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Repito: o WhatsApp (e o Facebook) tem, sim, de ser punido. E há solução para acabar com essa história de repetidos bloqueios do app

Neste blog já falei bastante dos casos de bloqueio do WhatsApp. Não repetirei o que já foi escrito, como exemplo: neste link confira sobre como bandidos usam o serviço para a prática de delitos (com referência a esta reportagem de Veja); neste outro, detalhes de uma história anterior; e, aqui, mais um caso similar. Agora, falarei […]

Neste blog já falei bastante dos casos de bloqueio do WhatsApp. Não repetirei o que já foi escrito, como exemplo: neste link confira sobre como bandidos usam o serviço para a prática de delitos (com referência a esta reportagem de Veja); neste outro, detalhes de uma história anterior; e, aqui, mais um caso similar. Agora, falarei de dois pontos pertinentes à notícia de hoje (dia 19).

Primeiro, o excesso de desinformação sobre essa pendenga
Ao abrir hoje o Facebook, ou qualquer outra rede social, há muita gente reclamando da interrupção do WhatsApp, pedida por uma juíza do Rio de Janeiro. Você pode ser contra o bloqueio? Claro que sim. Eu, aliás, já declarei achar excessiva essa punição, por haver outras formas da Justiça multar o Facebook e o WhatsApp (como ao mirar no bolso da empresa, congelando suas contas bancárias no país). O problema está nos argumentos mais comuns contra o bloqueio. A eles:

– Derrubar o WhatsApp seria o mesmo que acabar com o serviço de uma operadora de telefonia apenas porque criminosos usam celulares para vender drogas, armas de fogo, ou algo que o valha
A falha do argumento: quando a Justiça demanda o grampo de um número de telefone, ou a quebra de sigilo do mesmo, pela suspeita de um crime cometido por meio desse recurso, as empresas cumprem com esse pedido, o que acaba por afetar tão-somente quem está sendo investigado (não os tantos outros clientes). No caso do WhatsApp, pede-se o mesmo, por informações de uma conta específica, de um indivíduo (ou de um grupo de criminosos). Contudo, a companhia se recusa a passar esses dados. Apenas por isso há o bloqueio do aplicativo, como forma de punição.

– A atitude da Justiça prejudicaria 100 milhões de usuários brasileiros
A falha do argumento: as pessoas não estão impedidas de se comunicar, de se expressar, de falar o que for. O único afetado pela decisão judicial é o Facebook, dono do WhatsApp. Quem utiliza o aplicativo pode recorrer a outros meios de comunicação (inclusive, ao Messenger, do próprio Facebook). Ou seja, é besteira pensar que os tais 100 milhões foram realmente prejudicados.

– O bloqueio seria um atentado à liberdade de expressão
A falha do argumento: o erro é similar ao do ponto acima. Mesmo que alguns juízes tentem utilizar o caso, e essa desculpa, como forma de se promover, o argumento é falho. A Justiça não está censurando os usuários do WhatsApp. Ninguém está impedido de espalhar suas opiniões (inclusive, as contrárias ao pedido judicial). Qualquer um pode se manifestar, sobre o que for, na internet, ou nas ruas. Ou seja, não houve agressão à liberdade de expressão. O que ocorreu é (e só isso) o impedimento de um serviço. E ponto. Vamos ser sinceros: a grande maioria que se revolta contra o bloqueio só pensa no próprio umbigo, visto que daria “trabalho”, por exemplo, passar a dar bom dia pros familiares por telefone (ou, o que se torna cada vez mais raro, presencialmente), no lugar de fazer o mesmo por um grupo no “zapzap”.

– Esse tipo de discussão só ocorreria no Brasil, um paisinho “de terceira”
Pura mentira. O WhatsApp não aceita colaborar com investigações na Europa, e cogita-se até a expulsão da empresa de países como a Itália, como já relatei em posts anteriores. Nos Estados Unidos, o governo briga com o Facebook para que sejam fornecidas informações de delinquentes, principalmente de suspeitos de terrorismo, que usufruem do programa. No fim deste ano, deve começar a ser aplicada uma lei americana que exigirá essa colaboração (espera-se para ver como o WhatsApp reagirá ao governo dos EUA; será que encarará da mesma forma que faz no Brasil?).

O segundo ponto que abordarei: como solucionar o caso
Há um problema claro: o WhatsApp é, sim, utilizado por criminosos de toda sorte, como pedófilos e traficantes de drogas, para cometer delitos. Eles recorrem ao aplicativo justamente por se sentirem protegidos nele. Quem defende que a Justiça não pode ter acesso a informações que possam levar à captura desses indivíduos está, sim, se posicionando ao lado desses mesmos indivíduos, protegendo-os.

Mas como resolver o caso? Como foi discutido nesta reportagem de VEJA (abra o link para saber mais), o ideal seria achar um meio-termo.

Não se engane com releases espalhados pelo Facebook, dono do app. Há formas técnicas de se grampear uma conta do WhatsApp (como a de um suspeito de um crime) ou de resgatar dados de usuários específicos. A empresa dona do programa só não quer implementar esses recursos porque tal atitude demandaria gastos e a repercussão poderia não ser positiva pelo ponto de vista comercial. Ao adotar a atual atitude intransigente frente a demandas judiciais, acaba-se forçando o bloqueio do serviço. O Facebook sabe que sua escolha levou a essa decisão da Justiça.

Em outras palavras: os usuários honestos só são prejudicados porque a companhia que é proprietária do WhatsApp optou por não colaborar com investigações policiais. Se ela trabalhasse ao lado da Justiça, como fazem todas as outras empresas (como as operadoras de telefonia), os usuários brasileiros não estariam por aí enfezados, gritando, reclamando. O único afetado passaria a ser o bandido que utiliza o aplicativo. Ou seja, os únicos culpados pela situação são o WhatsApp e o Facebook (para lembrar mais uma vez: o dono desse app de troca de mensagens).

Conclusão: O WhatsApp (e o Facebook) tem se posicionado acima da lei (e como privilegiado, diante de outras empresas, inclusive concorrentes). Para ele, pouco importa a legislação, seja ela a brasileira, a americana ou a europeia. O WhatsApp acredita que só ele deve ter o poder de determinar o que vale, e o que não vale, no jogo virtual em que está metido. Isso, sim, é uma atitude autoritária. Do tipo “eu sou melhor que todo mundo”. Não a da Justiça, que apenas tem procurado impedir que criminosos continuem a utilizar o app para promover atos que acabam por, aí sim, prejudicar a todos os brasileiros.

Para acompanhar este blog, siga-me no Twitter, em @FilipeVilicic, e no Facebook.

Comentários
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  1. Comentado por:

    Zilda Barros

    Poque porque em vez de tirar eles não bloqueia Sá cadeias

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  2. Comentado por:

    Bruno Bianchi Paganini

    Que burro!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… Da 0 pra ele.

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  3. Comentado por:

    Loe

    Não compartilhe esse link nas redes sociais. Pessoas como essa devem permanecer num link esquecido dentro de um site que contrata pessoas para escrever esse tipo de besteira. Quando compartilha esses textos, você está ajudando esse conteúdo a se proliferar nas redes sociais muitas vezes sem sua opinião. Bloquei o conteúdo que você não concorda.

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  4. Comentado por:

    Edival Pinafo

    Não há lei que proíba que vc criptografe suas mensagens, seja ela por apps ous outra forma qualquer. Então o whatsapp não tem as conversas e sim os dados bits, criptografados, ou seja, nem o próprio whatsapp tem essa informação. Da mesma forma que uma pessoa pode manda uma carta que só quem receber irá conseguir lê-la, tipo com alfabeto próprio. Não tendo o correio acesso ao conteúdo, mesmo abrindo as carta. Então, realmente o jornalista não tem conhecimento sobre tecnologia. Impossível fornecer os dados que a justiça solicita.

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  5. Comentado por:

    Henrique A.

    Prezado autor, acredito que seu artigo desconsiderou totalmente as questões técnicas envolvidas. Deveria conhecer a tecnologia de criptografia ponta a ponta utilizada pelo WhatsApp antes de dizer que a empresa simplesmente “se recusa” a cumprir ordens judiciais.

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  6. Comentado por:

    Mario pedrosa

    Vai campeao, me diz como o whatsapp vai passar um informaçao q eles não possuem pra justica? Ja ouviu falar em criptografia ponta a ponta? Colunista veja sendo colunista veja.

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  7. Comentado por:

    NathanCarrille

    Meu Deus quanta asneira escrita nesse artigo, cara, como você conseguiu seu emprego de jornalista? Ainda mais de tecnologia, vai procurar outra área. O WhatsApp não tem acesso as conversas, repito, NAO TEM ACESSO AS CONVERSAS, ELAS SÃO CRIPTOGRAFADAS PARA A MINHA E PARA A SUA PRIVACIDADE.

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  8. Comentado por:

    Felipe

    Caro jornalista,
    Pesquise mais sobre criptografia de ponta a ponta e a importância que ela tem aos usuários. Grato

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  9. Comentado por:

    Rlpda

    Falha principal do seu argumento: a empresa não se recusa a passar informações, ela não armazena nem intermedeia as informações solicitadas, portanto não tem o q passar.
    Além disso com bloqueio do serviço a bandidagem simplesmente escolhe outro aplicativo similar, o que não falta é alternativa.
    Quer medida eficaz? Bloqueia sinal de celular nos presídios! Sabe porque ainda não é feito? A justiça brasileira quer que as operadoras sejam respon$áveis pela implementação. Ou seja, passar para o empresário um problema que não é dele! Parece um padrão, não? E é. O grande problema da justiça brazuca é esse: gastar nosso dinheiro só com aumento de salário e construção de sedes faraônicas. Investir em treinamento e tecnologia nem pensar.

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  10. Comentado por:

    William

    Você deveria ter vergonha de escrever algo sobre uma ferramenta sem conhecer toda tecnologia e funcionamento por detrás dela, realmente, espero que a veja reveja esse artigo e se tiver um mínimo de profissionalismo corrigir você.

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