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Grandes empresas pedem a Mourão ação contra o desmatamento na Amazônia

Dirigentes de companhias como Itaú, Natura, Ambev, Suzano e Vale assinam carta ao vice, que virou o principal interlocutor no governo na crise ambiental

Por Redação - Atualizado em 7 jul 2020, 11h46 - Publicado em 7 jul 2020, 11h33

Na semana em que o vice-presidente Hamilton Mourão se reunirá com investidores estrangeiros, na quinta-feira, 9, para discutir ações contra o desmatamento na Floresta Amazônica, um grupo de empresários e representantes de entidades setoriais enviou uma carta ao general pedindo que o governo adote ações enérgicas para superar a crise ambiental. O documento afirma que a percepção negativa da imagem do Brasil no exterior pode impactar os negócios e trazer prejuízos econômicos concretos para o país e, portanto, é necessário haver o “combate inflexível e abrangente ao desmatamento ilegal na Amazônia e demais biomas brasileiros”.

A íntegra da carta foi divulgada pelo jornal Valor Econômico e simboliza mais uma tentativa de neutralizar o radicalismo adotado por Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente. Com canais de diálogo fechados com o ministro, representantes do capital privado viram Mourão como o interlocutor ideal no governo. O vice-presidente é coordenador do Conselho da Amazônia e passa aos empresários uma imagem mais sóbria e técnica do que Salles, identificado no exterior como porta-voz do negacionismo bolsonarista em relação à crise.

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Entre os signatários da carta estão executivos de bancos, como o Bradesco, Itaú e Santander, e de multinacionais, entre elas a Microsoft, Bayer, Shell e Siemens. Representantes de algumas das principais empresas brasileiras também assinam o documento, como Ambev, Natura, Marfrig, Suzano e Vale. Todos necessitam que o Brasil tenha uma boa reputação no exterior para não sofrerem boicotes de seus produtos, seja por parte de governos, seja pelos próprios consumidores estrangeiros. Na Europa, sobretudo, a preservação do meio ambiente é um tema sensível, tanto que as ameaças ao acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul são motivadas pela crise no Brasil.

A preocupação dos empresários tem aumentado porque o país está se aproximando do período em que as queimadas na Amazônia atingem o seu auge. Ambientalistas têm alertado que fatores científicos poderão agravar a devastação neste ano, já que a temperatura do Oceano Atlântico está mais elevada e influenciará diretamente na extensão dos incêndios. O governo brasileiro também vem dando sinais contrários com a política desenvolvida por Salles. Fiscais que coordenaram ações contra garimpos ilegais foram exonerados de seus cargos e um volume muito baixo da verba empenhada para conter as queimadas foi gasto pelo ministério até o momento.

Na segunda-feira, 6, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação pedindo o afastamento de Salles do Ministério do Meio Ambiente. Assinado por 12 procuradores, o documento atesta que o ministro cometeu ato de improbidade administrativa ao desestruturar de forma dolosa as estruturas de proteção ao meio ambiente. Segundo o MPF, a permanência de Salles traz, “a cada dia, consequências trágicas à proteção ambiental, especialmente pelo alarmante aumento do desmatamento, sobretudo na Floresta Amazônica”.

O MPF também criticou a atuação dos militares na Amazônia, dizendo que os fiscais do Ibama exonerados por Salles conseguiram resultados melhores do que as forças de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e “por um custo menor”. No entendimento dos procuradores, também constitui um ato de improbidade administrativa submeter o Ibama às Forças Armadas nas operações de fiscalização ambiental.

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