Blogs e Colunistas

14/04/2011

às 16:32 \ Consultório

‘Vende-se casas’ ou ‘vendem-se casas’?

“Em ‘vendem-se casas’, o termo ‘casas’ é o sujeito da oração. Mas outro dia li em uma apostila o seguinte: ‘Tal explicação da gramática normativa sobre a voz passiva sintética e a classificação do sujeito nesse tipo de frase tem sido criticada por muitos linguistas. Sendo, porém, regra gramatical cobrada em vestibulares, optamos por trabalhá-la na forma tradicional.’ Gostaria de saber qual é a crítica. Obrigada.” (Andréa Stancius Lima)

A crítica, Andréa, é simples: a interpretação de “vendem-se casas” como uma frase que se encontra na voz passiva sintética, à qual corresponderia “casas são vendidas” na voz passiva analítica, é denunciada por muitos linguistas como um exemplo claro de arbitrariedade – ou aversão ao método científico de compreender a língua – da gramática normativa.

Sustentam eles que faz mais sentido interpretar o “se”, nesse caso, como índice de indeterminação do sujeito. E argumentam que em “precisa-se de vendedores” o “se” é precisamente isso, como a própria gramática normativa admite: o verbo transitivo indireto não permite que se imagine um absurdo “vendedores são precisados”, certo? No entanto, a ideia é a mesma em “precisa-se” e “vende-se”, ou seja, alguém precisa, alguém vende!

Fica assim explícito o caráter arbitrário de uma análise que, diante de construções tão evidentemente semelhantes como “vende-se casas” e “precisa-se de vendedores”, aplica a cada uma um critério diferente – “casas” vira sujeito, mas “vendedores” é objeto indireto – e decreta que apenas a segunda está correta.

O linguista Marcos Bagno, um dos mais combativos do país na denúncia desse tipo de regra gratuita, chama uma frase como “vendem-se casas” de “pseudopassiva sintética”. Mas é interessante notar que até um gramático tradicional como Evanildo Bechara, filólogo de plantão da Academia Brasileira de Letras, aceita a tese do “se” como índice de indeterminação em sua “Moderna gramática portuguesa”:

…o ‘se’ como índice de indeterminação do sujeito – primitivamente exclusivo em combinação com verbos não acompanhados de objeto direto –, estendeu seu papel aos transitivos diretos (onde a interpretação passiva passa a ter uma interpretação impessoal: ‘Vendem-se casas’ = ‘alguém tem casa para vender’) … A passagem deste emprego da passiva à indeterminação levou o falante a não mais fazer concordância, pois o que era sujeito passou a ser entendido como objeto direto…

Bechara conclui o raciocínio dizendo que “vende-se casas” é uma frase “de emprego ainda antiliterário, apesar da já multiplicidade de exemplos” (grifo meu), mas reconhece que “ambas as sintaxes são corretas”.

Essa questão do “emprego ainda antiliterário” de “vende-se casas” merece ser desdobrada: acredito que Bechara quis alertar o leitor de sua gramática para o risco de usar tal construção em textos formais – entre eles, naturalmente, provas. A correlação de forças está mudando, mas, qualquer que seja o veredito de um filólogo da estatura de Bechara (“ambas as sintaxes são corretas”), ainda há lá fora um exército de professores, chefes e revisores dispostos a passar a caneta vermelha na frase.

Trata-se de uma cautela que também recomendo – o que, naturalmente, não impede ninguém de compreender a crítica que os linguistas fazem à gramática tradicional, e que neste caso me parece cheia de razão. De resto, o que vejo no campo “literário” é justamente a tendência de acatar cada vez mais a interpretação do “se” como índice de indeterminação do sujeito em construções como “vende-se casas”. Millôr Fernandes uma vez me repreendeu por não escrever assim. “Simplifiquei”, disse.

Se já ganha há algum tempo tal tipo de sanção culta, podemos ter certeza de que um uso como esse não demorará a ser pacífico. Mas cuidado com as provas!

*

Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Toda quinta-feira o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

57 Comentários

  1. sergiorodrigues

    -

    11/11/2014 às 12:33

    Na boa, pessoal: reparem que a consulta da Andrea, que motivou este texto, não é rasteira, isto-ou-aquilo. É sofisticada e mobiliza pontos de vista distintos sobre a língua (gramática normativa x linguística). Dentro dessa dificuldade dei a resposta mais clara que pude encontrar. No fundo, não é um bicho de sete cabeças para quem domina um repertório gramatical básico. Agora, se uma releitura atenta não resolver a sua dúvida, pode ser o caso de trabalhar um pouco mais o básico primeiro. Abraços a todos.

  2. Gabriel

    -

    10/11/2014 às 22:03

    Eu tinha uma dúvida, li o texto e agora tenho três dúvidas. Esse cara, Sergio Rodrigues, é professor?

  3. Paulo Terracota

    -

    05/11/2014 às 19:30

    Entrei no texto não sabendo e sai não entendendo. Sergio, você parece mineiro só.

  4. Gabriel

    -

    05/11/2014 às 0:05

    Me lembrei de uma ocorrência: Certo dia um cara estava dirigindo um carro e o mesmo ficou atolado na lama. O motorista disse ao passageiro: O carro atolou-se. O passageiro o corrigiu dizendo: O carro se atolou. Começaram a discutir: atolou-se, dizia um; se atolou, dizia o outro. Um terceiro aproximou-se e perguntou: o que houve? eu estou dizendo que o carro se atolou e esse cara tá dizendo que o carro atolou-se. O cara perguntou: foram as rodas dianteiras ou foram as traseiras? o motorista respondeu: foram as quatro rodas. o cara então disse: o carro se atolou-se, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  5. francisco peracelli

    -

    27/09/2014 às 15:27

    não fiquei sabendo ainda o que é correto usar… vende-se casa… ou vendo casa… ou vende casa….

  6. Greicy

    -

    21/09/2014 às 11:52

    Concordo com Eduardo que diz ser sábio aquele que simplifica, auxiliando aqueles que sábios não são.
    Assim, diante de toda análise aqui feita, qual o correto, POR FAVOR!!

  7. Camila

    -

    31/08/2014 às 13:31

    “Empregou-se as técnicas de observação” está certo?
    Camila, vale o mesmo que está dito sobre ‘vende-se casas’ na coluna acima.

  8. Gilberto Gaia

    -

    29/08/2014 às 0:05

    Iça kkkk eu propugnava pelo ALUGA-SE CASAS, VENDE-SE APARTAMENTOS, desde sempre! Minha compreensão é esta mesmo, que alguém se encarrega destas vendas. Mas alguém para mim sempre é singular, mesmo que haja mais pessoas envolvidas nesta parte da transação. Daí não entender o último quadro (ou box, como é na linguagem da minha turma, publicitários kkk) dizendo que VENDEM-SE CASAS = ALGUÉM TEM CASA PARA VENDER.

  9. Francisco Marques

    -

    14/08/2014 às 8:49

    José Francisco, meu caro, acho que você anda assombrado com o PT. Recomendo que, antes de dormir, olhe bem embaixo da cama, pode haver algum militante escondido lá…

  10. josé francisco nunes antonino

    -

    07/08/2014 às 21:18

    Pergunto-me sempre como um país tão grande e belo como o nosso, pode tolerar que pessoas como Lula e Dilma governem o país, subestimando a inteligência e a boa -fé do povo brasileiro, está na hora de nos unirmos e por com nossas mãos e consciências pormos essa excreção para fora da politica

  11. Ana P Gomes

    -

    26/05/2014 às 13:48

    Gostei muito das discussões e comentários deste site. Muitas vezes, até quem trabalha como professor na área apresenta certas dúvidas. Adorei. Agora vou pesquisar sempre por aqui.

  12. "marco" LETRAS

    -

    12/05/2014 às 13:01

    Observar se ao plural…então:Vendem-”se”,(outra análise),CASAS.

  13. Almério Almeida

    -

    18/04/2014 às 23:48

    As duas formas são corretas. Os gramáticos tradicionais preferem “Vendem-se casas”, pelo desdobramento de “Casas são vendidas por alguém”. A linguística atual vê uma outra forma, isto é, “Alguém vende casas”. Recomendamos que em provas, concursos, redações escreva-se “Vendem-se casas”, conforme a recomendação da gramática normativa. Pelo menos, por enquanto.

  14. Mpmotta

    -

    16/04/2014 às 22:45

    Quem vende, vende alguma coisa…vende o quê vende casas. Então casas é o objeto direto e não o sujeito. A casa NÃO SE VENDE e sim é vendida.
    O fulano de tal vende as casas…a imobiliária vende as casas… assim eu vejo que VENDE-SE casas é o correto.

    Imagine um crematório, o anúncio seria “Crema-se mortos” pois é o crematório que crema os corpos.

    O sujeito está oculto, mas existe…e o verbo deve concordar com o número DO SUJEITO e não do objeto.

  15. Márcio

    -

    09/04/2014 às 17:42

    É, parece que também a língua portuguesa, graças aos nossos linguistas, vai indo pouco a pouco pro s…. Isso no Brasil, claro. Vai ver se em Portugal alguém dá alguma confiança pra esses caras.

  16. gisela

    -

    08/04/2014 às 10:58

    vendo casa, alugo casa, arrendo casa. O assunto é sério, o sujeito tem que se comprometer! não é um qualquer que vende a casa a um aqueloutro…há um compromisso e um contrato de compra e venda. Devemos ser directos, objectivos e sérios quando negociamos um bem. Valeu?

  17. Diego Ferreira

    -

    03/04/2014 às 21:22

    Sei lá não consigo concordar com “vendem-se casas” não sou formado em nada,mas sei que casas não podem se vender sozinhas !! hehehe pelo menos é a idéia que todo mundo tem ao ler a expressão! “vende-se casas” parece correto! ,mas tão dizendo que não é !fazê uke u purtugueis é pra ser siguido não intindido! kkk

  18. sergiorodrigues

    -

    01/04/2014 às 9:51

    Já corrigido, obrigado.

  19. Troll

    -

    01/04/2014 às 0:21

    A palavra impessoal tem três ss no excerto retirado do livro do Bechara.

  20. Carlos R. Barretto

    -

    16/02/2014 às 9:44

    Tenho 67 anos. Há mais de 50 manifesto minha indignação com a expressão “vendem-se casas”. Para mim, o correto sempre foi “vende-se casas”, tendo o “se” a função de índice de indeterminação do sujeito.Vejo, agora, que linguistas estão defendendo esse entendimento. Nunca é tarde!

  21. Francisco Marques

    -

    09/02/2014 às 20:06

    Não consigo compreender a impaciência de alguns leitores com os debates e análises sobre uma questão que causa dúvidas. Ninguém é obrigado a acompanhar os debates, se tiverem mais o que fazer, não façam cerimônia… Debates são importantes para se encontrar o procedimento certo. Outro assunto: me parece que o amolador tem sua razão. “Vendem-se casas” seria o mesmo que dizer “Casas vendem-se sozinhas” e não “Casas são vendidas”, como sempre se procura exemplificar. Espero que se chegue a um bom resultado e cumprimento a todos que se preocupam com nosso rico idioma. Para surpresa de muitos, ele é um dos símbolos do nosso país: a Seleção de Futebol, não!

  22. Ex-petista

    -

    21/01/2014 às 14:31

    Em Curitiba, um (pretenso) crítico literário de um grande jornal local – quando pego no flagra errando na voz passiva – disse que o erro não era erro, era “licença poética”. Patético. Assim como o tal “crítico literário” iletrado erra, a patuléia é que não acerta mesmo na voz passiva. Em vez de se corrigirem os erros, aceitam-se como normais, e são incorporados às gramáticas. O Brasil anda pra trás. :(

  23. João Paulo da Fontoura

    -

    27/12/2013 às 23:31

    Eu faço de tudo para não ser preconceituoso em nada: sexo, política, etnia, futebol, etc. Mas, perdão, perdão, mil perdões, não aguento ouvir um carioca a falar na TV, no rádio: “e dai, mermão, tuido cerrrto? E o Biebieto,continua meixxmu jogando? Dói, por favor, dói!
    O tal do “comentarista esportivo” Roger, da SportTv, quando fala eu fico desesperado a tentar regular o som do equipamento, pois é uma “chiadeira” monumental!

  24. Roberto

    -

    14/12/2013 às 11:46

    Suas explicações são inutilmente complexas, bastaria dizer, qual é o correto, em vez, de encher de baboseiras que ninguém entende. Ser culto, é ser simples, para os que não são possam entender. Entendeu?
    Não. Pode desenhar?

  25. Wânia

    -

    13/12/2013 às 10:43

    È incrível…, quanto mais tentam explicar, mais confundem e no final do texto percebe-se que nada ficou claro, chego a pensar nas razões obscuras para se dificultar tanto o entendimentos dos pobres mortais, como eu, claro.

  26. ROBERTO COSTA

    -

    12/12/2013 às 10:26

    ?!?!?… o portugues é demais para os simples mortais. ou será protuguês?

  27. Roberto

    -

    19/11/2013 às 7:57

    Eu fico pasmo diante da capacidade destes “linguístas” de complicar as coisas, de questionar sem necessidade. Sinceramente, sem querer ofender, eles não nada melhor pra fazer não? “Precisa-se de” é OBVIAMENTE diferente de “vende-se” simplesmente porque “precisar” é transitivo INDIRETO e “vender” é transitivo DIRETO! Aquela pergunta tradicional que se faz para encontrar o sujeito, “o que”, é a mesma que se faz para encontrar o objeto direto, por isso que no caso de um verbo transitivo INDIRETO não funciona, logo é tratado diferentemente. Não é uma questão do significado de um e outro verbo ser parecido, da ideia de um e de outro ser semelhante, mas sim do fato de serem diferentes quanto ao complemento.
    Agora, o uso do “se” como índice de indeterminação do sujeito também em verbos transitivos diretos já é outra coisa, trata-se de uma mudança coletiva, causada pelo uso geral, e tem de ser respeitada, se bem que eu não concorde, pois a norma tem de ser seguida, pode-se falar ou escrever de formas diferentes, porém deve-se saber e respeitar a norma tal qual ela é.

  28. Dionisio Mitridates

    -

    14/11/2013 às 0:25

    Certa vez vi numa calçada um sujeito atrás de uma bancada com uma placa: “amola-se facas e tesouras”. “Meu amigo”, perguntei, “se é vc quem amola, por que não põe na placa: “amolo facas…”. “É que não sou só eu”, disse, “meu filho me ajuda no período da manhã e um sócio, nos fins de semana”. “Então por que não põe ‘amolam-se facas…”. Olhou-me com ar de espanto “amolam-se?”, e rindo: “então as facas se amolam sozinhas!?”.
    Saí convencido de que o “se”, na fala do povo, é e sempre será índice de inderminação do sujeito. Isso de “partícula apassivadora” é firula de gramáticos.
    Porém, dei com esta frase de Rui Barbosa denunciando, no senado, o processo e prisão contra colegas durante o estado de sítio em 1905:
    “No curso desta ação criminal, se conculcaram as prerrogativas parlamentares”, bradou.
    Rui se indignava com as prerrogativas pisoteadas. Se tivesse dito “se conculcou” naquela frase, ficaria bem? Não, não ficaria bem. Rui não está aqui preocupado com um sujeito indeterminado que conculcou (governo, polícia, carcereiro). Está preocupado com o pisoteamento das prerrogativas. É essa imagem que vem ao espírito.
    As prerrogativas são o sujeito da frase, e a partícula é apassivadora, sim.
    Os exemplos mostram que o “se” tem AS DUAS FUNÇÕES. Quem é que disse que é preciso escolher uma função em detrimento da outra? Por que não ficar com as duas? Quem estabelece a norma é o falante, o escritor, o usuário da língua. O estilo é a norma.
    Said Ali, em seu livro “Dificuldades da Língua Portuguesa” (1957), defendendo o uso do “se” indeterminador e afirmando incorrer em erro os que o combatiam como galicismo, ironizou: “nossos pintores de taboletas e letreiros não se recrutam de entre os conhecedores do idioma de ZOLA e DAUDET”. E poderia acrescentar que tampouco nossos amoladores de facas.
    Êpa! Ele disse “não se recrutam”, à Rui. E fez muito bem! O sujeito da frase são os pintores de taboletas mesmo. São eles que importam naquele contexto.
    Conclusão: o “se” é apassivador ou indeterminador segundo aquilo que se queira enfatizar. Quem manda é o contexto, quem manda é o falante, o escritor, o dono da língua.

  29. Egmont

    -

    12/11/2013 às 16:38

    Finalmente, depois de muito tempo, alguém apareceu para por ordem na casa. O sujeito é indeterminado e não “casas”.

  30. Gilberto Camargos

    -

    09/11/2013 às 21:34

    Ségio, obrigado pela clara e excelente explicação. Para quem tem dúvida sugiro reler o texto, como sempre faço.

  31. valdir

    -

    08/11/2013 às 17:48

    a casa é minha, e não estou vendendo !!!!

  32. sergiorodrigues

    -

    05/11/2013 às 23:50

    Realmente não é isso, Dimas. Recomendo ler o artigo de novo, com mais vagar. Um abraço.

  33. Dimas K. Deus

    -

    05/11/2013 às 23:36

    Explicação muito enrolada. Sempre pensei que quando um só é quem vende, escreve-se “vende-se casas”, e quando são mais vendedores, “vendem-se casas”. Creio que não é isso, mas como é mesmo? Daria para explicar por favor?

  34. Walter Fecci

    -

    04/11/2013 às 12:09

    e se escrevermos “vendemos casas” OU “vendo uma casa”?

  35. MARGOT FETTER COSTA

    -

    28/10/2013 às 22:40

    VENDEM-SE CASAS !!! (Na voz “passiva”: CASAS SÃO VENDIDAS !)

  36. NELIO ROSELY

    -

    28/10/2013 às 17:27

    no meu entender, se é uma só pessoa que esta vendendo a forma correta deveria ser : vendo casa

  37. Wilson Costa

    -

    25/10/2013 às 0:11

    Defendo a pronúncia “vende-se casas” por uma razão simples; o sujeito está oculto, pois “casas” não é o sujeito; “alguém vende casas” não pode ser substituído por “alguém vendem casas”. Na construção “casas são vendidas”, onde está o sujeito? Pois como “casa” não tem poder de ação, logo, não pode ser o sujeito.
    Esclareço que esta é apenas a opinião de um observador e defensor da língua, sem diplomas.

  38. Joe Silva

    -

    17/09/2013 às 18:58

    Excelente artigo ! Realmente, a lógica manda ir primeiro na sequência sujeito>>objeto. Sempre achei essa história de voz passiva sintética uma explicação totalmente artificial.

  39. Daniel

    -

    14/09/2013 às 2:06

    Já fazia tempo que eu não voltava a pensar nisso. Bacana rever as vozes passiva analítica e sintética. Acho que tem mais discussão pela frente.

  40. Francesco

    -

    06/09/2013 às 8:51

    Do jeito que a coisa vai é melhor deixar pra lá. Não adianta estudar e ver a desgraça que cometem contra a nossa língua. Ou o governo compra uma briga pra salvar a língua, ou, sei lá! As próprias autoridades são as mais cruéis. Por que não varrer as placas e outdoor com grafia errada. Por que não criticar cada fala errada na tv e cada erro nos textos das revistas e jornais? A concordância parece ser a mais séria! O uso de “a maioria”, “alguns de nós”, sempre dá em erro. Ai, ai

  41. MARGOT FETTER COSTA

    -

    03/09/2013 às 1:16

    “VENDEM-SE” CASAS, OU: CASAS “SÃO VENDIDAS” !

  42. Donata

    -

    29/08/2013 às 3:33

    Se a intenção foi esclarecer dúvidas, o propósito não foi atingido!

  43. Prof. Vilson José de Souza

    -

    28/08/2013 às 20:15

    “vende-se casas”: sujeito indeterminado, alguém vende.
    “vendem-se casas”: sujeito “casas”, o mesmo que “casas são vendidas”, voz passiva.

  44. Prof. Vilson José de Souza

    -

    28/08/2013 às 20:12

    Só que na oração ” Precisa-se de vendedores” há a preposição “de”, portanto não poderia “logicamente” ser passiva, além disso, o verbo está no singular e a palavra ” vendedores”, no plural, e sabemos que o sujeito de uma oração sempre concorda em número com o seu verbo. Observe que na oração “vendem-se casas” nada disso acontece!
    Isso é gramática normativa elementar e está dito no texto. A controvérsia começa justamente aí e não pode, portanto, ser encerrada por tal argumento.

  45. Francesco

    -

    26/08/2013 às 10:07

    Acho uma bobagem se preocupar com isso. É que a nossa língua tem sido tão agredida, e as autoridades nem ligam, pelo que é melhor deixar bagunçar de vez. Se alguém ouve ou lê e entende está bom demais. Vejam: quase todas as vezes que se usa “a maioria”, o verbo aparece errado. E ainda: “nenhum de nós (ou nem um de nós) podemos reclamar”. E assim, são asneiras aos montes. Melhor mesmo é deixar do jeito que está pra ver como fica. Ou,se compra uma briga pra silvar nossa língua. Desencadear uma campanha de vacinação contra essa grave doença, que é o mau uso da língua.

  46. sergiorodrigues

    -

    18/06/2013 às 10:31

    Caro Geraldo, ninguém diz que as ditas construções são idênticas, apenas que são suficientemente semelhantes para caracterizar a arbitrariedade de uma regra. Paráfrases desencontradas como as que você apresenta são sempre possíveis, mas nada esclarecem. Um abraço.

  47. Geraldo Filho

    -

    17/06/2013 às 20:50

    Continuo entendo que, se “casas” é bem diferente de “de vendedores”, nas frases que seguem: VENDEM-SE CASAS = “CASAS SÃO VENDIDAS”, NO MESMO TOM DE “CASAS ESTÃO DISPOSTAS À VENDA”, isto bem diferente de “PRECISA-SE DE VENDEDORES”, TAL FRASE SERA BEM SUBSTITUÍDA PELA SEGUINTE: “NECESSITAMOS DE VENDEDORES”, ou ainda: “NECESSITA-SE DE VENDEDORES”, ou ainda mais: “A EMPRESA TEM VAGAS PARA VENDEDORES”. E por aí vai a questão. Não sou linguista, nem tampouco, um superexperiente em gramática, mas tenho a sensibilidade suficiente para perceber que muita discussão sem nexo de alguns que se dizem os tais doutores da língua, muitas das vezes têm tropeçado em seus próprios saberes, ou defesas sem nexo.

  48. PORCARIA

    -

    30/04/2013 às 12:31

    QUER FALAR BONITO, COMENTAR DE AUTORES MAS NUM RESOLVEU NADA!! CONTINUA COM SEM SABER!!! DIDATICA ZERO!!!!!!! PERDI MEU TEMPO

  49. Henrique Jandro

    -

    25/12/2012 às 19:16

    Letícia, uma análise lógica do sentido de uma norma é justamente o contrário da acomodação, é justamente a negação da acomodação. Se uma regra não faz sentido – ou seja, é pura abitrariedade -, é de ser revista e, sendo o caso, reformulada. É isso que se quer dizer com método científico de compreender a língua.

  50. Aline Redes

    -

    03/09/2012 às 10:45

    Gostei muito da explicação. No entanto, ao contrário da outra comentarista, não acho esse tipo de crítica uma “acomodação” imposta por alguns. Muito pelo contrário, acho muito pertinente e pontual, pois se parte de uma explicação lógica, e não arbitrária. Assim, não vejo relação entre o problema apontado no post e a liberação das ditas “atrocidades” com a nossa língua, nem razão para temer que isso aconteça.

  51. Letícia Figueiredo

    -

    26/08/2012 às 0:47

    Eu ainda faço parte do exército que passa a caneta vermelha em uma frase como “vende-se casas” – a explicação é esclarecedora, porém não posso concordar e aceitar essa frase como correta. Se aceitarmos tudo que é imposto pela ‘acomodação’ de alguns em relação à nossa língua, daqui alguns anos será liberado o uso de palavras como: “pobrema”, “mortandela”, “salchicha” e outras atrocidades com o português. Isso, na minha concepção, é inaceitável!

  52. Percival de Carvalho

    -

    20/02/2012 às 15:48

    Graças a textos esclarecidos e esclarecedores como este, a velha questão do “vende-se casas” tende a se tornar cada vez menos polêmica.

  53. daniela

    -

    15/11/2011 às 7:12

    afinal qual e o certo?

  54. Leo Lucas

    -

    17/08/2011 às 1:04

    É suficientemente óbvio que “Vende-se casas.” deve ser considerada correta! Mas, infelizmente, ainda tenho que “corrigir” coisas desse tipo em meus textos para evitar críticas.

  55. Rose Souza

    -

    19/06/2011 às 1:18

    A frase abaixo está correta?

    “Mesmo se se levasse o cachorro ao hospital ele não resistiria …”?

  56. João B. L. Ghizoni

    -

    15/04/2011 às 10:41

    Como é bom ler um texto tão bem escrito! Boa análise! Gostei muito mesmo. Quando ao libro do Bagno (Preconceito Linguístico), sei que já o deveria ter lido. Penso em fazê-lo. Mas confesso que algo dentro de mim está resistindo… inconscientemente… não sei por quê…

  57. Marcelo Campos

    -

    15/04/2011 às 6:31

    Meu caro Sérgio,
    Depois de ter relido “A Montanha Mágica” fiquei com cãibra nas mãos.Ou seria câibra?E de tanto chocalhar meu cérebro achei que Thomas Mann é superestimado.Ou seria chacoalhar?Você poderia me auxiliar?Senão entrarei numa crise existencial como a de Hans Castorp.
    Além disso não soube onde colocar estas dúvidas, aqui, ou no “Todo Prosa”.
    Para Bloom a potranca estava acima de tudo.Joyce era autoindulgente?Ou era gênio?Desculpe as divagações depois de ler trechos de Pornopopeia de madrugada, depois de umas e outras.
    Abraços,Marcelo Campos.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados