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Qdenga, nova vacina contra a dengue, começa a ser aplicada no país

Indicado para pessoas de 4 a 60 anos, imunizante independe de exposição anterior ao vírus, mas será disponibilizada apenas na rede privada

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 28 jun 2023, 15h21 - Publicado em 26 jun 2023, 17h59

A partir desta semana, a nova vacina contra a dengue, Qdenga, do laboratório japonês Takeda Pharma, estará disponível no Brasil. Aprovada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante é o primeiro a ser liberado no país para pessoas que nunca tiveram a doença. “É uma vacina tão esperada, que finalmente chegou. É a hora de torná-la uma realidade”, diz o infectologista Renato Kfouri,  vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Aplicada em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as injeções, a Qdenga é composta pelos quatro sorotipos diferentes do vírus da dengue, transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes Aegypti. Nos ensaios clínicos, mostrou ter uma eficácia geral de 80,2% na prevenção dos casos de dengue sintomática (12 meses após a vacinação). O imunizante também reduziu as hospitalizações em 90,4%. “Ela não só cumpriu todos os critérios de eficácia, como também de segurança”, afirma o infectologista. “e não foram observados efeitos colaterais importantes nesses grupos vacinados durante os estudos, ou seja, confirmou o perfil de segurança no curto e no longo prazo, bem como a persistência da proteção por praticamente cinco anos daqueles indivíduos vacinados”, completa Kfouri, sobre o imunizante que em dezembro de 2022, também foi autorizado na Europa, aprovado pela European Medicines Agency.

Liberada para pessoas de 4 a 60 anos, a vacina, no entanto, será aplicada apenas na rede privada como clínicas, farmácias e laboratórios, com preços a partir de R$ 301,27, dependendo da região, segundo tabela da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A Dasa, que detém laboratórios como Alta, Delboni e Lavoisier, começa a oferecer o imunizante esta semana.

Para a rede pública de saúde, ainda não há prazo de disponibilização da Qdenga, decisão que depende da aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). “O Brasil precisa iniciar a vacinação de sua população. É claro que não vamos dispor de doses da noite para o dia para todos os brasileiros, mas precisamos iniciar, definir quem são os grupos prioritários, que regiões vacinar e que idades, de acordo com o número de doses que teremos disponíveis. É urgente que avancemos em um programa de imunização de uma doença com impacto tão grande como é a dengue no nosso país. E é desejo de todos que, em breve, seja incorporada no programa público de vacinação”, diz o médico, que também é presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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Até o momento, a única vacina contra a dengue disponível no Brasil era a Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi Pasteur, recomendada somente para quem já teve a doença pois age contra uma possível segunda infecção mais grave. “No caso da Qdenga, por se tratar de uma vacina de vírus vivos enfraquecidos, é contra-indicada para grávidas, mulheres que estão amamentando e pacientes com imunossupressão grave, ou seja, aqueles com câncer, transplantados e portadores do vírus HIV”, explica Kfouri. “Indivíduos que tem alguma comorbidade como diabéticos e cardíacos podem e devem tomar a vacina, já que o risco de agravamento da dengue é ainda maior nessa população.”

O Instituto Butantan, em São Paulo, também está desenvolvendo a vacina Butantan-DV, contra a dengue. Nos ensaios clínicos de fase 3, o imunizante mostrou uma eficácia de 79,6% para evitar a doença. Em 2024, o acompanhamento completa cinco anos e, poderá então, ser submetido à aprovação da Anvisa.

Nova esperança 

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Em 2022, o Brasil atingiu um número recorde de mortes por dengue: 1.016 registros de óbitos. Nos primeiros meses deste ano, as taxas também foram bem altas no país, com 731 mortes confirmadas até o momento, período em que mais de 1,4 milhão de casos foram registrados pelo Ministério da Saúde.

Qualquer pessoa, de todas as faixas etárias são passíveis à doença, sendo as mais velhas e com doenças crônicas, como as hipertensas e diabéticas, com maior risco de desenvolvimento de cquadros graves que podem levar à morte. A forma mais grave é a dengue hemorrágica, mais comum quando se contrai o vírus pela segunda vez.

Entre os principais sintomas da dengue estão a febre alta, dor no corpo e articulações, mal-estar, dor de cabeça e atrás dos olhos e manchas vermelhas no corpo. A maneira mais eficaz de evitar a doença é não deixar água parada, onde o mosquito se reproduz. “O controle e a redução dos criadouros de mosquitos são muito difíceis em um país com grandes desigualdades sociais, grandes dificuldades de saneamento básico e lixões a céu aberto como o Brasil”, comenta Kfouri. “Por isso, essa vacina é tão importante já que evitará não só o adoecimento individual, como ajudará no controle de uma doença que impacta de uma maneira extremamente significativa todo o nosso serviço de saúde”, finaliza.

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