Pílula sem hormônios contra ondas de calor da menopausa é aprovada no Reino Unido; veja como age o remédio
Medicamento não hormonal bloqueia mecanismo ligado aos fogachos e aos suores noturnos; no Brasil, fármaco aguarda avaliação da Anvisa
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) aprovou nesta quarta-feira, 11, um novo medicamento oral não hormonal, o fezolinetante, vendido com o nome comercial Veozah, desenvolvido para tratar as ondas de calor da menopausa.
Atualmente, não existem no Brasil medicamentos específicos sem hormônios para tratar fogachos e suores noturnos — um incômodo que, por aqui, costuma ser contornado apenas com a terapia de reposição hormonal. O Veozah aguarda aprovação final pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Criado pela farmacêutica japonesa Astellas, o fezolinetante apresentou resultados considerados positivos em um estudo de vida real divulgado no final do ano passado. Nesse tipo de pesquisa, os cientistas observam os efeitos da medicação já em uso em determinada população.
A análise envolveu mais de 900 mulheres entre 40 e 75 anos que sofriam com os chamados sintomas vasomotores da menopausa, principalmente ondas de calor e suores noturnos.
Em conclusão preliminar, os autores do estudo OPTION-VMS observaram que o medicamento foi eficaz para reduzir manifestações de intensidade moderada a intensa. Também foram relatadas melhorias na qualidade do sono, nas atividades diárias e na produtividade no trabalho.
Como a nova pílula age
O fezolinetante é um comprimido de uso diário desenvolvido para bloquear o mecanismo cerebral que desencadeia fogachos e suores noturnos.
“Ele atua na raiz dos sintomas vasomotores, diretamente no centro termorregulador do hipotálamo, região do cérebro responsável por regular a temperatura corporal”, explica a ginecologista Thaís Ushikusa, diretora de Assuntos Médicos da Astellas no Brasil.
Segundo a especialista, com a queda do estrogênio — hormônio cuja produção diminui na menopausa — ocorre um desequilíbrio nesse sistema. Nesse cenário, uma substância chamada neurocinina B passa a se ligar a receptores no hipotálamo, enviando um sinal que desencadeia as ondas de calor e os suores noturnos.
“Nossa medicação foi desenvolvida para impedir a ligação dessa molécula ao receptor, reduzindo assim os sintomas vasomotores da menopausa. É a primeira do gênero com esse mecanismo de ação”, afirma Ushikusa.
Os efeitos do fezolinetante
Em dados apresentados em congresso, os pesquisadores mostraram que, após 12 semanas de uso do comprimido, as pacientes tiveram redução na frequência e na intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos.
Com base nos relatos das voluntárias, os cientistas também identificaram queda de quase 30% nas perdas de produtividade no trabalho, além de redução semelhante no impacto dos fogachos durante o expediente.
Houve ainda diminuição de cerca de 20% nas limitações para atividades da rotina, inclusive fora do ambiente profissional.
A qualidade do sono, medida com um dispositivo eletrônico utilizado pelas participantes, também apresentou melhora: o descanso tornou-se mais estável e reparador, com menos despertares noturnos.
A quem o remédio é destinado
“O fezolinetante é indicado para mulheres na transição menopausal ou pós-menopausa que sofrem com ondas de calor e/ou suores noturnos de moderados a intensos”, resume Ushikusa.
A droga também pode ser uma alternativa para pacientes que não podem utilizar terapia de reposição hormonal por causa do histórico de saúde. “E é uma opção para mulheres que tentaram a reposição hormonal e não obtiveram sucesso no controle dos sintomas”, acrescenta a diretora médica da Astellas.
Segundo Ushikusa, pesquisas indicam que 43% das brasileiras não recebem tratamento para ondas de calor e suores noturnos, mesmo quando procuram ajuda médica.
“Um tratamento não hormonal é uma inovação muito aguardada pela classe médica e pelas mulheres nessa fase da vida”, afirma.





