Proibido, suplemento com ora-pro-nóbis continua à venda na internet
Produtos com a planta não podem ser vendidos por determinação da Anvisa; ora-pro-nóbis não tem autorização como ingrediente de suplementos

Um dia após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir a venda de suplementos com ora-pro-nóbis, o produto continuava disponível em sites de produtos naturais, farmácias e plataformas de e-commerce nesta sexta-feira, 4. A reportagem de VEJA fez buscas nesta tarde e constatou a comercialização.
Por volta das 15 horas, uma versão em pó do suplemento estava à venda no site da Drogaria São Paulo, mas apenas para compra online. A retirada em loja não era permitida. Quinze minutos após o contato da reportagem, o Grupo DPSP informou que “não comercializa suplementos a base de ora-pro-nóbis em sua rede, se mantendo sempre alinhado à todas as normas que regulam o setor do varejo farmacêutico”.
Sobre o suplemento à venda, disse que “identificou um fornecedor do marketplace negociando esse tipo de produto e, como medida, a operação já foi suspensa nos canais digitais”. Um novo acesso mostrou que o suplemento não aparece mais no site.
Outras plataformas, como Carrefour e Magazine Luiza (Magalu), também estavam com suplementos com a planta sendo comercializados mesmo com a proibição. Uma busca no Google fornece links com opções a partir de R$ 15,70.
Por meio da assessoria, o Carrefour informou que as empresas de marketplace foram acionadas assim que a Anvisa anunciou a proibição e que a remoção dos links do ar já foi determinada, mas, “por questões tecnológicas, a retirada não ocorre de forma imediata”.
Também pelo setor de imprensa, o Magalu disse que os suplementos já foram retirados do ar. “A companhia destaca que possui instrumentos de controle e revisão dos anúncios que garantem a conformidade de suas operações: uma política rígida de seleção de parceiros, listas restritivas de produtos, ferramentas de monitoramento contínuo e mecanismos com os quais fornecedores e marcas podem retirar um anúncio do ar quando identificarem produtos ilegais ou similares aos seus.”
Por que a Anvisa proibiu suplementos com ora-pro-nóbis?
Tradicional na culinária mineira e de Goiás, a planta ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) pode continuar sendo consumida em sua versão natural. Ela foi proibida pela Anvisa apenas para uso em suplementos por não ter autorização para ser utilizada como um componente desses produtos.
Em suplementos, a agência prevê que ingredientes específicos passem por avaliação de segurança e eficácia. Eles serão aprovados caso seja comprovado “de forma científica que o produto seja fonte de algum nutriente ou substância de relevância para o corpo humano”. Esses dados devem ser fornecidos pela empresa interessada em comercializar o suplemento.
A ora-pro-nóbis não passou por esse processo, por isso, a proibição publicada nesta quinta-feira, 3, no Diário Oficial da União (DOU).
“Suplementos alimentares não são medicamentos e, por isso, não podem alegar efeitos terapêuticos como tratamento, prevenção ou cura de doenças. Os suplementos são destinados a pessoas saudáveis. Sua finalidade é fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos em complemento à alimentação”, explica a Anvisa.
A agência mantém uma lista com todos os constituintes autorizados para suplementos alimentares, como vitaminas, proteínas e fibras alimentares. Ela pode ser consultada aqui.