Gemini chega a 1 bilhão de usários e ameaça hegemonia do ChatGPT
Ao integrar a IA em todo ecossistema, Google encontrou uma arma poderosa para alcançar seu maior concorrente
A corrida pela liderança da inteligência artificial ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 11. O Gemini, assistente de IA do Google, ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários ativos mensais, segundo anúncio do CEO da companhia, Sundar Pichai. “É o produto com crescimento mais rápido da nossa história”, afirmou o executivo. Em fevereiro deste ano, o Gemini estava em aproximadamente 750 milhões de usuários mensais. O feito coloca o Gemini em um patamar até recentemente dominado pelo ChatGPT e mostra como a disputa pela inteligência artificial está deixando de ser apenas uma competição pela tecnologia mais avançada.
O ChatGPT ainda mantém vantagem importante, porque tem 900 milhões de usuários semanais, mas, como as medições usam de métricas diferentes, é impossível compará-los diretamente. A OpenAI trabalha com uma métrica mais exigente, a de usuários ativos semanais, o que indica uma frequência maior de utilização. Mas a velocidade com que o Gemini avança chama atenção. Mais do que conquistar usuários para um chatbot, o Google tem a seu favor um gigantesco ecossistema digital, que inclui Android, Chrome, Busca, Gmail, Maps e Workspace. A integração progressiva da inteligência artificial a serviços que já fazem parte da rotina de bilhões de pessoas cria uma vantagem difícil de reproduzir.
É justamente aí que a competição começa a mudar. A corrida deixa de ser simplesmente “quem tem o melhor modelo? ” para se transformar também em “quem consegue fazer da inteligência artificial um hábito cotidiano? ”. Em vez de procurar deliberadamente uma ferramenta de IA para executar uma tarefa específica, o usuário passa a encontrá-la incorporada ao celular, navegador, mecanismo de busca, e-mail ou aplicativo de mapas. O usuário não precisa decidir “vou abrir uma IA”. Ele faz o que já fazia — pesquisa no Google — e passa a receber respostas produzidas ou organizadas por IA. O mesmo princípio vale para Gmail, Android, Chrome, Maps, Docs e outros serviços. Ele aproveita ferramentas que já faziam parte do hábito do usuário para incorporar o serviço de IA. O ChatGPT tem a desvantagem de ter que desenvolver um novo costume.
Um estudo recente do próprio Google ajuda a dimensionar essa transformação. Batizado de ATLAS, o levantamento analisou 15 milhões de interações anonimizadas com ferramentas de IA da companhia. Os dados abrangem mais de 150 países, 140 idiomas, 800 ocupações e 4. 000 tipos de tarefas. No ambiente profissional, a IA já aparece em ocupações que representam a grande maioria dos empregos americanos, embora sua utilização dentro de cada profissão ainda seja relativamente limitada. O estudo também constatou que a maior parte das interações ocorre como colaboração — para buscar informações, aprender, desenvolver ideias ou formular estratégias — e não para automatizar completamente o trabalho.
O bilhão anunciado por Pichai, portanto, é mais do que um número simbólico. Mostra que, depois da enorme vantagem conquistada pelo ChatGPT ao inaugurar a atual febre da inteligência artificial generativa, o Google encontrou uma arma poderosa para tentar alcançá-lo: transformar a IA de uma ferramenta que o usuário procura em uma tecnologia presente, quase naturalmente, nas atividades digitais do dia a dia.







