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Carlos Alberto Sardenberg: É tudo culpa da Lava Jato

Publicado no Globo “Isso deve ser coisa daquele juiz brasileiro” — foi o comentário ouvido em rodas de conversas no Panamá, nesta semana, quando estourou o caso dos “Panama Papers”. O tal juiz, claro, só pode ser Sergio Moro, bastante conhecido no país por causa da Odebrecht. Quer dizer, por causa da prisão de Marcelo […]

Publicado no Globo

“Isso deve ser coisa daquele juiz brasileiro” — foi o comentário ouvido em rodas de conversas no Panamá, nesta semana, quando estourou o caso dos “Panama Papers”. O tal juiz, claro, só pode ser Sergio Moro, bastante conhecido no país por causa da Odebrecht. Quer dizer, por causa da prisão de Marcelo Odebrecht, ali reconhecido como o dono da maior companhia da América Latina.

Eu estava por lá, em visita particular, quando da prisão. O pessoal parecia estupefato. Preso em uma cela comum? — espantavam-se desde executivos nacionais e estrangeiros a motoristas de Uber.

A empreiteira tem obras importantes por lá — aliás, discute com o atual governo uma revisão nos planos e custo do aeroporto — e é o “mecenas” número um do principal museu local, um magnífico prédio do arquiteto Frank Gehry.

Tudo isso apanha o Panamá num momento especial. O escritório Mossack Fonseca ganhou muito dinheiro com a condição de paraíso fiscal de que o país desfrutou durante anos a fio. Formou-se, e ainda trabalha por lá, uma expressiva comunidade de executivos financeiros de várias nacionalidades.

De uns tempos para cá, quando os Estados Unidos, a União Europeia e instituições internacionais, como o FMI, iniciaram a guerra contra o dinheiro sujo que alimenta a corrupção, o tráfico de drogas e o terrorismo, o Panamá foi apanhado no contrapé. Aquilo que era vantagem competitiva — o paraíso fiscal — tornou-se um peso, um pecado que passou a espantar empresas e capitais.

Para resumir, o atual governo, do presidente Juan Carlos Varela, aplica um programa de desmonte do paraíso fiscal. Já conseguiu aprovar uma legislação restritiva, chancelada pelo FMI, e faz uma campanha interna alertando que lavagem de dinheiro é crime e deve ser denunciada. A operação não é simples, entretanto. O governo quer banir a lavagem, mas pretende que o Panamá permaneça como um “hub” financeiro para a América Latina, isso incluindo Miami.

Nessa hora, aparece o caso do escritório Mossack Fonseca. O sócio Ramon Fonseca é da mais alta elite panamenha. Além de advogado, é escritor (romances, novelas) e político. Não tem Lava Jato no Panamá, mas a elite local ligada aos velhos hábitos, digamos assim, entra na alça de mira internacional.

É claro que não foi o juiz Sérgio Moro que deflagrou a operação “Panama Papers”. Mas a Lava Jato, se não passou, vai passar por esse canal. E isso explica por que o pessoal do Panamá chega a imaginar que era tudo coisa “daquele juiz brasileiro”.

A Lava Jato, simbolizada em Moro, é parte de um fenômeno mundial — a campanha policial e jurídica em busca das quadrilhas que promovem ou participam da lavagem de dinheiro. Não se trata só de mais uma operação.

Na última segunda, o WhatsApp brasileiro passou a exibir a informação de que as mensagens agora são criptografadas “de ponta a ponta”. Quando tratamos disso na CBN, muitos ouvintes perguntaram: é coisa da Lava Jato?

Não, claro, mas de certa forma… Trata-se de um reforço na privacidade. Criptografadas, as mensagens não podem ser lidas nem pelo WhatsApp, nem por terceiros. Quer dizer que não podem ser grampeadas?

Não vai demorar muito para termos aqui um caso parecido com o FBI x Apple, quando a agência queria que a companhia quebrasse o código do iPhone de um terrorista. Não é de se esperar que um juiz brasileiro acabe pedindo que o WhatsApp quebre a criptografia para apanhar um suspeito? Ou, se o próprio pessoal da Lava Jato, com autorização do juiz, quebrar a criptografia e captar conversas suspeitas, essa prova terá validade nos tribunais?

Notem: o uso de uma tecnologia de informação de ponta é parte essencial das operações tipo Lava Jato no mundo todo. São eficientes e rápidas. Talvez pela primeira vez no Brasil uma operação anticorrupção seja mais capaz do que a própria corrupção. Ou ainda: tem uma capacidade de gerar provas muito mais intensas do que a habilidade dos advogados e seus clientes de oferecer explicações e defesas.

Por isso a Lava Jato é celebrada — de Curitiba ao Panamá —, mas por isso também assusta um determinado público, nos mesmos lugares. Há movimentos nos meios políticos brasileiros para restringir a legislação anticorrupção, assim como, aqui incluindo os meios jurídicos, tentativas de limitar a capacidade da Lava Jato de buscar e produzir provas.

Conseguirão?

Talvez consigam atrasar o processo. Mas imaginem a repercussão — mundial — de uma tentativa de cortar os braços de Moro.

E para encerrar com uma ironia: sabem qual o segundo sobrenome de Rafael Fonseca? Mora.

Quase.

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  1. Comentado por:

    Oliver

    QUEM É O INIMIGO?
    O Brasil espera ansiosamente paciente saber se tem ou não justiça nesta terra de covardes prontos. Saber se o poder imperial do executivo vai dobrar, com suas compras de almas ralas e compadrios, os outros dois poderes desta república de bananas da terra. Saber até onde as instituições foram aparelhadas e por quem, efetivamente. A conta a gente já sabe quem paga. Vocês já viram dois idosos brigando? É mais ou menos por aí. Eles se enfrentam, na parca adrenalina que ainda lhes restam, tremulam um em frente ao outro, ameaçam com o “eu vou lhe dar um soco” repetido inúmeras vezes, de ambas as partes até que, numa explosão de sentimentos e artrites sublimadas, sai o primeiro – e único – sopapo da contenda, que acaba por derrubar os dois oponentes, até serem devidamente apartados e resgatados pela equipe de cuidadores do local. Para quem acha que minha comparação é de humor negro, há até na internet um site que compila exatamente este tipo de contenda, meus caros. Briga de velhos idosos, se entendem meu pleonasmo. É só ter olhos para enxergar e curiosidade para suportar o que será visto. Igualzinho no Brasil – onde a política está irremediavelmente velha – e aguentar esse relativismo, essa vontade de roubar o próximo – e o distante – essa inveja latejante do mérito alheio e essa ignorância elevada ao estado de arte, concorrem todas para o não entendimento do barranco em que nos penduramos. O Brasil precisa entender quem é o inimigo. Não é só aquela jamanta estacionada no Planalto, ou aquele simulacro de ditador, comprando no bacião das sombras a consciência manca dos legisladores restantes. O inimigo é uma mentalidade, incrustada como cracas em navios por todo lado e até em nossos próprios julgamentos. Tem gente que, num desentendido e inocente ” vamos zerar o jogo” e passar uma borracha nessa miséria toda, acha mesmo que podemos jogar nossa Constituição no lixo – e não nossos políticos, como o fizeram os ucranianos – e começar tudo de novo, embora todos os atores sejam os mesmos e a política a ser professada rigorosamente a lesma lerda que tanto já nos assaltou, nos últimos tempos. Não chega? Vejo com bons olhos que movimentos espontâneos da sociedade surjam com esse vigor e consistência – MBL e o VEM PRA RUA, entre outros – dispostos a se fazerem representar nessa seara de partidos de aluguel, sindicatos de borracha, organizações não governamentais penduradas nas tetas do governo e franjas e rabos dos mais diversos, a fingirem-se de “representações sociais” que não representam nem o próprio traseiro. Pena que a imprensa que não imprensa ninguém ainda não entendeu, porque não interessou entender, o que significa ser trocada pelas redes sociais como legítima consciência e opinião pública. Vai amargar os destinos dessa troca em breve. A república da mortadela tem que acabar, meus caros. Se ceifará juízes, administradores, opositores, agentes e militantes desse regime de picaretas pouco importa. Não há bandidos a estimar, quando bandidos são. Vão te roubar de novo, assim que voltarem de suas curtas temporadas nessas cadeias, que só provam que o crime vem compensando por aqui, até aqui. O juiz Sergio Moro, para mim e para milhões de brasileiros, é um exemplo de que ainda vale a pena enxugar esse gelo quando bons são os propósitos da causa em andamento. Limpar o país. Desinfetá-lo dessa sujeira. Eu já teria abandonado este país à própria sorte faz tempo. Desde o tempo em que votaram no hipopótamo Cacareco para deputado. Eu faria um cercadão no Congresso e botava o animal lá, junto da jaula do Macaco Tião. Não era a vontade soberana do povo? Despacha lá com eles. Seria didático. Capaz de serem mais inofensivos que todo esse bando de jagunços que elegemos, irresponsavelmente. Com certeza não nos roubariam com essa tamanha desfaçatez e dissimulação. Olhe-se no espelho hoje, cidadão. A depender do que você quer para o Brasil, o inimigo pode ser você mesmo. Tasca um sopapo nele. Acorda, ancião. A briga acabou. Levanta. Otário.

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  2. Comentado por:

    cidadãos em ação

    1-VAMOS PRA BRASÍLIA! 17/04
    2-No impeachment de Collor foram por volta de 1 milhão de pessoas, multidão lotando de frente do Congresso até a rodoviária do Plano Piloto em Brasília. Precisamos de mais, o momento atual é muitíssimo mais grave, falência
    3-Em Israel, salvo engano, todos os homens e mulheres, prestam serviço militar por dois anos, nosso serviço militar ou civil, cívico-patriótico é ir para Brasília.
    17/04- Nossa Meca , nosso dia de amor à pátria, nosso dia de lutar por um Brasil para deixarmos de herança para nossos filhos, sobrinhos, netos, crianças brasileiras.
    Nós somos responsáveis e o momento de agir é agora!
    4-Pessoal procure na sua cidade, tenho certeza que tem muitos ônibus disponibilizado, até de graça, está faltando gente… temos que ir p/ trincheira da democracia em Brasília no dia da votação do impeachment pela câmara. Vá. leve seus parentes, amigos, contatos, mobilize-se .É crítico, O MOMENTO É AGORA. Deixar a pátria livre do comunismo, do islamismo radical, do vermelho, da incompetência e da falência econômica e moral! Por você, pela nossa nação, pelos filhos e netos.
    DIVULGUEM, interajam, convidem todos- conhecidos ou desconhecidos- pessoalmente ou virtualmente, compartilhem, onde quer que estejam, no trabalho, na rua, na feira, no bar, no comércio, na família, convidem todos…
    5-Alguns facebooks de movimentos de rua verde-amarelos:
    https://www.facebook.com/mblivre
    https://www.facebook.com/VemPraRuaBrasil.org/
    https://www.facebook.com/revoltadosonline
    https://m.facebook.com/Manifestantegooficial/
    “Mas, se ergues da justiça a clava forte
    Verás que um filho teu não foge à luta
    Nem teme, quem te adora a própria morte
    Terra adorada!”

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  3. Comentado por:

    cidadãos em ação

    1-“Eis as consequências da manutenção de Dilma na presidência. Falência geral do Brasil!! Emprego zero, alta do dólar, queda da bolsa, inflação de dois dígitos como nos anos 80 e 90, preços na estratosfera, greves generalizadas, falta geral de produtos em supermercados, filas em todos os locais possíveis e imagináveis, invasões de terras, de fazendas, de casas, de apartamentos no guarujá, de sítios, violência nas ruas, nas escolas, nas creches, nas universidades, assaltos, roubos, homicídios, estupros à luz do dia etc etc etc. Melhor afastar a Dilma e evitar tudo isso!!” (antipetista)
    2-Ricos, pobres, remediados, os na penúria; empregados, desempregados; homossexual ou heterossexual; religioso ou ateu; branco, preto, colorido ou misturado; homem, mulher; do campo ou da cidade… não importa. Somos unidos, somo unos, somos todos brasileiros, patriotas, somos todos UNIDOS E SOLIDÁRIOS PELO nosso país, pela nossa terra, pela nossa gente, pela nossa cidadania, pela nossa nação, pelo nosso país, Brasil! Contra o comunismo, a falência econômica e moral! Contra os band idos que não querem sair do poder! Por nós e as futuras gerações! VAMOS PARA BRASÍLIA!

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  4. Comentado por:

    Ricardo

    Estava na Rep Dominicana na época da prisão do Marcelo Odebrecht e as reações eram as mesmas que descreveu.
    A construtora fez uma estrada entre Santo Domingo e Punta Cana que fez com que o valor do pedágio fosse multiplicado por 20! Então imagine a felicidade do povo quando falava que o dono daquela empresa que lhes surrupiou uma graninha extra estava preso.

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  5. Comentado por:

    G Carvalho

    Belo texto. Merece ampla divulgação.
    Sergio Moro é, sem favor, nome internacional. Alguns dos lustrosos gatunos que ele e sua equipe têm mandado para o xilindró são conhecidos também. Mas, é claro, por motivos muito diferentes.
    Ladrão é ladrão. São Dimas se arrependeu antes da morte, tratando de devolver o que surrupiara. (É o que afirmam os crentes). Foi para o Paraíso. Não para um paraíso fiscal qualquer, como Delaware, Wyoming, Jersey ou Panamá. Mas o dos fiéis.
    Sergio Moro surfa, eficazmente, a onda internacional de combate aos bandidos que oprimem o contribuinte honesto, aos mafiosos que promovem a circulação ilícita de drogas e armas, assim como aos novos e velhos terroristas. O Juiz se afina, portanto, com o mérito e a modernidade ao se opor ao atraso.
    Atrasados são os políticos, burocratas e empresários larápios, além dos traficantes e terroristas em geral. A todos, a lei, sem cuja aplicação não há democracia.

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  6. Comentado por:

    ps

    Os panamenhos já se esqueceram da peia que levaram dos EUA, quando inclusive o ídolo noriega, foi capturado, condenado e levado preso por mais de vinte anos. Agora, ao que parece, querem tomar outra coça devido as traquinagens e roubalheiras…Seria culpa do FHC ou do luladrão-xxx?

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  7. Comentado por:

    CARLOS ALBERTO CASTRO MARTINS

    Sendo assim já tenho a solução. Transfere o juiz Moro para a Comarca do município de Graça Aranha no Maranhão. Antes retirem todas denuncias existentes contra PT-PMDB, libera Zé Dirceu, re nomeia Lobão para MME e seu filho Lobinho como suplente, pra não dizer que não vai mudar nada, chama Sarney para Ministro da Casa Civil – (Ele está correndo riscos, não tem imunidade).Vacary no BNDES, tragam de volta pra Petrobras Sérgio Cabrielle, Eduardo Cardoso para STF, Chico Buarque para cultura…..etc….
    Carlos

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  8. Comentado por:

    nilson ferreira da costa

    Já diziam que pimenta no olho dos outros é colírio.

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  9. Comentado por:

    gemeli

    Ramon ou Rafael Fonseca?

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  10. Comentado por:

    maria-maria

    Não consigo ser otimista quanto à manutenção da Lava Jato que mira a bandidagem altamente protegida. É verdadeiro milagre que Moro e sua equipe tenham chegado até o ponto atual. A chefa-governanta pede a cabeça (e o restante) do valoroso juiz, o sinistro da justiça(?) ameaça-o diuturna – e noturnamente -, as cortes ínfimas não escondem sua abjeta subserviência ao amo e senhor, a bandidagem da seita diabólica está atuante por seus sequazes: mst, une, mtst, cnbb.

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