SUS incorpora cirurgia combinada para glaucoma e catarata
Nova técnica, chamada goniotomia excisional, é indicada para casos leves a moderados do tipo mais comum de glaucoma; entenda como funciona
Uma nova técnica para tratar glaucoma e catarata em apenas um procedimento teve a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) oficializada e, segundo o Ministério da Saúde, deve gerar uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano de utilização. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 21, após publicação de portaria atualizando o tratamento de doenças que impactam a saúde ocular.
O procedimento é indicado para casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto, o tipo que tem avanço lento e sem sintomas perceptíveis. A sugestão de inclusão na rede pública foi da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), que submeteu a proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O aval foi dado em 21 de agosto.
“Além de ampliar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, essa inovação otimiza recursos públicos e reforça o compromisso do SUS de levar o que há de mais avançado na medicina para quem mais precisa”, avaliou a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri.
Como funciona a cirurgia
O objetivo da adoção do método é modernizar o tratamento oferecido atualmente no SUS com colírios para reduzir a pressão intraocular elevada em pacientes com glaucoma.
Quando há dificuldade de adesão ou o medicamento não alcança o efeito esperado, são realizadas intervenções com laser ou cirurgia. A mais conhecida é o implante do iStent, que faz drenagem oftalmológica.
A nova técnica, chamada goniotomia excisional, consiste em remover o cristalino opaco, característico da catarata, para a substituição e a desobstrução do canal de drenagem do olho na mesma cirurgia.
O procedimento já foi incluído no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o glaucoma e poderá ser feito de duas formas: “por meio de uma pequena incisão na córnea, chamado de goniotomia excisional, ou a partir de um microcateter ou fio cirúrgico introduzido no canal natural de drenagem do olho, a trabeculotomia transluminal”, detalhou, em nota, o ministério.
De acordo com o ministério, a técnica leva à recuperação mais rápida, reduz o risco de complicações e permite um controle mais eficaz da pressão intraocular.
Nos pacientes com glaucoma, é o descontrole da pressão dentro do olho que pode causar cegueira se o tratamento não for feito.
Outro ponto positivo citado pela pasta foi a economia de recursos com o tratamento. “A incorporação da goniotomia excisional, por sua vez, poderá resultar em uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano, alcançando R$ 93,2 milhões no quinto ano. Nesse período, o montante total economizado será de R$ 276 milhões na substituição da cirurgia com iStent pela goniotomia excisional.”
Saiba mais sobre glaucoma e catarata
O glaucoma é uma condição crônica que afeta a estrutura responsável por levar as imagens captadas pelo olho para o cérebro, o nervo óptico. Sem tratamento, causa a perda progressiva das células da retina, a parte mais nobre do olho que não se regenera se for danificada, e impacta a visão periférica.
Além do glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), existe o glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF), que ocorre de forma súbita e aguda.
A doença acomete até 3% da população brasileira com mais de 40 anos e o glaucoma de ângulo aberto é o mais prevalente, correspondendo a 60% dos diagnósticos.
A catarata é um problema mais conhecido e que atinge principalmente os idosos. Ela é causada pela perda da transparência de uma estrutura presente no olho chamada cristalino. Quando ela fica opaca, a capacidade visual é reduzida.







