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Parkinson pode ser uma doença autoimune

Segundo um estudo publicado na Nature, o Parkinson pode ser "autoimune", ou seja, o próprio sistema imunológico atacaria células do cérebro dos pacientes

Por Da Redação 27 jun 2017, 12h54

Parkinson, doença que causa danos progressivos no cérebro, gerando tremores e dificuldades de movimento nos pacientes, pode ser um doença autoimune. A hipótese, que surgiu pela primeira vez há quase um século, foi confirmada por um estudo publicado na revista científica Nature. De acordo com os cientistas, o sistema imunológico atacaria células do cérebro em pessoas que sofrem da doença, segundo informações da BBC Brasil.

  • Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores do centro médico da Universidade Columbia e do Instituto de La Jolla para Alergia e Imunologia, ambos nos Estados Unidos, analisaram o sangue de 67 pacientes com Parkinson. Os resultados mostraram que as células-T, que fazem parte do sistema imunológico, atacam a alfa-sinucleína, proteína acumulada em altos níveis no cérebro de pessoas com Parkinson.

    Sistema imunológico no ataque

    Isso significa que o sistema imunológico de quem sofre da doença identifica essa proteína como um invasor estranho, como um vírus ou uma bactéria, e ataca-a para defender o organismo. Os cientistas acreditam que, nesse processo, o sistema imunológico acaba matando também células cerebrais boas que acumulam essas proteínas.

    “A ideia é que uma falha no sistema imunológico contribui para o mal de Parkinson. Isso é algo que já se suspeitava havia quase cem anos. Até agora, porém, ninguém havia conseguido conectar os pontos. Suspeitamos que as células-T primeiro identificam a alfa-sinucleína no sistema nervoso do intestino, o que não causa nenhum problema. O problema começa quando as células-T entram no cérebro”, explicou David Sulzer, um dos pesquisadores da Universidade Columbia, à BBC.

    Novos tratamentos

    Alessandro Sette, da Instituto La Jolla, acredita que os resultados “sugerem a possibilidade de utilizar-se uma estratégia com imunoterapia para aumentar a tolerância do sistema imunológico com relação à alfa-sinucleína, o que poderia ajudar a melhorar ou prevenir o agravamento dos sintomas do Parkinson.

    Para David Dexter, da organização beneficente Parkinson UK, no Reino Unido, a descoberta corrobora para a ideia de que o Parkinson pode envolver uma “falha” ou “confusão” do sistema imunológico, que acaba danificando células boas do cérebro para combater a proteína que identifica como invasora.

  • No entanto, ele ressalta que ainda  “temos que entender muito mais sobre como esse sistema imune pode estar envolvido na complexa cadeia de eventos que contribuem para o mal de Parkinson” e acrescenta que a descoberta “apresenta uma nova via para explorar o desenvolvimento de novos tratamentos que podem amenizar ou até controlar o progresso da doença”.

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