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Sarampo: sobe para 822 o número de casos no Brasil

Em apenas uma semana, houve um aumento de 21% no número de casos da doença

O número de casos de sarampo confirmados no Brasil subiu para 822, de acordo com dados atualizados pelo Ministério da Saúde. No último boletim, divulgado na semana passada, a pasta havia confirmado 677 casos – 97% deles no Amazonas e Roraima, estados que enfrentam surto de sarampo, todos importados da Venezuela. Os 145 novos casos representam um aumento de 21,4% no período de uma semana.

Até quarta-feira, foram confirmados 519 casos de sarampo no Amazonas, contra 444 na semana passada (16,8% a mais); Roraima também registrou aumento: eram 216, agora são 272 (25,9% a mais). Outros casos isolados – também de importação – foram identificados nos estados de São Paulo (1), Rio de Janeiro (14), Rio Grande do Sul (13), Rondônia (1) e Pará (2). 

Ainda há 3.831 casos em investigação, 97,2% deles no Amazonas. Na semana passada, uma equipe de saúde da Prefeitura de Manaus, responsável pela vacinação contra o sarampo, foi impedida por traficantes de continuar as atividades. O Ministério da Saúde informa que permanece acompanhando a situação, além de realizar medidas de vacinação de bloqueio, mesmo em casos suspeitos.

Campanha de vacinação

A vacina contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é ofertada gratuitamente pelo SUS. Este ano, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo será realizada de 6 a 31 de agosto. O Dia D está agendado para 18 de agosto.

Todas as crianças com idade entre 1 ano e 5 anos devem ser levadas aos postos de saúde – mesmo que já tenham sido imunizadas anteriormente. A indicação é que elas recebam uma dose da tríplice viral (que protege contra o sarampo, rubéola e caxumba) aos 12 meses e uma da tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela) aos 15 meses. Crianças entre 5 e 9 anos que não foram vacinadas anteriormente devem receber duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas.

Adultos não vacinados também devem receber a vacina, principalmente em locais de surto, como Roraima e Manaus. Pessoas que já completaram o esquema vacinal não precisam se vacinar novamente.

Manifesto pela prevenção

Nesta quinta-feira, as Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP), Imunizações (SBIm), e Infectologia (SBI), em parceria com o Rotary Internacional, assinaram um manifesto chamando a atenção da população sobre a importância de manter a vacinação em dia para evitar doenças e suas sequelas, como o sarampo e a poliomielite.

O documento alerta a população e profissionais de saúde para a real possibilidade de retorno da pólio e da reemergência do sarampo em território nacional. O manifesto também reforça que a imunização continua sendo a melhor ferramenta na promoção e manutenção da saúde da população brasileira.

Doenças erradicadas

No início do século XX, poliomielite e varíola eram doenças endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de imunização foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico das doenças imunopreveníveis no Brasil ao erradicar a febre amarela urbana, a varíola, a poliomielite, a rubéola, a síndrome da rubéola congênita e o sarampo.

Além disso, reduziu drasticamente a circulação de agentes patógenos, responsáveis por doenças como a difteria, o tétano e a coqueluche. “Não podemos perder a vigilância sobre a vacinação. É ela que protege nossos filhos de sequelas e até a morte por doenças evitáveis”, afirma Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Em 2016, a região das Américas foi a primeira em todo o mundo a ser declarada livre do sarampo. No mesmo ano, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo. Segundo o governo, o país está trabalhando para interromper a transmissão dos surtos. Entre 2013 e 2015, o Brasil registrou surtos decorrentes de pacientes vindos de outros países, quando foram registrados 1.310 casos de sarampo – a maioria, em Pernambuco e no Ceará.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão) para poliomielite. O Brasil está livre da doença desde 1990, recebendo em 1994 a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem.

(Com Agência Brasil)