OMS sugere que países considerem vacinar meninas contra o HPV a partir dos 4 anos
Cobertura global da vacina contra o HPV segue em 33%, muito aquém da meta global, que é de 90%, afirmaram especialistas da OMS em reunião na terça-feira, 13
Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que uma dose da vacina contra o HPV oferece uma proteção semelhante à de duas doses para meninas de 9 a 14 anos. Países que precisam aumentar a cobertura vacinal contra o vírus, porém, também podem considerar a vacinação de meninas de 4 a 8 anos, afirmaram especialistas do órgão na terça-feira, 13.
Cerca de 165 países já introduziram a vacina contra o papilomavírus humano, afirmou Anthony Scott, presidente do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE) da OMS, em reunião com a imprensa. No entanto, a cobertura global da vacina contra o HPV segue em 33%, muito aquém da meta global, que é de 90%, segundo Scott.
Por isso, o grupo incentivou que “os países também podem cogitar a vacinação de rotina de meninas de 4 a 8 anos se isso puder aumentar o uso da vacina e sua cobertura”.
HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano, um grupo de vírus responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do útero e também associado a tumores de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta.
A principal via de transmissão do vírus é pelo sexo, mas a ideia de que a imunização estimularia o início da vida sexual entre crianças e adolescentes é falsa.
Na prática, ocorre o contrário: a vacina é indicada justamente antes do início dessa fase, a fim de prevenir a infecção pelo HPV e reduzir o risco de câncer. A proteção é mais eficaz quando a vacina é aplicada antes da primeira exposição ao vírus.
No Brasil, Ministério da Saúde prorrogou campanha
A melhor forma de prevenção contra o vírus é por meio da vacina. No Brasil, o imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS desde 2014.
Ele é indicado tanto para meninas quanto para meninos, e protege contra os tipos mais frequentes do vírus (6, 11, 16 e 18), relacionados com episódios de verrugas genitais e lesões malignas.
Desde 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única da vacina, substituindo o modelo anterior de duas doses e simplificando o acesso à imunização.
Em junho de 2026, o Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro de 2026 a campanha de vacinação para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina contra o HPV. A campanha de resgate, que seria encerrada naquele mês, foi estendida para ampliar a cobertura vacinal nessa faixa etária.
Os resultados obtidos em países que investiram na vacinação em massa contra o HPV entre crianças e adolescentes reforçam a eficácia da estratégia. Na Inglaterra, um estudo publicado neste ano na revista The Lancet mostrou que, entre 2020 e 2024, não foi registrada nenhuma morte por câncer de colo do útero entre mulheres de 20 a 24 anos vacinadas contra o HPV na adolescência.
Os pesquisadores estimam que o programa nacional de imunização, iniciado em 2008, já evitou cerca de 200 mortes e colocou o país no caminho para eliminar esse tipo de câncer como problema de saúde pública.






