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Uma arma pouco convencional pode barrar a ‘E. coli’: radiação

Especialistas concordam que o uso de radiação nos alimentos os livram de bactérias potencialmente mortais como 'Salmonella ssp' e 'E. coli'. O método, seguro, não avança por causa do medo irracional, agravado após Fukushima

Por Jones Rossi 17 jun 2011, 23h30

Pesquisas já provaram que a radiação de alta energia produzida pelos geradores de elétrons mata bactérias como a E. coli, responsável pela morte de dezenas de pessoas na Alemanha

Cientistas americanos sugerem uma solução pouco convencional para evitar futuros surtos de bactérias como os que atingiram a Alemanha e a França na semana passada: a radiação.

É fundamental frisar que a radiação usada em alimentos é bem diferente da emitida pelos reatores nucleares. Nos Estados Unidos, o recurso é aprovada pela agência que regula medicamentos e alimentos, a FDA (Food and Drug Administration). O método mais comum usa um gerador de elétrons para produzir radiação ionizante de alta energia. Ela destrói as ligações químicas das moléculas de bactérias como a E. coli e a Salmonella ssp, levando-as à morte. O método é chamado de pasteurização a frio, já que, ao contrário da pasteurização normal, não utiliza calor para matar os micróbios.

É perfeitamente segura, como afirma Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisas para Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, citado em uma coluna do ex-editor da revista The Economist Matt Ridley no Wall Street Journal. Segundo ele, a tecnologia já provou ter padrões de segurança maiores que os fornos micro-ondas e mesmo que remédios e vacinas.

De fato, a radiação poderia ter salvado muitas vidas sem oferecer nenhum risco à saúde. Dois fatores conspiram contra a tecnologia. O primeiro: ela é cara. Embora pudesse ser utilizada sem significar um sacrifício financeiro por grandes frigoríficos, seria inviável em fazendas de produtos orgânicos, como a que se acredita ser a fonte da contaminação que ocorreu na Alemanha.

O segundo fator é mais subjetivo. “O público com certeza rejeitaria qualquer alimento que trouxesse na embalagem o símbolo de radiação”, diz Alexandre Momesso, professor de microbiologia e parasitologia e coordenador do curso de pós-graduação em controle sanitário da Universidade de São Caetano do Sul. “Nem por isso”, afirma, “o método deixa de ser eficiente. Sabemos que esse tipo de radiação não deixa resíduos, tampouco altera o sabor dos alimentos.”

Na Alemanha, o uso de radiação nos alimentos foi vetada no ano 2000. Agora, menos de um mês depois da chanceler Angela Merkel anunciar a decisão de fechar todas as usinas nucleares alemãs até 2022, parece improvável, mesmo com as mortes se acumulando devido aos efeitos da E. coli, uma medida que reverta a decisão tomada há 11 anos.

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