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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Indígenas pedem retomada das reuniões com governo e sobrevoo no Acre

Preocupação maior é com indios isolados que fizeram contato com outras etnias do Estado. Esses povos são os mais frágeis diante da violência do coronavírus

Por Matheus Leitão Atualizado em 18 ago 2020, 19h24 - Publicado em 18 ago 2020, 17h49

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu a retomada das reuniões com o governo, com a manutenção da decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmada pelo plenário da corte. Eles querem ainda um imediato sobrevoo no Acre, após 10 índios isolados terem contatado outras etnias do Estado.

O gabinete de crise foi criado após decisão da corte, que atendeu à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, ingressada pela Apib e seis partidos (PSB, PSOL, PCdoB, Rede, PT e PDT). A ideia era a de que a sala virtual se reunisse inúmeras vezes para debater a proteção dos índios isolados e de recente contato, os mais frágeis diante da violência do novo coronavírus. 

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O contato desse povo isolado com com a aldeia Terra Nova, onde vivem os Kulina Madiha, do Alto Rio Envira, gerou muita preocupação entre especialistas não só por conta do coronavírus mas porque essas etnias sem contato com a sociedade majoritária brasileira não possuem imunidade nem para uma simples gripe. 

Diante da situação no Acre, a Apib faz, no documento, esses dois pedidos para o governo Jair Bolsonaro:

Elaboração e acionamento imediato do Plano de Contingência para Situação de Contato e Surtos Epidêmicos do Alto Rio Envira e Rio Humaitá, entre Fundação nacional do índio (Funai), Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e indígenas;

Realização de sobrevoo de monitoramento nas malocas do Povo Isolado do Alto Rio Humaitá para análise de possíveis alterações nas formas de ocupação do território (sobretudo roçados e habitações) em virtude de possível contágio por doenças;

“Diante deste contexto, tendo em vista que a Sala de Situação fora instituída por decisão cautelar referendada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF n. 709, justamente, para tratar de questões emergenciais que envolvam tais povos, a APIB requer a imediata retomada das reuniões da sala de situação para tratar de tais situações”, diz ainda o texto da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

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