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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Leia a carta de Lula a Maduro e decida: o remetente lidera o campeonato nacional de cinismo ou o ranking mundial de idiotia?

ATUALIZADO ÀS 16H19 A violenta reação do presidente Nicolás Maduro às manifestações de rua promovidas pela oposição desde o começo de fevereiro já contabilizava 20 mortos quando Lula resolveu manifestar-se sobre o que vai pela Venezuela. Divulgada há poucos dias pelo destinatário, segue-se a carta que algum assessor escreveu e o remetente que nunca leu […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 04h09 - Publicado em 29 mar 2014, 17h19

ATUALIZADO ÀS 16H19

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A violenta reação do presidente Nicolás Maduro às manifestações de rua promovidas pela oposição desde o começo de fevereiro já contabilizava 20 mortos quando Lula resolveu manifestar-se sobre o que vai pela Venezuela. Divulgada há poucos dias pelo destinatário, segue-se a carta que algum assessor escreveu e o remetente que nunca leu um livro assinou:

Luiz Inácio Lula da Silva

Ex Presidente da República Federativa do Brasil

Ao Excelentíssimo

Presidente Nicolás Maduro Moros

São Paulo, 5 de março de 2014

Companheiro Presidente Nicolás Maduro:

Me dirijo ao senhor nesta data triste da República Bolivariana da Venezuela para oferecer meus votos de respeito e condolências pela morte do inesquecível e querido companheiro Hugo Chávez Frías, que hoje completa um ano.

Sempre estivemos juntos nas batalhas por uma América Latina mais justa e soberana, pela integração de nossas nações, pela construção de um continente independente e democrático.

Nas boas e nas más horas, na concordância e na divergência, Chávez era um grande amigo, um irmão de lutas e de sonhos.

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Ele saiu de cena jovem demais, levado por uma doença que combateu como um guerreiro. Mas seu legado será eterno. Sob sua liderança, a Venezuela rompeu com um modelo econômico e social que concentrava a riqueza nas mãos de poucos grupos e relegava a maioria da população à miséria e à pobreza.

Há 15 anos vocês percorrem o caminho do desenvolvimento com inclusão social, aprofundamento da democracia e distribuição da renda.

Ao longo dessa trajetória, enfrentaram crises e dificuldades que souberam superar por meio da participação popular, do respeito pela Constituição e da determinação de defender os interesses populares.

Jamais se distanciaram do caminho democrático e da soberania do voto. Talvez nenhum outro país, nas últimas décadas, tenha passado por tantas eleições e consultas nas urnas.

Mesmo quando tiveram que enfrentar forças dispostas a violar o regime constitucional, mantiveram seu compromisso com a paz e a legalidade.

Essas são algumas das conquistas e lições herdadas do companheiro Chávez.

Não tenho dúvida, companheiro Maduro, de que esse corpo de ideias e experiências constitui uma guia de conduta de seu governo e do povo venezuelano neste momento delicado de sua história.

Momento em que é necessário um diálogo com todos os democratas que querem o que é melhor para o povo. Apenas assim a Venezuela realizará o sonho de uma sociedade justa, fraterna e igualitária.

A melhor forma de honrar a memória do comandante que se foi é seguir adiante no rumo da paz, da justiça social e da democracia, da integração continental e da autonomia de nossos povos.

Nesta luta estaremos sempre unidos.

Deixo um abraço fraterno e saudações ao bravo povo venezuelano.

Resumo da ópera (que começa com um pontapé na língua portuguesa: “Me dirijo“) : Lula quer ser Chávez quando crescer, morre de saudade do bolívar-de-hospício, acha que a Venezuela bolivariana é uma democracia de matar de inveja um sueco e descobriu que a oposição sonha com a ditadura. Se jogou para a torcida que berra na arquibancada do lado esquerdo, é só o mais cínico dos ex-presidentes. Se a carta traduz o que pensa, nenhum chefe de governo da história foi tão idiota.

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