30/06/2011
às 16:35 \ Consultório‘Eu, particularmente’ é uma expressão redundante?
“Tenho uma implicância terrível com a expressão ‘eu, particularmente’, que muitos usam em entrevistas televisadas para expressar opinião sobre determinado tema. Esta é uma expressão aceita na nossa linguagem? (Giselda de Sales Bicalho)
“Ouço algumas pessoas, principalmente quando vão dar opinião sobre um assunto qualquer, iniciarem a frase assim: ‘Eu, pessoalmente, acho que…’ ou ‘ Eu, particularmente, acho que…’. Gostaria de saber se tal construção configura uma redundância. Pois acho que se é minha opinião, só pode ser pessoal ou particular, dispensando então o ‘pessoalmente’ ou ‘particularmente’.” (Miguel Gomes)
A implicância de Miguel e Giselda é compreensível: andam sem dúvida abusando da expressão “eu, particularmente (ou pessoalmente)”. No entanto, eu (particularmente?) não condenaria essa construção de modo sumário como mero vício de linguagem e redundância sem sentido. Dependendo do contexto, ela pode ser funcional.
Trata-se de uma introdução que estabelece um segundo nível de opinião, mais pessoal, contra outro que se poderia chamar de público. Quem diz “eu, particularmente, sempre dirigi muito bem depois de tomar dois chopes” pode, sem cair em contradição, emendar: “Mas apoio inteiramente a Lei Seca”. Da mesma forma, o deputado que defende o apoio de toda a bancada a alguma posição tomada por seu partido pode acrescentar que, “particularmente”, pensa um pouco diferente, mas considera a lealdade um valor maior.
São apenas dois exemplos. A vida é cheia de situações assim. Isso não quer dizer que todas as ocorrências de “eu, particularmente” sejam tão bem fundamentadas. Pelo contrário: o fato de dois leitores terem aparecido aqui com a mesma dúvida prova que a expressão se tornou, no mínimo, um modismo. É aí que reside o verdadeiro risco, a meu ver: menos numa possível redundância do que na repetição irrefletida de clichês, um pecado a que todos estamos sujeitos.
Tags: modismo, redundância, vício de linguagem


Barcelona vence título na despedida de Pep Guardiola
Atirador em cima de telhado mata uma pessoa na Finlândia
Iêmen: tropas do governo matam 20 membros da Al Qaeda
Governistas devem convocar Perillo e já admitem expor Agnelo
Eduardo Saverin, o brasileiro do Facebook, conta sua história






Deixe o seu comentário
Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.
» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA
19 Comentários
Jairo
-07/07/2011 às 21:49
O que sobra é o pronome (Eu).
“Pessoalmente bla bla…” está correto.
Diogo
-05/07/2011 às 19:47
Dilma e Jotapê: me desculpem, mas está respondido, sim. Nas linhas 2 e 3, o colunista diz que todas as letras que NÃO considera esse uso uma redundância, pelo menos na maioria dos casos. No parágrafo seguinte, ele justifica essa posição (para isso, usa dois exemplos). E, no último, mostra que a expressão, embora não possa ser condenada pela redundância, merece críticas por uma outra razão – por se tratar de um modismo ou clichê. Isso tudo é para dizer o seguinte: não consigo entender como, num texto tão claro e objetivo, vocês identificaram “floreio” e “falta de resposta” ao que foi perguntado. Está tudo lá. É só ler com calma. Abraços.
Yana Toneli
-05/07/2011 às 18:09
Não acho redundância. Quando se diz “eu” acho, expressa uma opinião própria mas que também pode ser comum a de outra pessoa ou grupo, algo que não vai fugir muito do consenso geral. Quando usa-se o “particularmente” tem se a intenção de defender o que se vai dizer afirmando ser uma opinião mais pessoal.
Dinai
-05/07/2011 às 8:52
E o “ENTAO” ? As pessoas usam demais em entrevistas na TV. Vao responder uma pergunta e muitos comecam com o chatissimo :entao….
ricardo
-04/07/2011 às 7:25
Eu, particularmente, a nível de qualquer coisa, tô nem aí.
JROBERTO
-03/07/2011 às 23:22
Eu, particularmente, entendo que a construção da frase iniciada com: eu, particularmente, indica que se deseja deixar claro que a opinião é pessoal.
jotapê
-03/07/2011 às 18:40
Pior do que o “eu particularmente”, usado a torto e a direito, é o “há tantos anos atrás” dito indiscriminadamente.
E o “enquanto”? Eu, “enquanto” isso, eu “enquanto” aquilo… Dói!
E a “dilma”, em seu comentário abaixo tem razão: a autor da resposta deu uma enrolada e complicou mais ainda.
dilma
-03/07/2011 às 15:57
Ele falou, falou, floreou; mas não respondeu. Então, particularmente, digo que é redundância. Pois para mim, o que é pessoal é particular, ou seja, algo que parte da primeira pessoa (eu).
Márcio Tupiná
-02/07/2011 às 11:37
Prezado Sérgio Rodrigues…
Uns se preocupando com o “eu, particularmente…” enquanto todos, inclusive você,sr. Sérgio Rodrigues, não dão a atenção devida a um dos maiores crimes já praticados contra a língua pátria…(sem contar com ministério da deseducação) o tal do “a gente se vê” que nada mais é do que a força incrível, o poder da Globo. Quem tem, hoje, a coragem de usar: “venha conosco”… e usar o futuro do pretérito??? Quem arisca??? dir-te-ei…encontrar-nos-emos ( a gente se encontra)… a gente te vende… vender-te-ei…
E,então, Professor???
João
-01/07/2011 às 11:53
E quanto ao uso indiscriminado de:
“A GENTE”.
Não usamos mais o: “NÓS” (a gente não usa mais)
…nós(a gente gosta)gostamos; nós (a gente ouve)ouvimos…
Felicio Alves Cyrino
-01/07/2011 às 9:16
O uso da expressao nao esta incorreto em si, o exagero sim!
Adriana
-30/06/2011 às 20:34
Não suporto vicios de linguagem;
Onilfo Alaniz
-30/06/2011 às 17:42
Gostaria de ouvir seu comentario sobre os abominaveis vicios de linguagem que tambem acabam virando modismos, os famosos:
“meio que” (isso eu ouvi ate de uma jornalista de TV), “tipo assim”, “a nivel de” (estes sao somente alguns exemplos) e, em minha opiniao, o horror dos horrores, importado do Ingles talvez: o gerundismo- “voce pode estar fazendo” (isso e’ muito usado por pessoas de tele-marketing).
Cláudio
-30/06/2011 às 17:39
Eu não gosto desse tipo de construção. Mesmo que não seja, para mim soa como redundãncia.
Amauri Lucas Vieira
-30/06/2011 às 17:04
E a frase: a mim me parece … , é redundância?
Luis
-30/06/2011 às 17:02
Não tenho conhecimento suficiente da língua portuguesa para dizer o que convém e o que não, mas concordo totalmente com esta história do uso indiscriminado do “eu, pessoalmente”. Vira moda e (quase) todo mundo usa (assim como os horríveis gerúndios de call center, etc)…. Faz-me lembrar do pleonasmo vicioso. Dizer “subir para cima” é errado. Mas é correto dizer “vi com meus próprios olhos” para dar sentido de “reforço”. Particularidades da língua portuguesa….
Álvaro de Paula
-30/06/2011 às 17:02
Eu, particularmente, não vejo problema em usar essa expressão e, pessoalmente, odeio modismos!
murilo
-30/06/2011 às 17:01
eu particularmente, significa (É EU QUE ACHO ISSO ENTÃO NÃO VER FALAR MERD* PORQUE É A M.I.N.H.A OPNIÃO) FICOU DUVIDA AINDA?