve coibição pelo governo, então não houve efetividade no combate. E veja que 2019 nem foi um ano muito seco como este ano”, argumenta Paulo Moutinho, cientista sênior do Ipam.

Salles sustentou durante a audiência que o problema ambiental do Brasil decorre da falta de saneamento urbano. Cinismo puro, porque ele sabe que não é. Mais de 70% das emissões brasileiras de gases que provocam o efeito estufa, responsável pelo aquecimento do planeta, têm origem nas queimadas e no desmatamento. Salles, portanto, mente, e sabe que mente.

De tempos em tempos, fala-se que o antiministro do Meio Ambiente será mandado embora, e ele não vai. Serve aos interesses mais egoístas da ala mais atrasada do agronegócio que apoia Bolsonaro. Enquanto servir, e bem, não perderá o emprego.

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