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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.
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O garnisé, quem diria, veio de Guernsey

Sonoridade brasileira do nome do galinho invocado engana

Por Sérgio Rodrigues
Atualizado em 31 jul 2020, 00h29 - Publicado em 15 set 2015, 14h16

O nome do garnisé, um tipo de galináceo tão franzino quanto brigão, não é tão brasileiro quanto parece. O sucesso que o bichinho fez na zona rural brasileira – a ponto de ter dado origem entre nós à acepção informal de “baixinho invocado” – sugere, ao lado da própria sonoridade da palavra, um vocábulo nascido no mesmo caldo de cultura que deu origem ao barnabé, ao mané e outros zés, certo?

Surpresa: o nome do garnisé começou como um estrangeirismo do gênero inequívoco. Consta que os primeiros galinhos e galinhas do tipo, pertencentes a diversas raças mas todos miúdos, foram importados de Guernsey, ilha situada no Canal da Mancha e vizinha de Jersey – também chamada de Guérnesei em português. As aves trouxeram com elas o nome de seu lugar de origem, logo aportuguesado para garnisé por razões bastante compreensíveis.

Guernsey é uma dependência da Coroa britânica, mas é duvidoso que isso faça de garnisé um anglicismo. Por ser datado de 1876, segundo o Houaiss (com base numa edição da “Revista Ilustrada”, publicada no Rio de Janeiro por Angelo Agostini), o vocábulo é de um tempo em que a única língua oficial de Guernsey era o francês. De lá para cá, o inglês se tornou dominante.

Curiosidade: uma leva de imigrantes portugueses fez com que cerca de 2% dos mais de 65 mil habitantes da ilha falem nosso idioma, que é ensinado em algumas escolas.

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