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Brasil anda de lado em ranking mundial de competitividade digital

Nos últimos 5 anos, o país progrediu, no entanto, não houve constância nas melhorias, o que permitiu o avanço de outras nações

Por Alessandro Giannini Atualizado em 29 set 2021, 00h10 - Publicado em 28 set 2021, 21h01

Divulgado nesta terça-feira, 28, o ranking de competitividade digital 2021 coloca o Brasil em 51º lugar, mantendo a mesma posição alcançada no ano passado, quando o país havia subido na classificação. Realizado pelo International Institute for Management Development (IMD), na Suíça, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), no Brasil, o índice compara 64 países em suas capacidades de criação, manutenção e promoção de tecnologias digitais nos setores público e privado. Este ano, o estudo incorporou Botswana ao rol de nações observadas.

Para elaborar o ranking, os pesquisadores avaliam e analisam três fatores: conhecimento (condições para descoberta e aprendizagem de novas tecnologias), tecnologia (capacidade de desenvolvimento de tecnologias digitais) e prontidão futura (preparo para incorporar as novas tecnologias). Nesta edição, o Brasil mostrou progresso em conhecimento, passando do 57º lugar para o 51º, e em tecnologia, saltando da 57ª posição para a 55ª. E sofreu uma queda em prontidão futura, despencando da 43ª colocação para a 45ª.

Carlos Arruda
Carlos Arruda, Coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral – FDC/ Carol Reis/Divulgação

Nos últimos 5 anos, o país progrediu no ranking, no entanto, não houve constância nas melhorias, o que permitiu o avanço de outros países e explica a estagnação na 51ª posição. A partir desses resultados, nota-se que ainda há muito a ser feito. “Corremos o risco de perder competitividade, mesmo melhorando”, diz Carlos Arruda, Coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral e um dos responsáveis pelo estudo. “Estamos na direção correta, mas não na melhor velocidade.”

O Brasil mostrou ganhos no investimento em telecomunicações em proporção ao PIB (0,5%), subindo da 38ª posição para a 21ª. Na percepção de que o treinamento dos funcionários é uma das prioridades das empresas, o país passou do 59º lugar para o 43º. Além disso, mostrou estabilidade em alguns pontos, como na proporção de pesquisadores do sexo feminino (49%, 8º) e na produtividade de pesquisa e desenvolvimento medido pelo volume de publicações em proporção ao PIB (51.371, 8º).

As principais perdas se concentraram na quantidade de assinantes de banda larga (de 89,2% da população para 75,7%; passando da 23ª posição para a 30ª), no total de gastos em pesquisa e desenvolvimento em proporção ao PIB (de 1,26%, em 2016, para 1,17%, em 2018; passando da 31ª posição para a 35ª) e também na proporção da população usuária de internet. Neste caso, apesar de ter crescido o número de usuários por mil habitantes no Brasil (de 647, em 2017, para 724, em 2020), no ranking geral o país perdeu sete posições (caiu da 46ª posição para a 53ª) devido ao maior crescimento de outros países. A Argentina, por exemplo, passou de 541 usuários por mil habitantes para 830, saindo da 53ª posição para a 39ª.

Para os pesquisadores, o Brasil tem uma deficiência grave em infraestrutura tecnológica. “A velocidade média de acesso à internet no Brasil está muito aquém da potencialidade da tecnologia”, diz Arruda. “Isso significa que vamos atrasar, em relação a outros países, em coisas operacionais. Por exemplo, na hora de digitalizar uma fábrica ou uma operação agrícola. Nós vamos sofrer em relação aos outros porque nossa infraestrutura é inadequada.”

A chave está, diz o analista, em investir mais em pesquisa e desenvolvimento. Tradicionalmente, no Brasil, o setor público investe mais do que o privado. “Nos Estados Unidos, ha investimento do setor público, mas o setor privado investe muito, também. Em meio a uma evolução tecnológica, temos de fazer o mesmo aqui. É a hora certa de fazer isso.”

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