A patente do Ozempic já foi, mas quando cai a do Mounjaro?
Saiba a data exata segundo apuração de VEJA junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial
Poucas notícias no universo da saúde repercutiram tanto como a quebra da patente da semaglutida, o princípio ativo das canetas de Ozempic e Wegovy para tratamento do diabetes e do excesso de peso. Com o fim do domínio exclusivo sobre a molécula, na última sexta-feira, 20 de março, e a consequente abertura para o desenvolvimento e lançamento de “genéricos”, já houve quem especulasse também sobre a queda da patente de outro medicamento em alta, o Mounjaro.
Desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly e lançado no Brasil em 2025, o Mounjaro é uma caneta de aplicação semanal de tirzepatida aprovada para tratar a obesidade e o diabetes tipo 2 – a exemplo da semaglutida, criada pela dinamarquesa Novo Nordisk. A diferença, em termos de mecanismo de ação, é que, enquanto a família Ozempic imita um hormônio que atua no aumento da saciedade e no controle da glicemia, o GLP-1, o Mounjaro faz as vezes de duas substâncias que participam dessa orquestra metabólica, o GLP-1 e o GIP.
Nos estudos clínicos, o remédio não só demonstrou melhoras expressivas nos exames de pacientes com diabetes tipo 2 como alcançou perdas de 20% do peso corporal, em média – a maior faixa alcançada por medicações já aprovadas e comercializadas globalmente.
Quando cai a patente do Mounjaro?
Segundo VEJA apurou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), responsável pela avaliação e registro das patentes no Brasil, a da tirzepatida, base do Mounjaro, expira em 5 de janeiro de 2036.
Ou seja, oficialmente, há no mínimo uma década até que a quebra da patente do Mounjaro e outras empresas possam lançar suas versões do análogo de GLP-1 e GIP.
No entanto, discute-se, num debate cheio de controvérsias, se esse prazo poderia ser alterado. Isso porque corre na Câmara dos Deputados um projeto de lei para antecipar o fim da patente da tirzepatida sob a alegação de que, com similares do produto feitos por outras companhias, os preços baixariam e o acesso à medicação se ampliaria, inclusive com a perspectiva de inclusão no SUS para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
A proposta é polêmica e foi duramente criticada por entidades ligadas ao setor farmacêutico, uma vez que fere um princípio que baliza a sustentabilidade e o potencial de investimento da indústria.
Por outro lado, não se pode perder de vista a possibilidade de a Lilly buscar postergar a data limite da patente – um mecanismo que, vez ou outra, é acionado por laboratórios. A Novo Nordisk tentou fazer isso com o Ozempic, mas não obteve êxito.
Por ora, vislumbram-se dez anos até a patente do Mounjaro cair. Até lá, é bem provável que a própria Lilly já tenha outros dois medicamentos de peso no mercado voltados ao diabetes e à obesidade. A orforgliprona, um comprimido à base de GLP-1 e uso diário, e a retatrutida, o primeiro análogo triplo em uma caneta de aplicação semanal – que pode levar a uma perda de 30% do peso, segundo estudos.





