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Vacina contra tuberculose será testada para Covid-19 no Brasil

Fármacos chegarão ao país em outubro; resultados preliminares são esperados para três meses após a aplicação nos voluntários

Por Mariana Rosário - 10 set 2020, 17h11

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começará a testar a vacina BCG, contra tuberculose, para verificar uma possível eficácia do fármaco para Covid-19. Os estudos ocorrerão no Rio de Janeiro e em Mato Grosso do Sul. O fármaco é tradicionalmente aplicado em todos os recém-nascidos desde 1977.

Trata-se de um estudo multinacional em parceria com o Murdoch Children’s Research Institute, uma entidade australiana ligada à pediatria. Também devem participar dos estudos de fase 3 — os mais avançados — países como o Reino Unido, Espanha e a Austrália.  No Brasil serão 3.000 participantes, 2.000 em Mato Grosso do Sul e 1.000 no Rio de Janeiro. Serão aceitos na testagem profissionais da saúde com mais de 18 anos (não há limite de idade na participação). 

Por já ser um fármaco registrado no país não é necessário pedir autorização prévia à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) somente ao Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), que já deu aval para a pesquisa no país. As doses devem chegar ao país em outubro, trata-se de um lote produzido na Dinamarca, onde todos os participantes do estudo importarão o fármaco.

“Dois relevantes estudos apontam que, no primeiro ano até os primeiros dezoito meses de aplicação, a vacina BCG produz uma consistente resposta imune no organismo contra diversos tipos de infecções virais”, diz o infectologista Julio Croda, especialista da Fiocruz que coordena o estudo no Brasil. “Isso não quer dizer que as pessoas devem correr ao posto de saúde em busca desta vacina agora, estamos fazendo esse estudo justamente para verificar se há algum tipo de eficácia contra a Covid-19”, alerta o especialista.

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Os participantes serão constantemente monitorados e farão testes de sangue e sorológicos afim de analisar a eficácia do imunizante ao longo de um ano. Resultados preliminares devem ser conhecidos três meses após as primeiras aplicações, previstas para o mês que vem. Caso algum dos pacientes tenha sintomas da Covid-19 poderá fazer os testes para a doença gratuitamente junto à Fiocruz.

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