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Pancreatite aguda: entenda problema associado ao Mounjaro, Ozempic e afins

Segundo o governo britânico, foram registradas 1.296 notificações do problema associadas ao uso desses medicamentos: veja sintomas e tratamento

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 fev 2026, 12h28 • Atualizado em 3 fev 2026, 12h49
  • O governo do Reino Unido atualizou na segunda-feira 2 as informações em seu site oficial sobre os agonistas de GLP-1 — as chamadas “canetas para obesidade” — para reforçar o alerta sobre o risco de pancreatite, incluindo quadros agudos e necrosantes. De acordo com as autoridades britânicas, entre 2007 e outubro de 2025 foram registradas 1.296 notificações da doença associadas ao uso desses medicamentos. Desses casos, 24 foram classificados como necrosantes e 19 como fatais.

    O aviso, porém, não é novidade para quem lê a bula. Medicamentos como Mounjaro e Ozempic já trazem o risco de pancreatite descrito, com uma estimativa de 0,1 a 1 caso a cada 100 usuários — ou seja, eventos raros. Como explica o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, colunista de VEJA SAÚDE, esse dado precisa ser colocado em contexto.

    “Pessoas que têm indicação para usar esses remédios, como aquelas com diabetes ou obesidade, muitas vezes já apresentam um risco maior de pancreatite por si só, independentemente do tratamento. Por isso, nem sempre dá para atribuir o problema diretamente ao uso das canetas”, diz Couri.

    Afinal, o que é pancreatite?

    Mesmo “escondido” atrás do estômago, o pâncreas tem um papel central no funcionamento do corpo. É ele que produz a insulina e libera enzimas fundamentais para a digestão. Quando algo dá errado nesse órgão, o sinal de alerta costuma ser alto — e é aí que entra a pancreatite.

    A pancreatite nada mais é do que a inflamação do pâncreas. Ela pode se apresentar de forma aguda, crônica ou, em casos mais graves, necrosante. Quando não é tratada adequadamente, essa inflamação pode fazer com que as próprias enzimas digestivas passem a “atacar” o órgão, agravando o quadro.

    Os diferentes tipos de pancreatite

    Pancreatite aguda
    É uma das principais causas de internação relacionadas ao sistema gastrointestinal. Em geral, é temporária e costuma estar associada ao consumo excessivo de álcool ou à presença de cálculos biliares. Também aparece descrita como um possível efeito colateral das canetas para obesidade.

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    Nesses casos, pode ocorrer uma obstrução na parte final do colédoco — o ducto que transporta a bile — o que impede a saída das secreções pancreáticas. O acúmulo desse material acaba desencadeando o processo inflamatório e o inchaço do pâncreas.

    Os sintomas mais comuns incluem náuseas, vômitos, icterícia (pele e olhos amarelados) e dor súbita na parte superior do abdômen, que costuma se espalhar em faixa até as costas.

    Pancreatite crônica
    Aqui, o problema tende a ser mais duradouro e deixar sequelas permanentes no órgão, principalmente por causa da fibrose pancreática. O consumo crônico de álcool é um dos principais fatores associados, já que provoca danos contínuos às células do pâncreas.

    Com a função do órgão comprometida, aumentam os riscos de diabetes, diarreia e dores abdominais semelhantes às da pancreatite aguda.

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    Pancreatite necrosante
    Embora seja rara, a pancreatite aguda pode evoluir para a forma necrosante. Nesse cenário, as enzimas digestivas passam a destruir o próprio tecido pancreático, levando à morte celular, comprometimento permanente do órgão e, em alguns casos, à necessidade de transplante.

    Além de intensificar os sintomas da forma aguda, a pancreatite necrosante pode causar desnutrição, diabetes, gordura nas fezes e tem potencial de ser fatal.

    E como é feito o tratamento?

    Antes de qualquer coisa, a principal orientação é: diante da suspeita de pancreatite, é importante procurar atendimento médico. Dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando irradia para as costas, é um sinal de alerta importante. Para quem usa medicamentos como as canetas de GLP-1, existe um risco adicional, já que a dor abdominal pode ser interpretada como um efeito colateral comum do remédio e acabar sendo ignorada. Se a dor persiste, não vale hesitar — é hora de procurar um médico.

    O tratamento da pancreatite aguda e crônica passa, em grande parte, pelo controle da alimentação e pela redução, ou suspensão, do consumo de álcool. Nos quadros agudos, o acompanhamento clínico é essencial para garantir a recuperação completa.

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    Já nos casos crônicos, como a função do pâncreas fica comprometida, costuma ser necessária a suplementação oral das enzimas digestivas que o órgão deixa de produzir adequadamente, como amilase e lipase.

    Cerca de 20% dos casos de pancreatite aguda que não respondem bem ao tratamento clínico podem evoluir para a forma necrosante. Quando isso acontece, pode ser necessária a retirada cirúrgica do tecido necrosado.

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