Oferta Mês dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 29,90

Carta ao Leitor: A IA é humana

Atrelada a bom senso, a inteligência artificial logo será tratada como oxigênio — não apenas respirável, mas necessária, apesar das imperfeições

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 ago 2026, 06h00
Carta ao Leitor: A IA é humana Priorizar nos meus resultados Google

A perspectiva histórica é sempre educativa. No século XIX, um movimento de trabalhadores têxteis ingleses protestava contra o uso de alguns modelos de máquinas que supostamente roubariam empregos, reduziriam os salários e poriam as famílias em severas dificuldades financeiras. Por meio de ataques organizados e simultâneos, a sabotagem coletiva destruía os equipamentos, sem dó nem piedade. Os revoltosos se autointitulavam luditas — seguidores de Ned Ludd, um tecelão cujo nome era usado como pseudônimo em cartas ameaçadoras para proprietários de fábricas e funcionários do governo.

O tempo mostrou que a grita era exagerada e o pavor, desmedido — e a tecnologia representaria um avanço para a civilização em todos os sentidos, com respeito a mão de obra, eliminação do trabalho infantil e mais riqueza. A má distribuição de renda, um problema da civilização, sempre teve mais a ver com más decisões políticas e descontrole das contas públicas do que com o recurso a equipamentos modernos, porque assim caminha a humanidade. A explosão do ludismo, de relevância nos anos 1800, é símbolo de comportamento recorrente — a revolta contra a inovação, que começa com espanto e, ao fim, termina com a percepção de muito barulho por nada, desde que sejam estabelecidas normas éticas para a instalação das novidades revolucionárias.

Três capas da revista Veja sobre inteligência artificial: uma mão humana e uma robótica se tocam; um robô segura um globo terrestre; um robô sorridente digita em um notebook
JORNALISMO - Capas de VEJA em torno da inteligência artificial: atenção desde o início da eclosão da ferramenta (./.)

Foi assim com o computador pessoal, foi assim na gênese da internet e tem sido assim com a inteligência artificial (IA). Uma minuciosa reportagem desta edição, assinada pelo editor Alessandro Giannini, investiga os humores da sociedade a partir de dados ruidosos: pesquisas globais indicam que 66% das pessoas já trabalharam com algum tipo de IA, mas 50% têm receio de usá-la. E mais: 35% temem perder o emprego para os robôs nos próximos cinco anos e 80% defendem que as empresas sejam obrigadas por lei a avisar quando oferecerem serviços com o apoio de algoritmos. É momento interessante demais para ser desdenhado, e VEJA se orgulha de ter acompanhado a eclosão da IA desde o princípio, em sucessivas capas, com o olhar humano, demasiadamente humano, de seus profissionais. Não é o caso de acessar uma bola de cristal inexistente, mas brota uma evidência a partir da evolução técnica e da compreensão do que é possível ou não fazer, de onde se pode chegar: a IA, atrelada a bom senso e regulação onde for preciso regulá-la, logo será tratada como oxigênio — não apenas respirável, mas necessária, apesar das imperfeições. A inteligência artificial é humana.

Continua após a publicidade

Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2026, edição nº 3008

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com textura sutil, uma linha escura vertical no canto esquerdo e um ícone de árvore azul escuro no canto superior direitoFundo bege claro com textura sutil, apresentando um logotipo de árvore azul escuro no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA MÊS DOS PAIS

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).