Quando teremos robôs fazendo serviços domésticos?
Dica: há ainda alguns desafios técnicos a serem superados, mas os especialistas acham que isso não demora muito
A promessa de um robô que prepara o café da manhã e dobra os lençóis deixou de ser um clichê dos Jetsons, clássico desenho futurista da Hanna-Barbera que trazia Rose como um autômato que cuidava da casa, para se tornar uma meta de médio prazo no calendário da tecnologia. Se até 2024 vivíamos a “era dos aspiradores inteligentes”, 2026 marca o início da transição para os humanoides de uso geral. Mas a pergunta que ecoa nos laboratórios de robótica e nos fóruns de inovação permanece: quando, exatamente, poderemos delegar o trabalho braçal doméstico de vez?
Por enquanto, a realidade é que até 2027 estima-se que 72% de todos os androides estarão concentrados em armazéns, logística, setor automotivo e manufatura. Especialistas e pesquisadores de universidades de renome, como Oxford, no entanto, sugerem um prazo diferente. Em estudos que analisam o avanço da visão computacional e da manipulação motora, a estimativa é que cerca de 39% das tarefas domésticas serão totalmente automatizadas até 2033.
A automação não será uniforme. Enquanto fazer compras de supermercado e a limpeza básica de superfícies já estão em estágio avançado de viabilidade técnica, o “cuidado físico” — como dar banho em idosos ou lidar com a complexidade motora de vestir uma criança — ainda representa o maior desafio para os algoritmos de sensibilidade e ética.
No centro dessa corrida está a 1X Technologies (antiga Halodi Robotics), a empresa norueguesa que tem atraído os olhares do mundo com o seu robô NEO. Ao contrário dos protótipos industriais rígidos, o NEO foi desenhado com uma “musculatura” de tecidos macios, pensada especificamente para interagir com humanos e objetos delicados em ambiente doméstico.
A Noruega não está sozinha. O Optimus, da Tesla, e o Figure 02, da Figure AI (em parceria com a OpenAI), também miram o mercado de consumo. O grande diferencial da atualidade é a integração dos Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) à robótica. Agora, você não precisa programar o robô. Apenas diz: “Pode colocar as roupas brancas na máquina e me avisar quando terminar?” — a máquina compreende o contexto e a intenção.
Embora o custo de aquisição ainda seja equivalente ao de um carro de luxo, a trajetória de queda nos preços sugere que, na virada da próxima década, o robô doméstico será o novo eletrodoméstico indispensável. Estamos saindo da fase da curiosidade técnica para a fase da utilidade real. O café da manhã feito por mãos de metal está, literalmente, virando a esquina.





