Nova previsão: El Niño será histórico, segundo NOAA
Análise indica 97% de chance do evento ser o mais forte desde 1950 até o fim deste ano
Anunciado pelos meteorologistas há meses, o El Niño deixa apenas de ser uma possibilidade de evento forte. A nova atualização do Climate Prediction Center (CPC), órgão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), elevou para 97% a probabilidade de o fenômeno atingir alta intensidade até o fim de 2026. Mais impressionante ainda é a estimativa de 75% de chance de que, entre outubro e dezembro, o episódio supere a intensidade de todos os El Niños registrados desde 1950 e com capacidade ameaçadora.
A previsão não surgiu de repente. Em junho, os modelos já apontavam para um episódio incomum. Em julho, a NOAA calculava 81% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre outubro-dezembro e 97% de chance de que o fenômeno persistisse até o início da primavera de 2027. Em agosto, a probabilidade de um episódio muito forte passou de 90%, enquanto a possibilidade de um evento histórico chegou a 69%. Agora, a nova atualização reforça a tendência que vinha sendo construída mês a mês.
Os sinais observados no Pacífico ajudam a explicar a confiança dos modelos. Em julho, a NOAA registrou anomalias de temperatura superiores a 2°C na superfície do Pacífico equatorial oriental. Na região próxima à costa da América do Sul, a anomalia chegou a 2,9°C. Mais abaixo da superfície, o oceano armazenava bolsões de água até 10°C mais quentes que a média, uma reserva de calor que pode alimentar a intensificação do fenômeno.
A NOAA considera “muito forte” um El Niño com índice RONI de pelo menos +2°C. Para ser considerado histórico na previsão atual, o evento precisaria atingir +2,5°C ou mais na média de três meses, ultrapassando os episódios anteriores desde 1950.
Isso não significa que todos os efeitos serão necessariamente extremos — a própria NOAA ressalta que um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade de determinados impactos, mas não os garante. Ainda assim, a combinação entre o aquecimento já observado, o calor acumulado abaixo da superfície e a convergência dos modelos tornou o cenário para o fim de 2026 excepcionalmente preocupante. Se as previsões se confirmarem, o El Niño de 2026 poderá entrar na mesma conversa dos grandes episódios de 1982-83, 1997-98 e 2015-16 — ou até ultrapassá-los.





