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As pessoas só se tornam adultas aos 30 anos, apontam cientistas

Apesar de nos tornamos legalmente adultos aos 18 anos, o cérebro pode levar até três décadas para se desenvolver completamente

Por Redação Atualizado em 19 mar 2019, 18h43 - Publicado em 19 mar 2019, 17h20

Se você tem mais de 25 anos e de vez em quando ainda se comporta como um adolescente, isso pode ter uma explicação científica. Segundo os cientistas, as pessoas só se tornam completamente adultas aos 30 anos de idade. Os especialistas afirmam que, apesar de nos tornamos legalmente adultos aos 18 anos, o desenvolvimento cerebral ocorre, em média, ao longo de três décadas.

Além disso, de acordo com eles, a segunda década de vida traz uma alta carga de suscetibilidade para transtornos mentais – risco que tende a diminuir por volta dos 30 anos. Os pesquisadores destacaram que a esquizofrenia – distúrbio que tende a ser diagnosticado em adolescentes mais velhos – tem probabilidade de desenvolvimento drasticamente reduzida próximo ao início da terceira década, o que pode estar relacionado ao tempo necessário para que o cérebro de desenvolva completamente. 

“Ter uma definição de quando você muda da infância para a idade adulta parece cada vez mais absurdo. É uma transição muito mais sutil. Eu acho que sistemas como o educacional, o de saúde e o sistema legal criaram essa definição por ser mais conveniente”, comentou Peter Jones, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, durante encontro internacional promovido pela Academia de Ciências Médicas em Oxford.

Ainda somos adolescentes

Segundo especialistas, a adolescência é dividida em três fases: a adolescência inicial (12 a 14 anos), a adolescência intermediária (15 a 17 anos) e a adolescência final (dos 18 anos para cima). Nessa última fase, a cognição do jovem continua se desenvolvendo, assim como a maturidade emocional, a autoimagem e o julgamento, que vão continuar sendo afetados pelo comportamento mais juvenil até o córtex pré-frontal do cérebro se desenvolver totalmente.

  • “A neurociência tem feito esses enormes avanços que mostram que o desenvolvimento não para em uma determinada idade, e que há evidência de evolução do cérebro além dos vinte e poucos anos e que, na verdade, essa pausa no desenvolvimento acontece muito mais tarde do que pensávamos”, explicou Laverne Antrobus, psicóloga infantil em Londres, à BBC em 2013. Ela esclareceu ainda que a atividade hormonal é outra função do corpo que continua a todo o vapor até os vinte e poucos anos de idade.

    Diante dessas constatações, a psicóloga aconselhou que os pais continuem apoiando os filhos que já “chegaram à vida adulta”, especialmente aqueles que querem continuar vivendo junto à família. “Eles precisam de mais apoio durante esses anos de formação, e é importante que os pais percebam que nem todos os jovens se desenvolvem no mesmo ritmo”, ressaltou na época.

    Críticas

    Apesar disso, há desaprovação a respeito da crença de que o período da adolescência possa se estender até os 25 ou 30 anos. Para os críticos, se esses jovens infantilizados não forem estimulados a tomar as próprias decisões, eles terão dificuldades para formar e lidar com as relações adultas, sejam amorosas ou profissionais. “Temos hoje esse tipo de mudança cultural que significa, basicamente, que a adolescência se estende em seus vinte e tantos anos e isso pode prejudicar você de várias maneiras”, alertou Frank Furedi, da Universidade de Kent, na Inglaterra, à BBC também em 2013.

    O sociólogo também destacou que essa ‘dependência passiva’ está relacionada à forma como os pais criam os filhos atualmente: buscando protegê-los de tudo e interferindo demais na vida deles, o que os impede de viver experiências da vida real. “Tratamos estudantes de universidade da mesma maneira que tratávamos alunos de escola, e é esse tipo de efeito cumulativo de infantilização que eu acho ser o responsável por isso”, concluiu. 

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