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Pesquisa relaciona dor de cabeça e epilepsia

A enxaqueca ainda pode apresentar vínculo com distúrbios do sono e problemas cerebrovasculares

Dores de cabeça e epilepsia podem afetar a mesma região do cérebro

Uma série de pesquisas apresentadas durante o 24º Congresso Brasileiro de Cefaleia, aponta que, em alguns casos, a enxaqueca tem vínculos diretos ou indiretos com distúrbios de sono, epilepsia e outras alterações cerebrovasculares. Isso significa que elas podem ser a causa uma da outra ou que afetam a mesma região do cérebro – e, caso isso se confirme, podem ter tratamentos muito similares.

Médico tira dúvidas sobre dor de cabeça

“A epilepsia e a enxaqueca acontecem no mesmo local e, acredita-se, a diferença entre elas está no limiar de sensibilidade entre as pessoas. Nos testes, aquelas com mais sensibilidade eram as com epilepsia”, diz a neurologista portuguesa Isabel Luzeiro, do Centro Hospitalar de Coimbra, em Portugal. De acordo com a médica, a relação entre as duas doenças já era uma suspeita entre a comunidade médica, mas as provas concretas estão aparecendo apenas agora. “Análises do DNA já conseguiram mapear uma alteração genética que liga as duas doenças.”

Ataque conjunto – Os distúrbios do sono e a dor de cabeça são problemas que afetam as mesmas estruturas cerebrais, logo, os dois problemas costumam atacar juntos. Dormir pouco acaba deixando as dores mais intensas e mais frequentes e aumenta as probabilidades de uma dor de cabeça crônica. Segundo dados apresentados pela médica Elsa Parreira, neurologista do Hospital Santa Maria, de Lisboa, 70% dos pacientes com cefaleia têm algum tipo de distúrbio do sono. “O tratamento não pode ser isolado, deve-se tratar a dor de cabeça e o distúrbio do sono. Muitas vezes se trata somente a dor e não se procura o que está por trás disso”, diz Elsa.

Em menor incidência, os problemas cerebrovasculares também têm sua parcela de associação com as enxaquecas. De acordo com Jose Barros, da Universidade do Porto, em Portugal, a enxaqueca com aura pode estar associada, em longo prazo, com um risco maior de acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio. “Mulheres que têm esse tipo de cefaleia, fumam e tomam anticoncepcional oral são os principal grupo de risco”, alerta. As pesquisas sobre a relação entre elas, no entanto, ainda não são alarmantes. A intensidade da dor, por exemplo, não é proporcional ao tamanho do estrago nos vasos e as taxas de incidência ainda se mostram pequenas. “Há medicações usadas na prevenção da enxaqueca que também são preventivos de doenças vasculares”, diz Barros.