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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Indígenas do Vale do Javari pedem socorro por conta da pandemia

Etnias da região no Amazonas com o maior número de grupos isolados do mundo falam em descaso do governo e pedem a construção de hospital de campanha

Por Matheus Leitão Atualizado em 8 jun 2020, 14h39 - Publicado em 8 jun 2020, 14h00

Povos indígenas do Vale do Javari, terra no Amazonas com o maior número de grupos isolados do mundo, pediram socorro pela primeira vez desde o início da pandemia, em nota endereçada à sociedade brasileira e à comunidade internacional.

No documento, a coordenação da União dos povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava) trata da proliferação do coronavírus entre os indígenas, cita o enfraquecimento e o descaso dos órgãos públicos motivado “por uma política anti-indígena do governo atual” e pede providências como a construção de um hospital de campanha em Atalaia do Norte (AM) para atender aldeias.

A UNIJAVA é representante dos povos Mayoruna (Matses), Matis, Tüküna (Kanamary), Kulina (Pano), Korubo e Tsohom-Djapá. Segundo a coordenação, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Vale do Javari informou que existem três indígenas confirmados para a Covid-19. Além disso, mais 15 pessoas e cinco famílias na aldeia estariam apresentando sintomas semelhantes aos provocados pelo coronavírus.

Segundo a entidade, os testes disponibilizados são insuficientes e a constante presença de pescadores, madeireiros e caçadores ilegais na região, que faz divisa com o Peru, agravam os riscos dos moradores em relação à doença.

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“Com o enfraquecimento e o descaso dos órgãos públicos motivado por uma política anti-indígena do atual governo, as ações relacionadas a vigilância e saúde se tornam insuficientes para a complexidade do território”, diz o documento.

Os indígenas ainda citam outras doenças com as quais os índios precisam lidar, como malária, coqueluche e hepatites, e afirmam que a Covid-19 representa uma nova ameaça ao povo.

“Após uma longa história de dizimação, nós povos indígenas resistimos e nossa população aumentou. Atualmente, corremos o risco novamente de ser reduzidos por uma doença dos não indígenas”.

As etnias fazem outras exigências como esclarecimentos das autoridades sobre como o coronavírus entrou nas aldeias; disponibilização de medicamentos para o tratamento da doença e testes rápidos para todas as aldeias; instalação de barreiras sanitárias e locais de quarentena nos pontos de vulnerabilidade.

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