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Meta entra com ações na Justiça contra fraudadores digitais

Processos correm no Brasil, na China e no Vietnã como parte de uma nova estratégia que vai além da remoção de contas e da retirada de conteúdos

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 08h00 •
  • A Meta entrou com ações judiciais contra fraudadores digitais no Brasil, na China e no Vietnã na última quinta-feira, 26. A empresa mira anunciantes que utilizaram anúncios enganosos — incluindo a tática conhecida como “celeb-bait” (uso indevido da imagem de personalidades), deepfakes e técnicas de cloaking — para aplicar golpes financeiros e vender produtos irregulares em suas plataformas. Até então, a Meta concentrava sua atuação na remoção de conteúdos e na desativação de contas ligadas a fraudes. Agora, a estratégia inclui também a responsabilização civil dos envolvidos, o que é mais assertivo no combate ao crime digital.

    No Brasil, as ações têm como alvo Vitor Lourenço de Souza, suspeito de comandar uma central de golpes em Copacabana, no Rio de Janeiro, e Milena Luciani Sanchez. Ambos são acusados de usar imagens e vozes manipuladas de celebridades para promover supostos produtos de saúde. Também são citadas B&B Suplementos e Cosméticos Ltda. (Brites Corp), Brites Academia de Treinamento Ltda., Daniel de Brites Macieira Cordeiro e José Victor de Brites Chaves de Araujo, apontados como integrantes de uma operação que utilizava deepfakes de um médico conhecido para vender produtos sem aprovação regulatória, além de cursos que ensinavam a replicar o esquema.

    Na China, a Shenzhen Yunzheng Technology é acusada de usar anúncios com “celeb-bait” para atrair vítimas nos Estados Unidos e no Japão para falsos grupos de investimento. Já no Vietnã, a Meta processa Ly Van Lam por empregar cloaking — técnica que exibe uma versão “limpa” de um site aos sistemas de revisão, enquanto apresenta conteúdo fraudulento ao usuário final. Nesse caso, consumidores eram induzidos a fornecer dados de cartão de crédito para comprar produtos de marcas conhecidas com grandes descontos que nunca eram entregues, além de sofrer cobranças recorrentes não autorizadas, prática conhecida como fraude de assinatura.

    Segundo a empresa, além das ações judiciais, foram adotadas medidas técnicas como suspensão de meios de pagamento, bloqueio de domínios, desativação de contas e compartilhamento de informações com parceiros do setor. A companhia afirma ainda ter investido em ferramentas de inteligência artificial capazes de detectar automaticamente práticas de cloaking e acelerar a remoção de anúncios suspeitos.

    A ofensiva inclui também notificações extrajudiciais contra oito consultores de marketing acusados de oferecer serviços para burlar sistemas de moderação, como “desbanimento” de contas e aluguel de perfis confiáveis. A Meta sinaliza que poderá ampliar as medidas legais caso as práticas persistam — indicando que a responsabilização de fraudadores passou a ser prioridade estratégica na proteção de seu ecossistema digital.

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