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Facebook: a rede social no banco dos réus

As denúncias de Frances Haugen contra o gigante tecnológico de Mark Zuckerberg

Por Alessandro Giannini Atualizado em 8 out 2021, 16h57 - Publicado em 9 out 2021, 08h00

Filha de professores, Frances Haugen, de 37 anos, frequentou desde pequena as convenções políticas do Iowa, nos Estados Unidos, consideradas as primeiras grandes disputas das primárias presidenciais americanas. Deve estar aí, segundo a própria ex-gerente de produto do Facebook, a semente de um senso de responsabilidade cívica que a levou a expor em uma reportagem do The Wall Street Journal as entranhas do gigante tecnológico que se tornou parte indissociável da vida de 3,5 bilhões de usuários no mundo. Nosso vício e dependência, afinal, foram escancarados na segunda-feira 4, quando a plataforma e aplicativos associados ao Facebook, como Instagram e WhatsApp, saíram do ar por problemas técnicos, causando uma onda de abstinência generalizada e prejuízos para profissionais e empresas. A pane não poderia ter ocorrido em pior momento para Mark Zuckerberg, o menino-prodígio que construiu a rede social. No domingo anterior, Haugen mostrou a cara em uma reportagem do programa 60 Minutes, da rede CBS, na qual disse que a empresa privilegiou o lucro sobre os interesses e o bem-estar da comunidade. Depois, ela compareceu ao Congresso para testemunhar, entre outros assuntos, a respeito de como se sabia que o Instagram afeta o comportamento e a psique dos jovens, especialmente as meninas adolescentes, e nada estava sendo feito para mudar isso. Como um dos senadores que a sabatinaram bem definiu, o Facebook vive, além de reveses tecnológicos inesperados, uma profunda crise moral.

Publicado em VEJA de 13 de outubro de 2021, edição nº 2759

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