Agosto iguala recorde de mês mais quente da história
Temperatura média do planeta ficou 1,65 °C acima do nível pré-industrial, impulsionada por aquecimento global e El Niño
Por Ernesto Neves
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Agosto de 2023 foi o mês mais quente já registrado globalmente, empatado com julho, com a temperatura média atingindo 16,96 °C. Este aquecimento recorde é uma combinação das emissões de gases de efeito estufa e da intensificação do El Niño, que ainda está se fortalecendo e pode prolongar a sequência de recordes de calor. Os efeitos já são sentidos globalmente.
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Agosto foi o mês mais quente já registrado no planeta, empatado com julho de 2023, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.
A temperatura média global chegou a 16,96 °C, 1,65 °C acima do nível pré-industrial.
O resultado reforça a tendência de aumento das temperaturas, embora um único mês acima de 1,5 °C não signifique que o limite estabelecido no Acordo de Paris tenha sido ultrapassado de forma permanente.
O calor excepcional foi resultado da combinação entre o aquecimento provocado pela emissão de gases de efeito estufa e a crescente influência do El Niño, fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial.
O fenômeno libera para a atmosfera parte do calor armazenado no oceano e costuma elevar as temperaturas médias do planeta durante cerca de um ano.
Segundo o Copernicus, o El Niño ainda está se fortalecendo e pode se tornar um dos mais intensos já observados. Seu impacto máximo sobre as temperaturas globais deve ocorrer nos próximos meses, o que pode prolongar a sequência de recordes.
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“Agosto foi um mês extraordinário no registro climático global”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do Copernicus.
Segundo ela, os efeitos do calor excepcional já são sentidos por comunidades, economias e ecossistemas em diferentes partes do mundo.
A combinação entre temperaturas recordes do ar e dos oceanos, acrescentou, evidencia a influência das mudanças climáticas sobre extremos tanto na atmosfera quanto nos mares.
O recorde mensal encerra um verão igualmente excepcional na Europa Ocidental. O período de junho a agosto foi o mais quente já registrado na região, com temperatura média 2,54 °C acima da média de 1991 a 2020. O verão de 2023, até então o mais quente, havia registrado desvio de 1,98 °C.
No Reino Unido, o verão também foi o mais quente desde o início das medições, em 1884. De acordo com o Met Office, o serviço meteorológico britânico, as mudanças climáticas provocadas pela ação humana tornaram um verão com esse nível de calor cerca de 130 vezes mais provável.
A onda de calor teve efeitos concretos sobre a população. Escolas foram afetadas, hospitais ficaram sob pressão, a produção de alimentos sofreu perdas e incêndios e secas se espalharam por diferentes áreas da Europa.
Segundo Clair Barnes, pesquisadora de eventos climáticos extremos do Imperial College London, o episódio pode estar relacionado à morte de dezenas de milhares de pessoas.
“Até que deixemos de queimar combustíveis fósseis, esses recordes continuarão a cair e os extremos se agravarão mais rapidamente do que nossa capacidade de adaptação”, afirmou Barnes. Para a pesquisadora, a intensidade que o aquecimento ainda poderá alcançar depende das decisões tomadas para reduzir as emissões.
O secretário-geral da ONU para as mudanças climáticas, Simon Stiell, afirmou que o novo recorde demonstra o impacto da ação humana sobre o clima. Para ele, a sequência de temperaturas extremas é consequência direta da dependência mundial dos combustíveis fósseis.
Além do calor, o El Niño também pode alterar o regime de chuvas de monções e a formação de tempestades em partes da Ásia.
Nas Filipinas, enchentes recentes já provocaram o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas, em uma região onde os efeitos do fenômeno devem ganhar força nos próximos meses.





