Oferta Relâmpago: Assine por apenas 9,90

A ameaça da inflamação silenciosa ao coração

Novo estudo internacional mensura o impacto desse fator “oculto” no risco cardiovascular

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 Maio 2026, 09h00 | Atualizado em 28 Maio 2026, 11h14
A ameaça da inflamação silenciosa ao coração Priorizar nos meus resultados Google

Graças aos avanços das últimas décadas, hoje milhões de pessoas conseguem controlar colesterol, pressão arterial e diabetes com medicamentos eficazes e mudanças no estilo de vida. Ainda assim, muitos pacientes continuam sofrendo infarto, derrame cerebral e insuficiência cardíaca. Por quê? Um grande estudo internacional acaba de reforçar uma das explicações para esse fenômeno: a inflamação persistente nos vasos sanguíneos e no coração.

Apresentado no congresso anual da Sociedade Europeia de Aterosclerose, realizado em Atenas, na Grécia, o estudo POSEIDON (sim, nome de deus grego) avaliou 18.904 pacientes em 18 países e concluiu que dois em cada cinco indivíduos com doença cardiovascular apresentam inflamação elevada, mesmo recebendo o tratamento considerado padrão atualmente.

A pesquisa analisou pessoas com a tal da aterosclerose — quadro em que placas de gordura se acumulam nas artérias — associada a doença renal crônica ou insuficiência cardíaca.

O que é inflamação cardiovascular?

A inflamação é uma resposta natural do organismo a agressões, infecções ou lesões. O problema surge quando ela se torna persistente e silenciosa. Nesse cenário, o processo inflamatório passa a danificar vasos sanguíneos, acelerar o acúmulo de placas de gordura e favorecer eventos graves, como infarto e derrame cerebral.

Hoje, cientistas entendem que a aterosclerose não é apenas um problema de colesterol elevado. Ela também envolve um processo inflamatório contínuo dentro das artérias.

No estudo POSEIDON, os pesquisadores utilizaram um marcador sanguíneo chamado proteína C-reativa de alta sensibilidade, ou hsCRP, para medir a inflamação cardiovascular. Valores iguais ou superiores a 2 mg/L foram considerados indicativos de inflamação elevada.

Continua após a publicidade

O hsCRP já é usado em diversos países como marcador complementar de risco cardiovascular e vem ganhando espaço em diretrizes médicas internacionais.

Entre os participantes com doença cardiovascular aterosclerótica e doença renal crônica, 42,7% apresentavam inflamação persistente. Outro braço do estudo, publicado no European Journal of Heart Failure, mostrou resultado semelhante em pacientes com insuficiência cardíaca: cerca de dois em cada cinco também tinham inflamação cardiovascular elevada.

Os dados chamam a atenção porque a maioria desses pacientes já recebia tratamento convencional para fatores clássicos de risco, como colesterol alto, hipertensão e diabetes.

Segundo os autores, isso sugere a existência de um “risco residual inflamatório” — ou seja, um perigo cardiovascular que permanece mesmo quando os parâmetros tradicionais estão controlados.

Continua após a publicidade

Estes resultados mostram uma necessidade clínica não atendida e reforçam a importância de desenvolver terapias direcionadas especificamente contra a inflamação cardiovascular. 

Nos últimos anos, medicamentos originalmente desenvolvidos para diabetes e obesidade também passaram a demonstrar benefícios cardiovasculares importantes. Parte desse efeito pode estar relacionada justamente à redução de processos inflamatórios.

Ainda assim, especialistas ressaltam que a inflamação cardiovascular é complexa e multifatorial. Não existe hoje um tratamento amplamente estabelecido voltado exclusivamente para combatê-la.

Mas a medicina baseada em evidências está atenta. Grandes sociedades médicas, como a European Society of Cardiology, a American Heart Association e o American College of Cardiology, já reconhecem a proteína C-reativa de alta sensibilidade como um marcador e exame relevante.

Continua após a publicidade

O que muda para os pacientes?

Os resultados não significam que todas as pessoas devam sair correndo para fazer exames específicos ou iniciar novos medicamentos. Devemos lembrar que o controle dos fatores tradicionais – colesterol, pressão, glicemia, peso… – continua sendo a principal estratégia de prevenção.

Parar de fumar, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, dormir bem e controlar os problemas crônicos de base seguem como pilares fundamentais.

Mas o estudo fortalece uma tendência importante na cardiologia moderna: a ideia de que o risco cardiovascular é mais amplo do que apenas números de colesterol.

Nos próximos anos, pesquisadores devem investigar quais pacientes mais se beneficiam de terapias anti-inflamatórias específicas e como incorporar essa abordagem à prática clínica de forma segura e eficaz.

Enquanto isso, o recado parece claro: mesmo quando exames tradicionais estão “em ordem”, o organismo pode continuar enfrentando uma inflamação silenciosa capaz de ameaçar o coração e as artérias.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 33% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).