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O sono interrompido dos brasileiros na crise da Covid-19

Os sonhos também foram atingidos

Por Mariana Rosário Atualizado em 8 Maio 2020, 10h51 - Publicado em 8 Maio 2020, 06h00

Uma em cada cinco pessoas passou a ter dificuldade para dormir com a pandemia de Covid-19. O sono se tornou mais curto e agitado. É o que aponta recente pesquisa conduzida pelo Hospital da Universidade de Shenzhen e pela Universidade de Huazhong, na China, realizada com 7 236 adultos. Entre os profissionais de saúde, a frequência sobe para uma em cada quatro pessoas. Há explicação: a combinação de condições realmente estressantes, como o medo de contrair uma doença ainda desconhecida, com a quebra radical da rotina. Além disso, o confinamento gera outro problema: a redução de tempo de exposição ao sol. A luz solar ajuda a regular o hormônio que inibe o sono, a melatonina. Os sonhos também foram atingidos. Quando dormimos, passamos por diferentes estágios do sono que percorrem a noite toda. Isso inclui sono leve e profundo e um período conhecido como sono de movimento rápido dos olhos (REM), que acontece com mais destaque na segunda metade da noite. Os sonhos podem ocorrer em todos os estágios do sono, mas o REM é considerado o responsável por sonhos visuais e altamente emotivos. Dormir pouco afeta em especial esse momento, tornando os sonhos mais vívidos e emocionais que o habitual.

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Uma das formas de ajudar o organismo a reagir é abrir as cortinas durante o dia e se expor à luz natural. Programar os horários para dormir e acordar é fundamental, mesmo que não se tenha nenhuma tarefa obrigatória para realizar. A última refeição do dia deve ser feita pelo menos duas horas antes de ir para a cama. Bebidas com cafeína ou sabor “cola” precisam ser banidas do cardápio pelo menos quatro horas antes de deitar-se, assim como os alimentos ricos em açúcares. Os smartphones e tablets também são vilões para quem não consegue descansar. O ideal é que sejam desligados pelo menos noventa minutos antes de as luzes serem apagadas. Notificações de aplicativos, e-mails e redes sociais podem estimular a procura pelo celular na hora errada. São conselhos perenes, agora ainda mais vitais.

Publicado em VEJA de 13 de maio de 2020, edição nº 2686

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