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Usando método polêmico, remédio experimental retarda avanço do Alzheimer

A droga lecanemab retardou o progresso da doença em 27% em estudo com 1.800 pacientes em estágio inicial

Por Diego Alejandro 29 set 2022, 15h20
Usando método polêmico, remédio experimental retarda avanço do Alzheimer Priorizar nos meus resultados Google

Em um campo onde raramente há sucesso, um medicamento experimental para a doença de Alzheimer retardou o declínio cognitivo e funcional em um grande teste com pacientes nos estágios iniciais da doença, anunciaram as farmacêuticas Eisai Co Ltd e Biogen nesta terça-feira, 27.

Até agora, vários fabricantes de medicamentos tentaram e falharam em encontrar um tratamento eficaz para a doença que afeta cerca de 55 milhões de pessoas em todo o mundo – e que pode chegar a 74,7 milhões em 2030 – , de acordo com a Alzheimer’s Disease International. No Brasil, cerca de 1,2 milhão pessoas vivem com alguma forma de demência e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano

A droga lecanemab retardou o progresso da doença em 27% em comparação com um placebo. Os resultados do teste de 1.800 pacientes provam a velha teoria de que a remoção de depósitos pegajosos de uma proteína chamada beta-amiloide do cérebro de pessoas com Alzheimer precoce pode retardar o avanço da doença debilitante.

Eisai agora busca “aprovação acelerada” da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, com decisão prevista para o início de janeiro. O objetivo é a aprovação e comercialização total do medicamento nos Estados Unidos, Europa e Japão até o final de 2023, disse o CEO Haruo Naito a repórteres em Tóquio.

Muito cedo

Lecanemab é um anticorpo intravenoso projetado para remover depósitos de beta-amiloide que ainda não se aglutinaram.

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A chamada hipótese amilóide foi contestada por alguns cientistas, particularmente após a controversa aprovação do medicamento Aduhelm, da Biogen, pela FDA em 2021 com base em sua capacidade de remoção de placas, ao invés de mostrar qualquer retardamento do declínio cognitivo. A decisão foi contra até o painel de especialistas externos da agência, que desaconselhou a aprovação.

Embora os resultados de primeira linha do lecanemab sejam convincentes, ainda é “muito cedo” para determinar se os efeitos são clinicamente significativos, disse Kristian Steen Frederiksen, diretor de uma unidade de ensaios clínicos da Universidade de Copenhague.

A doença de Alzheimer “é uma doença extremamente complexa e é improvável que a patologia relacionada à amiloide seja o único jogador”, disse ele. “Portanto, atingir um único alvo provavelmente não produzirá grandes tamanhos de efeito”.

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