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Países devem agir com urgência para enfrentar ‘crise’ de doenças neurológicas, alerta OMS

Do Alzheimer ao autismo, milhões ficam sem acompanhamento enquanto cuidadores enfrentam sobrecarga e falta de reconhecimento

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 out 2025, 14h08 • Atualizado em 15 out 2025, 14h31
  • Mais de 3 bilhões de pessoas no mundo – cerca de 40% da população global – convivem com algum tipo de condição neurológica. Entre eles, derrames, Alzheimer, epilepsia, cânceres do sistema nervoso e doenças neurológicas associadas ao parto prematuro. Essa realidade desemboca em números expressivos quando se trata de mortalidade: hoje, essas condições representam mais de 11 milhões de mortes anuais. Mesmo assim, menos de um em cada três países possui políticas nacionais para lidar com essa crescente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    O Relatório Global sobre Neurologia, divulgado na última terça-feira, 14, mostra que apenas 32% dos Estados-Membros da OMS têm uma política voltada para distúrbios neurológicos e apenas 18% dispõem de financiamento específico. A situação é ainda mais crítica em países de baixa renda, onde há até 82 vezes menos neurologistas por 100 mil habitantes do que em nações mais ricas. O resultado são diagnósticos atrasados, tratamentos insuficientes e serviços concentrados nas cidades, deixando principalmente populações rurais e vulneráveis sem acesso a cuidados.

    Para a OMS, a situação precisa ser encarada com urgência. “Ao menos um em cada três habitantes do planeta vive com alguma condição que afeta o cérebro. Precisamos garantir que eles tenham acesso ao cuidado que merecem”, afirma Jeremy Farrar, diretor-assistente-geral da OMS. “Muitas dessas condições podem ser prevenidas ou tratadas, mas os serviços continuam fora do alcance da maioria.”

    O cuidado

    O relatório também chama atenção para a falta de reconhecimento de cuidadores, em sua maioria mulheres, que dedicam a vida ao cuidado de pessoas com condições neurológicas. Apenas 46 países oferecem programas de apoio para cuidadores e só 44 garantem proteção legal. No Brasil, estima-se que existam cerca de 840 mil cuidadores contratados. Eles vivem rotinas de dedicação intensa, mas também enfrentam estresse e sobrecarga física e emocional. Apesar da demanda crescente – e da previsão do IBGE de que quase 40% da população terá mais de 60 anos até 2060 – a atividade ainda não é regulamentada. Cursos oferecem noções e técnicas básicas, mas nem sempre preparam para lidar com pacientes mais graves ou debilitados.

    No caso do Alzheimer, os desafios brasileiros são grandes. A doença ainda é vista como parte natural do envelhecimento, percepção que alimenta o estigma e contribui para que mais de 80% dos casos de demência no país não sejam diagnosticados.

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    O relatório From awareness to action: addressing the growing burden of Alzheimer’s in Brazil, publicado pelo Economist Impact em junho de 2025, mostra que a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências, em vigor desde 2024, promete integrar cuidados, focando em diagnóstico precoce, tratamento interdisciplinar e suporte a familiares. Mas sem um plano claro e uniforme para implementação, a aplicação da política pode ser desigual, limitando o impacto no atendimento da população.

    O subdiagnóstico está ligado à baixa conscientização da população e à falta de capacitação de profissionais, especialmente na atenção primária. Muitas famílias ainda enxergam os sintomas como “coisa da idade”, enquanto o sistema público, sobrecarregado e com poucos especialistas, tem dificuldade de oferecer diagnósticos rápidos. A falta de apoio formal a cuidadores é outro ponto crítico. Sem suporte financeiro, técnico ou psicológico, muitos se afastam do trabalho, perdem renda e saúde, e enfrentam jornadas exaustivas ignoradas por um sistema que ainda não reconhece o cuidado como trabalho, especialmente quando é um familiar que assume a responsabilidade pelo cuidado.

    O que pode ser feito?

    Diante desses números, a OMS alerta que, sem políticas consistentes, os sistemas de saúde continuam fragmentados, com poucos recursos e pouco preparados para atender pacientes e suas famílias.

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    A agência também destaca a importância de melhorar a coleta de dados sobre distúrbios neurológicos. No estudo, apenas 53% dos países forneceram informações. Sem esses dados, fica difícil planejar políticas eficazes e tomar decisões baseadas em evidências.

    Além disso, a OMS defende ampliar o acesso a cuidados neurológicos, fortalecendo os sistemas de saúde e garantindo cobertura universal. A organização também recomenda investir na promoção da saúde cerebral ao longo da vida, com ações que envolvam diferentes áreas e foquem na prevenção de riscos e na proteção do cérebro.

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