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Corra: ainda tem lugar na cápsula que levará Jeff Bezos ao espaço

O preço da vaga leiloada já chegou a 2,8 milhões de dólares, mas a companhia do homem mais rico do mundo provavelmente vale muito mais

Por Vilma Gryzinski 8 jun 2021, 08h35

E se o foguete explodir? E se houver um acidente com a cápsula? Em suma, e se der tudo errado?

Com a autoconfiança – e o ego – de quem construiu a maior fortuna do mundo, Jeff Bezos é movido por sonhos sonhos, mas também se baseia em fatos. O foguete com uma cápsula que retornará à Terra de paraquedas já passou por 15 testes em voos não tripulados.

Pretende estar, em 20 de julho, no décimo-sexto, com seu irmão, Mark, e mais um passageiro ainda não definido. O lugar está sendo leiloado com fins beneficentes e, depois do anúncio de que Bezos estará no voo, passou a valer muito mais do que os 2,8 milhões de dólares do lance mais recente.

A companhia de Bezos não tem preço. Assim como o gostinho que o homem de 182 bilhões de dólares está sentindo de vencer a concorrência com os dois outros bilionários que investem no arriscado e caríssimo negócio dos voos espaciais: Richard Branson, da Virgin Galactic, e Elon Musk, da SpaceX.

Nem o mais prodigioso iate, o brinquedo preferido dos multimilionários, pode sequer fazer sombra à experiência de voar numa cápsula transportada por seu próprio foguete (não que Bezos dispense ter seu próprio barco, um quase transatlântico de 127 metros que está acabando de ser montado na Holanda).

Os visionários com quantidades de dinheiro sem precedentes na história são exatamente como eu e você, ao contrário do que dizia Scott Fitzgerald: começaram a sonhar com aventuras espaciais quando eram crianças. Bezos começou aos cinco anos. A diferença é que não parou mais.

Ter a maior “loja” do mundo, a Amazon, e o maior espaço de armazenamento virtual, sem contar pormenores como a própria rede de supermercados, a Whole Foods, uma frota de 70 aviões, o Washington Post e a recém-comprada Metro Goldwyn Mayer, não bastou para ocupar a mente de Bezos.

O desejo de aventura e de correr riscos físicos, um impulso que traz altas recompensas e muito frio na barriga, talvez tenha sido telegrafado quando Bezos começou a malhar a ponto de transformar o próprio corpo e chegar, agora, aos 57 anos, como um novo homem. 

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Depois apareceu, num escândalo  extraconjugal já absorvido, com Lauren Sanchez, a sedutora hispano-americana que pilota helicóptero e tem sua própria empresa de acrobacias aéreas para filmes. O divórcio custou 38 bilhões de dólares, um buraco amplamente superado.

Em fevereiro, Bezos anunciou que deixaria o posto de CEO da Amazon em julho – tudo já estava preparado para o voo suborbital com o New Shepard, o novo pastor. 

É uma aventura cara e curta: ficará apenas três minutos no ponto máximo a 100 quilômetros de altitude, a altura chamada de linha de Kármán, por causa do cientista americano de origem húngara que calculou onde acaba a atmosfera terrestre e começa o espaço.

O suficiente, ele já antecipa, para ver a curvatura da Terra e captar da maneira mais incontestável possível que o nosso planeta é um só.

Durante esses poucos minutos, Bezos será o homem mais rico da Terra e também de fora dela.

O patrono que arrisca a própria vida numa aventura de descobrimento é uma novidade da era contemporânea. Imaginem se a rainha Isabel resolvesse seguir nas caravelas de Colombo ou o infante dom Henrique embarcasse com os compatriotas portugueses que pioneiramente desbravavam a costa africana.

Os novos príncipes high-tech são infinitamente mais ricos do que a realeza ibérica e querem mais do que ouro para a coroa e glória a Deus. Depois de conseguirem tudo o que o dinheiro pode comprar, ambicionam não só deixar seus nomes gravados na história, como serem pioneiros da era da colonização do espaço. 

Quem comprar um lugar no voo de Bezos talvez vire um nota de a rodapé desse capítulo, o que já é mais do que consegue a grande maioria dos humanos. Só não tem seguro que cubra.

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