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Perdoar reduz até risco de infarto

Essa atitude faz bem à saúde. É o que explica a psicanalista paulistana Suzana Avezum

Por Adriana Dias Lopes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 ago 2019, 06h45 | Atualizado em 4 jun 2024, 16h05
Perdoar reduz até risco de infarto Priorize VEJA no Google

Sim, perdoar faz bem à saúde. E não apenas em sentido figurado. Abaixo, entrevista com a psicanalista paulistana Suzana Avezum:

O perdão protege o coração? Minha pesquisa comprovou isso avaliando o contrário: a dificuldade de perdoar aumenta o risco de infarto. Observei dois grupos com perfil similar em termos de idade, sexo, condição econômica e estilo de vida. Mas em um deles todos tinham infartado; no outro, não. No primeiro, todos tinham uma característica em comum: passaram por situações em que não haviam perdoado. A mágoa provocada pelo não perdão gera um stress que não é momentâneo: retorna ao longo da vida, sempre que a situação é lembrada. Por defesa, o corpo aumenta a quantidade de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que, em excesso, fazem mal. O bombardeamento a longo prazo arruína o coração.

Existe um perfil de quem perdoa com mais facilidade? As pessoas com fé e os altruístas têm mais facilidade em perdoar. Os egocêntricos, menos. Mas essas são características muito abstratas, vagas. O perdão, na verdade, está desvinculado da religião. Trata-se de uma atitude. A decisão de perdoar tem base no fato de que o ato traz bem-estar a quem perdoa. O outro pode não merecer o perdão, mas quem sofre é quem não perdoa. O perdão ainda é entendido como um ato de fraqueza, mas é a maior dádiva que podemos conceder a nós mesmos, não ao outro.

É possível aprender a perdoar? Há profissionais especializados nisso, sobretudo nos Estados Unidos. Digo que é possível treinar. O primeiro passo é admitir que sentimos raiva, o que muita gente nega. Enfrente seus sentimentos. Depois pense em por que a outra pessoa fez o que fez. Coloque-se no lugar dela. E não necessariamente para estimular a reconciliação: é, repito, algo que você tem de fazer em benefício próprio. E digo mais: não é preciso esquecer a mágoa para conseguir perdoar. O normal é lembrar-se para o resto da vida do que causou a dor. Perdoar é pensar no problema não mais como um machucado, e sim como uma cicatriz. Ela está lá, mas não dói mais. Pense nas campanhas de cigarro. Depois de tantas ações que divulgaram que o hábito faz mal, as pessoas passaram a fumar menos. Tenho certeza de que, se houvesse campanha em favor do perdão, ele seria mais aceito.

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Você perdoa com facilidade? Procuro deixar para lá, porque escolho ser feliz.

Publicado em VEJA de 21 de agosto de 2019, edição nº 2648

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