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Truvada é seguro para prevenir vírus da aids, aponta estudo

Pesquisadores acompanharam pessoas com alto risco de infecção por 17 meses e concluíram que o medicamento não incentiva sexo desprotegido

Por Da Redação 23 jul 2014, 11h25

Desde maio deste ano, as autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendam que americanos saudáveis com alto risco de contrair HIV tomem diariamente o medicamento Truvada para prevenir a doença. A pílula combina dois antirretrovirais e sua indicação original é para evitar a propagação do vírus em pessoas que acabaram de ser infectadas.

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TRUVADA

O Truvada, comercializado desde 2004, é a combinação de outras duas drogas, mais antigas, usadas no combate ao HIV: Emtriva e Viread. Os médicos normalmente receitam a medicação como parte de um coquetel que dificulta a proliferação do vírus, reduzindo as chances de a aids se desenvolver.

A capacidade de prevenção do Truvada foi anunciada pela primeira vez em 2010 como um dos grandes avanços médicos na luta contra a epidemia de aids. Um estudo de três anos descobriu que doses diárias diminuíam o risco de infecção em homens saudáveis em 44%, quando acompanhados por orientação e pelo uso de preservativo.

O Truvada costuma provocar, como efeito colateral, vômitos, diarreia, náuseas e tontura. Há casos também de intoxicação do fígado, perda óssea e alteração da função renal.

Embora estudos tenham demonstrado que a droga chega a ser 99% eficaz, ainda existem algumas preocupações sobre o método. Por exemplo, se a abordagem acabaria dando aos pacientes uma falsa sensação de segurança e incentivando o sexo desprotegido. As pesquisas demonstram que a maior proteção do tratamento acontece com o uso diário da pílula e se o método for associado a outras medidas de segurança, principalmente o uso de preservativo.

Resultados de um estudo sobre o Truvada apresentados nesta quarta-feira durante a Conferência Internacional de Aids, na Austrália, porém, apontam que o uso do medicamento não incentiva o sexo desprotegido e que a droga é eficaz mesmo se o paciente esquece de tomar alguma pílula.

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A pesquisa é continuação do estudo original feito para avaliar a eficácia do Truvada, que envolveu cerca de 1.600 homens gays e mulheres transgênero dos Estados Unidos, América do Sul, África e Tailândia. Quando essa primeira análise foi encerrada, três quartos dos participantes aceitaram continuar recebendo as pílulas gratuitamente, e todos os voluntários foram acompanhados por mais 17 meses.

Proteção – Segundo os pesquisadores, durante esse período, nenhuma pessoa que tomou o medicamento pelo menos quatro vezes na semana contraiu o HIV. Além disso, usar o Truvada apenas duas ou três vezes por semana parece reduzir o risco da doença em comparação com ingerir a droga com menor frequência ou não seguir o tratamento.

O estudo também mostrou que os participantes não passaram a usar preservativos com menor frequência com o uso do Truvada. Também não houve aumento da incidência de outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis.

“Estamos encorajados. Há um certo perdão por esquecer algumas doses. E o medicamento é seguro”, disse à agência Associated Press Robert Grant, coordenador do estudo e especialista do Instituto Gladstone, que é filiado à Universidade da Califórnia em São Francisco, Estados Unidos.

No Brasil, o uso do Truvada para prevenir o HIV ainda não é autorizado.

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