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Nova novela: corretores agora repudiam inovações no estilo “Uber dos imóveis”

Recebi uma “nota de repúdio” a uma reportagem assinada por mim na edição de 03 de março de 2016. O título da matéria: “O Uber dos imóveis”. Sobre o que era? Como o advento da economia de compartilhamento – a lógica por trás de iniciativas como o Uber e o Airbnb – deve transformar (principalmente em […]

Recebi uma “nota de repúdio” a uma reportagem assinada por mim na edição de 03 de março de 2016. O título da matéria: “O Uber dos imóveis”. Sobre o que era? Como o advento da economia de compartilhamento – a lógica por trás de iniciativas como o Uber e o Airbnb – deve transformar (principalmente em médio prazo) o mercado imobiliário. No texto, exemplifico com um caso paulistano, do site e aplicativo Quinto Andar, de aluguel de imóveis. E com outros, de companhias internacionais, tanto de investimento, quanto de compra, venda e locação. O objetivo de todas as empreitadas destacadas é diminuir a burocracia do setor, por vezes eliminando atravessadores (como imobiliárias tradicionais e, eventualmente, corretores), para agilizar e baratear transações feitas entre os diretos interessados no negócio (quem vende e quem compra). Convido-o a ler a reportagem, disponível na edição de VEJA acima citada, e também no arquivo digital gratuito desta revista.

Pois essa era uma das previsões do texto:

“Trata-se de um novíssimo modelo de negócios, que, no entanto, veio para demolir o tradicional. Não à toa, aqueles que se veem como inúteis nesse novo mundo saem às ruas para protestar – como os taxistas, que reclamam do Uber em passeatas, reivindicando sua proibição. Não estranhe, portanto, se corretores e donos de imobiliárias começarem a se queixar por aí (…)”

Como preconizado, os corretores reclamaram, na “nota de repúdio”, assinada pelo Creci – PR (o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná). Isso porque, no texto “O Uber dos imóveis” se destaca outra previsão: a de que essa profissão pode se tornar ultrapassada. Isso quando “as tecnologias de inteligência artificial e de levantamento e cruzamento de dados (…) poderão realizar o trabalho (…).”

O Creci – PR se manifestou assim (destaco os principais trechos; com observações, em negrito, abaixo de pontos que exigem explicações):

(no texto) os corretores de imóveis e imobiliárias são descritos como meros aproximadores de partes e dispensáveis nas transações imobiliárias com o advento da economia de compartilhamento.

A tecnologia chegou no setor imobiliário para somar, trouxe a rapidez e a praticidade, mas de forma alguma substitui o trabalho dos corretores (…) o “Uber dos Imóveis” não dispensa os serviços dos corretores, ao contrario (sic), ela concita a serem seus parceiros e dedica, em seu sítio na internet, um menu exclusivo para atrair corretores (…)”

Em nenhum ponto da reportagem se fala que a Quinto Andar não usa corretores. Pelo contrário, eles são comparados aos motoristas do Uber, parceiros da empresa. O que se faz é uma previsão, de como a profissão pode se tornar dispensável um dia – assim como serão os motoristas profissionais, de qualquer tipo, quando (e se) se popularizarem os carros que se guiam sozinhos pelas ruas.

“(…) Vale lembrar que a  locação não é simplesmente assinar um papel. Antes disso, o locatário precisa conhecer o imóvel, decidir se ele atende às suas necessidades e anseios, verificar se tudo está ou não funcionando, analisar a proposta de preço do aluguel, verificar os termos contratuais (…) e por aí afora (…)”

É justamente esse processo burocrático (hoje, exigido por lei; mas, vale frisar, que é de praxe que legislações não acompanhem o ritmo de inovações do mundo; ocorre o contrário) que tecnologias de economia de compartilhamento podem substituir, aos poucos.

“(…) A locação não é o trabalho dos verdadeiros corretores de imóveis, cuja especialidade é captar e vender. É claro que, eventualmente, podem angariar um imóvel para locação e até agenciá-lo, mas o foco do dia a dia dos corretores de imóveis é o trabalho com vendas. (…) Em um trecho a reportagem assevera: “Como o papel desse profissional tem sua importância reduzida, a comissão, antes de 6%, cai para 1%”.  Os bons profissionais, com certeza, nunca se submeteriam a esse tipo de trabalho. (…)”

Esse trecho se refere a um caso real, de um site americano (SQFT), que reduz a comissão exatamente nesses valores quando o profissional não precisa interferir em todas as etapas do processo.

“Finalmente, diz a reportagem “O sucesso atraiu um grupo de investidores que neste mês injetou 7 milhões de dólares na empresa” (a Quinto Andar). Ou seja, aproximadamente 28 milhões de reais. Dá para acreditar? Sinceramente, não. (…) Por que um grupo de investidores iria aplicar tal quantia numa startup de serviços, sem nenhuma garantia de resultados? Reflitam!!”

Em muitos pontos são questionados valores, dados em geral, de empresas citadas na reportagem. Pode acreditar: eles são reais. Os 7 milhões de dólares, por exemplo, foram injetados na companhia pelo grupo Kaszek Ventures, que já colocou seu dinheiro em mais de 40 empresas de seis países, em parceria com outros investidores, privados.

Achei justo (com o leitor) compartilhar o “repúdio” dos corretores paranaenses. Assim como pontuar fatos importantes para essa questão. Outro deles: o objetivo da nova economia, fruta desta era em que tudo pode ser digitalizado, é justamente eliminar atravessadores em negócios em que eles podem ser substituídos por tecnologias contemporâneas. Não é a primeira vez que isso ocorre na história – vide a Revolução Industrial, cujas fábricas substituíram diversas formas de trabalho. A boa notícia: quando isso acontece, os indivíduos envolvidos nessas profissões que “ficaram para trás” costumam achar para eles melhores alternativas de vida, mais lucrativas e saudáveis.

Observação final: na semana passada, também me ligaram representantes de grupos de corretores, queixando-se de pontos parecidos. Mostrei-me, como deve ser no jornalismo, disposto a conversar. Entretanto, ainda não houve retorno a essa proposta.

Para acompanhar este blog, siga-me no Twitter, em @FilipeVilicic, e no Facebook.

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  1. Comentado por:

    vanildo carvalho

    Vai acontecer igual aos táxi .vão entrar com pequena margem de lucro .quebra o sistema.e depois cobrar igual as imobiliárias. Isso se chama monopólio. Compra alguns políticos. Assim deixando um rombo na economia do pais.pois este lucro não vai circular no pais .vão para os americanos. E o que esta acontecendo nos táxi. Gente sem experiência e responsabilidade entra e sai todos os dias.sem direitos trabalhistas e garantias. São escravizados pela tecnologia.

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  2. Comentado por:

    Jorge Luiz da Silva

    Se uma pessoa leiga souber analisar uma planta baixa, de corte e demais, se souber extrair e analisar todas as certidões do vendedor e do imóvel, avaliar o imóvel para saber se o preço cobrado está em acordo com o preço médio do metro quadrado local, conseguir saber se o imóvel é foreiro , se está hipotecado, se existem pendências fiscais, dívidas condomininiais, etc… e, se quem está vendendo pode vender, se é realmente o dono, se não é mais um contrato de gaveta…. saber retirar a Certidão de Ônus e analisar os pormenores, se for financiar, saber os detalhes dos bancos como tabelas Price, Sac…. e demais documentos necessários…… então esse cidadão está apto a comprar um imóvel sozinho…..

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  3. Comentado por:

    Sergio Santos

    Se comprador e vendedor se encontrarem no cartório de imóveis em que se encontra registrada a matricula do imóvel, esse, de posse das certidões (a maioria já disponível na internet), pode oferecer a ambos a segurança documental. Mas, e quanto à qualidade da compra? Como fica? A segurança de uma boa compra, tanto em relação ao preço (comparado ao valor de mercado do imóvel), quanto em relação ao padrão construtivo do imóvel e aspectos como aquela feira livre que ocorre bem em frente ao imóvel às quartas-feiras, depende do acompanhamento e da competência de um corretor experiente, preferencialmente, com curso de avaliação de imóveis no currículo.

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  4. Comentado por:

    Fernando Oliveira

    Isso é só o começo.
    Táxistas passando fome agora serão os corredores.
    Quero ver quem será no próximo..
    Sou táxistas e estamos passando uma situação que não sabemos mais oque fazer..
    E sem hipocrisia falando que é o atendimento, carro limpo, água etc..
    Pois o brasileiro quer pagar barato, sem se importar se está apoindo o trabalho escravo que a uber faz com seus motoristas e só ela acaba por ter lucros.
    Então aos corretores que estavam apoiando a Uber!!! CHUPPPPPPAAAAAAAAAAA!!!!!!
    UM país vendido onde a corrupção aflora dia dia,é facil entender com esses aflitivos funcionam ser critérios. ALGUÉM está ganhando.
    Quero ver quando tiver o app, de engenharia, arquitetura,o vai fazer o imposto de renda e por ae em diante…

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  5. Comentado por:

    Thiago Zacarias do Valle

    Olá Filipi. Todas as iniciativas que venha a facilitar a vida de todos, gerar oportunidades da livre concorrência e assim, incentivar soluções que venha a beneficiar toda a cadeia, são bem vindas. Estou em uma “sofrência” diante uma luta por um imóvel para começar uma nova etapa da minha vida. As informações nos sites habituais são incompletas e fora de padrão. As fotos, são de péssima qualidade e não proporciona uma visão do imóvel para entendimento de tamanho e espaço. O apoio dos corretores são de péssima qualidade. A insistência é brutal pela parte (eu) interessada. Sou a favor sim.

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  6. Comentado por:

    Wellerson Castro

    Muitos proprietários de imóveis não tem nenhuma disponibilidade para tratar com possíveis compradores, atender ligações, negociar, ir inúmeras vezes ao imóvel com clientes que chegam aos montes nas imobiliárias sem nenhuma noção do que aguentam comprar, quando chegam a olhar o financiamento vêem que não tem condições nenhuma de comprar, outros fecham negócio e na semana da assinatura do contrato querem levar os irmãos os pais no imóvel nos mais variados horários, de manhã, de tarde, de noite aos fins de semana, a pessoa tem que ter muita disponibilidade.
    Muitas vezes as pessoas não tem esta disponibilidade e nem paciência por isto contratam um Corretor de Imóveis.

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  7. Comentado por:

    Wellerson Castro

    Gostaria de ver uma matéria sobre a vida dos motoristas do aplicativo Uber. Quanto ganham, como vivem com o que estão ganhando se dá para manter a gasolina, as despesas de casa e como farão para manter a manutenção de seus carros em dia, seguro do carro e trocar de carro depois que o veículo ficar velho.

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