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Após ação do MPF, bancada do PV quer CPI para investigar Ricardo Salles 

Partido quer aproveitar pedido de afastamento do ministro, feito por doze procuradores, para coletar assinaturas necessárias para a instauração de comissão

Por André Siqueira Atualizado em 7 jul 2020, 14h03 - Publicado em 7 jul 2020, 13h48

A bancada do Partido Verde (PV) está se mobilizando para levar adiante um pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Na segunda-feira 6, o Ministério Público Federal (MPF) pediu o afastamento de Salles, acusado de “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”.

A coleta de assinaturas está a cargo do deputado federal Professor Israel (PV-DF). “A atuação criminosa dele é evidente, dentro de uma agenda intencional voltada para enfraquecer a legislação no nosso país. Salles é inimigo do meio ambiente”, diz o parlamentar. Os outros três deputados da bancada, Célio Studart (PV-CE), Enrico Misasi (PV-SP) e Leandre Dal Ponte (PV-PR), também assinam o pedido. Para que a CPI seja instalada, são necessárias 175 assinaturas.

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Esta não é a primeira vez que o PV tenta emplacar uma CPI para apurar a conduta de Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente. Em junho, duas semanas após a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual o ministro afirmou que a pandemia do novo coronavírus era uma “oportunidade” para o governo “passar a boiada”, o partido tentou coletar assinaturas, mas a iniciativa não prosperou. Desta vez, porém, a legenda espera que o pedido de afastamento feito pelo MPF dê peso político para a empreitada.

  • Na ação de improbidade administrativa assinada por 12 procuradores, o MPF afirma que “a permanência do requerido [Salles] tem trazido, a cada dia, consequências trágicas à proteção ambiental, especialmente pelo alarmante aumento do desmatamento, sobretudo na Floresta Amazônica”. “É possível identificar, nas medidas adotadas, o alinhamento a um conjunto de atos que atendem, sem qualquer justificativa, a uma lógica totalmente contrária ao dever estatal de implementação dos direitos ambientais”, acrescenta o texto.

    Como prova “explícita”, os procuradores listam a exoneração de três coordenadores da fiscalização ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, Renê Oliveira e Hugo Loss, que atuaram em ações contra o desmatamento na Amazônia em abril. Na visão do MPF, isso configurou uma “evidente represália ao sucesso das operações”.

    Como VEJA mostrou, a ação movida contra Salles prejudica o plano do governo de melhorar a imagem ambiental. Desde a última semana, o Planalto tem intensificado a ofensiva para melhorar a imagem do Brasil no exterior, sobretudo em relação à preservação da Amazônia, diante da ameaça de sanções econômicas e retirada de investimentos do país.

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