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Vacinação: as razões do descompasso entre 1º e 2º dose no Brasil

Atraso na segunda dose, lentidão nos primeiros meses de vacinação e características das vacinas explicam o fenômeno

Por Mariana Rosário Atualizado em 13 abr 2021, 12h55 - Publicado em 13 abr 2021, 12h41

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou na manhã desta terça-feira,13, que cerca de 1,5 milhão de segundas doses de vacinas contra Covid-19 que deveriam ter sido aplicadas estão atrasadas.

Considerando esse levantamento da pasta do governo federal, é possível calcular que — se essas pessoas tivessem cumprido os prazos corretos de aplicação da segunda etapa — o número de brasileiros com o cronograma vacinal completo chegaria a 4,2% da população, em comparação com os 3,5% atuais.

Ainda assim, o número de aplicações de segunda etapa não chegaria à metade dos 11,3% pessoas imunizadas com ao menos uma dose de antígenos contra a Covid-19 no Brasil.  Esse descompasso não é fruto apenas do atraso de aplicação da segunda dose, mas também está ligado ao ritmo mais lento de vacinação em janeiro e fevereiro — quando comparados ao mês de março — e ao ciclo de tempo previsto para a aplicação das duas vacinas utilizadas no Brasil atualmente.

Seguindo o painel do Ministério da Saúde, das vacinas totais de primeira dose, 4,5 milhões correspondem ao antígeno do consórcio Oxford/AstraZeneca, que tem três meses de pausa e, portanto, ainda não concluiu o tempo hábil para que se praticasse uma segunda aplicação em nenhum dos vacinados, uma vez que as primeiras aplicações ocorreram a partir de 23 de janeiro.

A CoronaVac, por sua vez, funciona em esquema diferente: com pausa de 28 dias, no máximo. Além das 1,5 milhões de doses em atraso, por conta de pessoas que não foram aos pontos de aplicação para receber a segunda agulhada, há de se considerar que um volumoso número de vacinações se deu nas últimas quatro semanas conforme monitor disponibilizado pelo SUS. De acordo com o levantamento feito por VEJA, pelo menos 9,5 milhões de does foram distribuídas em prazo inferior a 28 dias, e, portanto, não estariam ainda totalmente aptas para a segunda aplicação.

Esses dados do Ministério da Saúde, porém, ainda apresentam um atraso em relação ao levantamento divulgado diariamente pelos estados e compilados por VEJA. Portanto, é de se considerar que o número de primeiras doses aplicados nos últimos 28 dias seja ainda maior.

De acordo com o secretário executivo do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, esse número é defasado por conta das diversas informações a serem alimentadas no portal. “É a primeira vez que informamos tantos detalhes sobre uma campanha de imunização, isso causa uma certa lentidão na notificação de vacinações”, diz. “O número que os estados divulgam diariamente é maior porque eles contam com sistemas próprios, mais simplificados, para que se faça esse acompanhamento de maneira mais simples e rápida”. Além disso,  Junqueira explica que há cidades com problemas de conexão com a internet, o que também atrasa a apresentação das informações ao governo federal.

 

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