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Estranha no ninho

“Tem uma coisa muito estranha acontecendo com o lugar onde eu nasci. Eu nasci em Belo Horizonte”. Dilma Rousseff, sem explicar se existe mais alguma coisa estranha perturbando Belo Horizonte além da certidão de nascimento da Mãe do PAC.

“Tem uma coisa muito estranha acontecendo com o lugar onde eu nasci. Eu nasci em Belo Horizonte”.

Dilma Rousseff, sem explicar se existe mais alguma coisa estranha perturbando Belo Horizonte além da certidão de nascimento da Mãe do PAC.

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  1. Comentado por:

    Celso Arnaldo

    Augusto e amigos do blog
    Isto é devaneio de fim de tarde, numa redação ainda entorpecida pelo retorno recente de férias coletivas e insuficientes. Perdoem a extensão anormal do texto.
    Nos anos 80, autoexilado na redação da revista Manchete no Rio, Carlos Heitor Cony, paralelamente à sua missão “oficial” na editora — escrever a biografia de Juscelino em cinco volumes e os textos assinados por Adolpho Bloch nas publicações da casa — era escalado para cobrir casos policiais de relevo. Para ele, um divertimento – pois havia abandonado a militância editorialista e literária. Para a revista, um notável upgrade na abordagem de crimes de comoção social, como já tinham feito David Nasser e Edmar Morel no Cruzeiro, na geração anterior.
    Cony fazia a coisa à sua maneira. Comparecia de banho tomado à cena do crime e a distritos policiais, metido em slacks folgados e gostosas alpargatas, misturando-se silenciosamente a repórteres policiais cheios de cáries nos dentes e crases e cedilhas indevidas nas letras, os quais, de volta às respectivas redações, só conseguiam despejar no papel alcunhas de criminosos, endereços escusos, placas de automóveis suspeitos e declarações policiais do tipo “o meliante logrou evadir-se”.
    Cony era a antítese do repórter policial clássico. Nada perguntava, nada gravava, nada anotava. Era só ouvidos, olhos astutos e sátiros. Com essa matéria bruta de pura observação crítica, esculpia com bossa e verve literária uma versão diferenciada do crime, sempre baseada nos entornos e contornos do caso, não nos fatos banais, já amplamente divulgados pelos jornais. Foi assim com os célebres Caso Lu e Caso Cláudia, ambos transformados em séries de reportagem na Manchete e, posteriormente, em livros por ele assinados.
    Um dia escalaram Cony para vir a São Paulo, terra de crimes mais cerebrais. Havia sido preso pelo DOPS paulista, depois de anos de golpes espetaculares, aquele que foi considerado o maior falsário brasileiro de seu tempo — Valmir Azevedo, estelionatário de alto QI e ainda mais alta periculosidade, que se apresentava às vítimas com 11 caras diferentes. Coisa de filme.
    O jovem chefe de reportagem da revista em São Paulo preparou o terreno, agendando a entrevista. O nome de Cony então já abria portas no DOPS – ao contrário de um passado recente, quando as fechava, de preferência com ele dentro. Assim que chegou, Cony foi paparicado pelos delegados do órgão, provavelmente leitores críticos dele da fase subversiva de “O ato e o fato”, “Informação ao Crucificado” e do genial “Pilatos”. Depois dos salamaleques protocolares, mandaram imediatamente trazer Valmir do calabouço, à presença do jornalista.
    O supervigarista, com sua cara própria de bancário inofensivo, chega algemado, de cabeça baixa, e é colocado diante do repórter. Levanta ligeiramente os olhos, percebe quem seria seu inquisidor, e, novamente cabisbaixo, murmura com firmeza:
    – Pra esse, não falo.
    Os policiais sabiam que não adiantava insistir — Valmir não falaria mesmo, talvez conhecesse Cony e temesse um retrato cáustico, iconoclasta, a seu estilo. Tiveram de aceitar o silêncio do criminoso – que, aliás, nem fora fisicamente tocado em sua temporada naquela repartição: não se abriria nem sob tortura. Cony não tentou convencê-lo, também não disse palavra.
    Os policiais devolveram Valmir ao calabouço, visivelmente chateados – gostariam muito de ter sido citados numa matéria assinada por Carlos Heitor Cony na revista Manchete sobre a prisão de Valmir, um troféu para toda a polícia paulista. Com a recusa à entrevista, certamente a matéria estava cancelada. Um dos policiais jurou ter visto um sorriso de vitória no rosto impenetrável de Cony – sósia perfeito do filósofo Martin Heidegger – quando o bandido se negou a falar. O fato é que Cony agradeceu a gentileza, despediu-se dos tiras, fez meia volta e embarcou sem mais delongas para o Rio. Sem a entrevista. Mas com uma grande matéria.
    Voltando à redação, sentou-se à máquina e, febrilmente, produziu oito laudas de 24 linhas – naquele tempo, um texto jornalístico se media em laudas (algo como 1.500 toques cada uma). Um texto grande, denso, caudaloso, no qual ele descreve seu encontro de 30 segundos com o falsário, sua recusa em falar, o cenário sombrio do DOPS paulista de triste memória e a frustração dos delegados — mas não dele, já que Cony sempre dava graças a Deus se o entrevistado não falasse ou falasse pouco.
    Na matéria, publicada em Manchete na semana seguinte, Cony justifica essa ojeriza ao blá-blá-blá com exemplos de matérias recentes, feitas por ele nessa fase de repórter de campo, quando entrevistados verborrágicos falaram sem parar, sem nenhum proveito. Cita o caso de um general franquista, preso na Espanha liberada, que desembestou a se defender por quase seis horas – das quais Cony acabaria usando no texto apenas uma interjeição: “Por Dios”.
    Enfim, a matéria do Cony sobre Valmir Azevedo era uma pequena obra-prima, radical, do New Journalism à la brasileira. Mas o mais marcante –até hoje – foi o título que Cony deu à reportagem:
    UMA ENTREVISTA DE MENTIRA COM UM FALSÁRIO DE VERDADE.
    Sempre que falo sobre coleta de informações a estudantes de jornalismo ou jovens jornalistas, resgato esse episódio como exemplo modelar de que o chamado jornalismo transcricional, centrado exclusivamente na reprodução da fala dos entrevistados, nem sempre é o único ou o melhor modo de se conduzir uma matéria, sobretudo na política. Políticos, em geral, não têm nada verdadeiro ou interessante para dizer – Jânio foi a última exceção, não pelo que falava, mas pela forma de dizer, sempre extraordinária. Já uma entrevista literal com Sarney é, e sempre será, lixo da história – a menos que seja desconstruída frase a frase, como fazemos aqui.
    Relembro sempre essa matéria do Cony não só porque o jornalismo transcricional também não me agrada, como pelo fato de que o jovem chefe de reportagem da Manchete em São Paulo que agendou a não-entrevista para Cony era eu.
    Peço licença a Cony, mas sempre que Dilma Rousseff abre a boca — e o desastre começa a se esboçar já na primeira frase — penso imediatamente num título alternativo:
    UMA ENTREVISTA DE VERDADE COM UMA CANDIDATA DE MENTIRA.
    Por outra, fico pensando o seguinte: se o Cony intolerante daquele dia do general franquista ouvisse Dilma durante seis horas, quantas palavras realmente aproveitaria?
    Abraço
    Celso Arnaldo
    Excelente, amigo. Teu espaço aqui é ilimitado. Celso Arnaldo é grife da coluna. abração, Augusto

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  2. Comentado por:

    Reynaldo

    Pópara, sr. Nunes!!!! Pópara!!!! Tás de sacanagem!!! Já existem milícias à postos para impedir a entrada desta senhora (putz!) pelas diversas fronteiras de Minas Gerais! Ôce tá atiçando o povo montanhês! Nós é calmo, mas num é besta!!! Mais um pouco chamamos nosso Marcehal-de-Campo-Praças-e-Avenidas (Itamar O Franco!) para colocar as tropas na rua!!! Aceitamos ITAMAR (nascido nas costas da Bahia, em um navio!). Mas não podemos aceitar que na terra de Guimarães Rosa (“Se muito vale já feito,mais vale o que será!” Te cuida, CANALHA!) ANTAS queiram certidão de nascimento! THUYA: postei um comentário para vc, em outro post do Sanatório! (creio que o d Pimentel.) Alivia o Santa Dorotéia! Pelas razões que lá explico. Abraços.

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  3. Comentado por:

    Lia

    No momento, nada de estranho está acontencendo em Belo Horizonte.
    Aconteceu quando, há mais ou menos 60 anos (sabe-se lá se a idade é essa mesma) o ET de Varginha, em sua primeira aparição na Terra, abandonou sua cria naquela cidade.
    Hoje ela anda para cima e para baixo com “o cara” e já dizem que ela é a cara “do cara”.
    Quem sabe o pai da criaturinha, ao saber do seu retumbante sucesso e um tanto quanto enciumado, leve-a de volta ao seu planeta de origem.
    Socorro, ET. Toma que a filha é tua.

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  4. Comentado por:

    f tavares

    é bússola desajustada, por influência das montanhas de minério de ferro em torno de beagá… a musa do stalinismo farofeiro está à vontade na campanha, doidona, se perde no discurso, troca a lógica das frases que devia ter decorado, segue sem dizer coisa-com-coisa, demonstra que está em perfeita sintonia com o presidente só-mais-uma… vai morrer no ninho, não passa do primeiro turno.

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  5. Comentado por:

    Antonio Machado

    Prezado Augusto, se por acaso esta história da madame ter nascido em Belo Horizonte colar, eu já tenho uma boa desculpa: ainda bem que nasci no norte de Minas, sou baianeiro. Mas, talvez, ela tenha alguma razão; tem coisa muito estranha acontecendo na cidade. Dois luminares do petismo mineiro estão às turras – o deputado Virgílio Guimarães, que dispensa nova apresentação – e a ex-deputada Sandra Starling (esta foi Secretária Geral do Ministério do Trabalho, no início de 2003 e saiu por causa de uma estranha patifaria, já naquela época; o ministro era o Jaques Wagner e o quiproquó deveu-se a uma sem-vergonhice ligada a terceirizações para o Ministério). Provavelmente este foi o primeiro e não explicado escândalo do governo Lula da Silva. Pois não é que, ontem, a defenestrada ex-deputada cismou de questionar a candidatura de dona Dilma? Sei não, prezado Augusto, debaixo deste angu tem carne. Sandra Starling saiu mudinha, mudinha do cargo de vice-ministro, com o rabo entre as pernas caninamente, sem jamais explicar de público as razões da sua queda. E, tal qual a tia do conde de Abranhos, tomada de um furor tardio, porém, irresistível, faz-se de espoleta para colocar em xeque a escolha de dona Dilma como candidata presidencial, reivindicando participação democrática do partido no processo de indicação. Esquisito, muito esquisito… conforme diria a doutora Dilma. Abração.

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  6. Comentado por:

    Thuya

    Adoro ler o Celso Arnaldo. Ele envolve a gente na “trama” que descreve e você sente o peso das palavras. Tipo a “batida do pente” , quando você, digo eu prendo a linha. Quando eu digo “trama” é porque sou tecelã. Urdir e tramar são minhas armas. E a “batida” do pente, é claro. Hahah Ficou poético.
    Brilhantes vocês dois. Nós temos muita sorte de podermos do lado de cá expressar o que sentimos, quando lemos o que os dois escrevem. Né não, gente?

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  7. Comentado por:

    Memyself

    Tem alguma coisa estranha acontecendo na cabeça da Dilma.

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  8. Comentado por:

    Celso Arnaldo

    Thuya, das 8h45, mas primeira e única:
    Ah, então é você?
    Muito obrigado, querida, por sua paciência na leitura e carinho nos comentários.
    Abraço

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  9. Comentado por:

    Genaro

    A senhora nasceu em Belo Horizonte acidentalmente. Daqui saiu voluntariamente. Felizmente para nós. Também achamos que tem uma coisa muito estranha acontecendo aqui: a senhora. Aconteça noutro lugar, por gentileza.
    Colegas comentaristas, alguém se lembra de um outro caso em que um sujeito tenha que ficar insistindo que nasceu num lugar e que os locais declarem que não gostaria que assim fosse?
    Polêmicas à parte, Dilma, por favor nos deixe em paz.

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  10. Comentado por:

    nei moreira

    Augusto:
    Como diria aquele cel. do Nordeste, aquele de familia grande , de muitas ongs, fundações, de bigodes grandes e pintados, cabelos também; no ápice de sua fabulosa carreira, agora como galã de novelas , dando beijos cinematrograficos em senadora de Santa Catarina ou beijando as mãos da candidata lembrando cenas inesqueciveis de “O vento levou”.
    … Olhe minha cara do cara, as coisas estão difìceis…

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