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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Delegado diz que Ramagem o levou para encontro com Bolsonaro

Depoimento foi prestado no âmbito do inquérito que apura se o presidente tentou interferir politicamente na PF. Policial foi superintendente no Rio

Por Matheus Leitão - Atualizado em 19 maio 2020, 19h00 - Publicado em 19 maio 2020, 18h11

O diretor-executivo da Polícia Federal, Carlos Henrique Oliveira de Sousa, afirmou, nesta terça-feira, 19, que recebeu uma sondagem do delegado Alexandre Ramagem para assumir a Diretoria-Executiva da PF quando o policial foi indicado para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. 

O depoimento foi prestado no âmbito do inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF, após as graves denúncias feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. Esse é a segunda oitava de Carlos Henrique Oliveira de Sousa no caso – desta vez, a pedido. O policial foi superintendente da PF no Rio.

No depoimento da semana passada, Carlos Henrique não deu informações sobre essa sondagem. O convite é importante para o inquérito porque revela o interesse de tirar o policial – até o então responsável pela superintendência da PF no Rio de Janeiro – da frente de todos os casos em andamento no estado.

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Ex-chefe da PF no Rio, posto que é o epicentro da investigação sobre a tentativa de interferência de Bolsonaro, o delegado também confirmou que Alexandre Ramagem o levou a um encontro com o presidente Bolsonaro, entre outubro e novembro de 2019. Não havia, segundo o Carlos Henrique, nenhum motivo específico para tal reunião. 

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Para diminuir a estranheza desse encontro, Carlos Henrique disse que o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo e Moro só não participaram da reunião porque estavam em um evento no Paraná, se não estariam juntos. Carlos Henrique ainda disse que, antes de ir ao encontro, avisou Valeixo, que o autorizou, e disse que Moro também estava ciente.

Carlos Henrique Oliveira de Sousa afirma, no depoimento, que não sabe de nenhum outro superintendente que foi convidado para uma reunião semelhante com o presidente da República. O delegado afirma não saber porque Ramagem o convidou para o encontro, e que a audiência não teve uma pauta definida.

Alexandre Ramagem teve a sua nomeação para a direção-geral da PF suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado avaliou que a designação dele – que é amigo dos filhos de Jair Bolsonaro – ao cargo poderia ferir o princípio da impessoalidade, que norteia o serviço público.

Primeiro depoimento 

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Em seu primeiro primeiro depoimento, Carlos Henrique Oliveira de Sousa afirmou que havia uma investigação sobre as declarações do porteiro do condomínio de Bolsonaro ainda em curso no órgão e que ela é sigilosa. 

A informação também é importante porque mostra que existe um inquérito relacionada à família Bolsonaro em andamento na PF do Rio, mesmo que seja para investigar se o porteiro mentiu em depoimento prestado no âmbito do assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em 2018. 

Bolsonaro já reclamou mais de uma vez afirmando para a imprensa que não existe investigação sobre ele ou a sua família em solo carioca. Como mostrou o Radar, o delegado também contradisse o presidente ao desmentir a versão de Bolsonaro de que a PF fazia sua segurança familiar e de amigos.

‘Questões de produtividade’

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No seu primeiro depoimento, Carlos Henrique Oliveira de Sousa afirmou ainda que o colega delegado Ricardo Saadi não tinha nenhum problema de desempenho para ser trocado do cargo.

Carlos Henrique Oliveira de Sousa foi escolhido no ano passado pelo então diretor-geral da PF Maurício Valeixo e teve o aval do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. Ele foi nomeado para comandar o órgão no estado após o seu antecessor, justamente Saadi, ser criticado publicamente por Bolsonaro. 

Em agosto do ano passado, o presidente afirmou que gostaria de trocar Saadi por “questões de produtividade” e sugeriu o nome de um terceiro delegado, Alexandre Saraiva, para o posto. Maurício Valeixo e Sérgio Moro não cederam e mantiveram a nomeação Carlos Henrique Sousa, pois isso já havia sido acertado internamente.

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