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Vitória contra a celulite: EUA aprovam tratamento ‘revolucionário’

Ação não cirúrgica é capaz de agir diretamente nas fibras que resultam no problema

Por Mariana Rosário Atualizado em 4 set 2020, 10h47 - Publicado em 4 set 2020, 06h00

Um animado movimento feminino deflagrado em diversas partes do mundo bem que tentou mudar a rejeição pela celulite, eterno incômodo entre as mulheres. Uma das ilustres representantes da onda, a cantora americana Demi Lovato, exibiu o bumbum ao natural em um post no Instagram: “Uma foto minha de biquíni sem edição. E adivinhem: é celulite!”. Ashley Graham, famosa modelo plus-si­ze dos Estados Unidos, com 11,2 milhões de seguidores, apareceu de biquíni na plataforma de compartilhamento de fotos e também deu seu pitaco: “Eu me exercito. Faço o melhor que posso para me alimentar bem. Amo a pele em que habito. E não tenho vergonha de algumas gordurinhas, dobrinhas ou celulite, e você também não deveria ter”. No Brasil, a declaração em defesa da normalização dos furinhos veio por meio do clipe Vai Malandra, no qual a cantora Anitta baniu os retoques de sua silhueta — o vídeo, lançado em 2018, já foi visto mais de 450 milhões de vezes no YouTube. A mobilização, bastante positiva ao quebrar preconceitos, parece não ter feito a roda andar.

Nove em cada dez mulheres acima dos 30 anos sofrem do problema, sobretudo nas coxas e no bumbum — e dá para contar nos dedos aquelas que tratam a questão com saudável naturalidade. Estima-se que a metade tenha se submetido a pelo menos um tratamento para tentar reduzir as marquinhas, com pouquíssimo sucesso. Mas, ufa, há uma esperança. A Food and Drug Administration (FDA), a rigorosa agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, acaba de aprovar a venda de um produto capaz de agir na raiz do problema — e não apenas melhorar a aparência, como ocorria até então. Há duas décadas não se via uma novidade desse porte na dermatologia. “É uma revolução”, afirma a dermatologista Kédima Nassif, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Desenvolvida pelo laboratório americano Endo International com o nome de QWO, a técnica consiste em injeções de uma enzima chamada colagenase. O composto é derivado da bactéria Clostridium histolyticum, já usada na medicina para uma doença, a contratura de Dupuytren, que faz com que os dedos do paciente se curvem para dentro. É princípio semelhante ao da celulite, numa comparação um tanto exagerada, mas didática. A disfunção cutânea nasce do enrijecimento das fibras que conectam a epiderme e a derme a uma camada mais profunda de músculos. O problema puxa a pele para baixo, formando o desconfortável aspecto de casca de laranja. A nova injeção dissolve essas fibras, reduzindo a celulite em até dois estágios de gravidade (veja no quadro abaixo).

As injeções são aplicadas em clínicas, em até três sessões repetidas a cada 21 dias. Os principais efeitos adversos relatados pelas usuárias foram dores ou hematomas no local da aplicação. Normalmente, a celulite é relacionada a maus hábitos alimentares, sedentarismo e ganho de peso. “E, no entanto, não é garantido que o estilo de vida saudável impeça seu surgimento”, diz a dermatologista Flavia Ravelli, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Há fatores hereditários, problemas hormonais e de circulação envolvidos. Os tratamentos existentes, como cremes e máquinas de ultrassom, agem apenas superficialmente.

O novo tratamento injetável rendeu boas notícias também na economia. A farmacêutica Endo acumulou altas inéditas nos índices da Nasdaq, bolsa que mede as ações das principais empresas de tecnologia nos EUA. Foram duas altas sucessivas, de até 15,6%, depois do anúncio da aprovação. A injeção chegará aos consultórios médicos americanos no primeiro semestre de 2021. Ainda não há previsão para ser vendido no Brasil — mas ela virá, com certeza.

Publicado em VEJA de 9 de setembro de 2020, edição nº 2703

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